A Organização Internacional do Trabalho – OIT no Brasil divulgou em seu site o lançamento do projeto Movimento Ação Integrada, realizado na manhã de quarta-feira, 21 de novembro, durante o 30º Enafit que acontece em Salvador. O evento contou com a presença da Diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo.
O lançamento durante o Encontro pretende dar ampla divulgação do projeto no intuito de que ele seja implantado em outros Estados do país, multiplicando assim os bons resultados obtidos no Mato Grosso, com a qualificação profissional de egressos do trabalho escravo.
Todos os presentes receberam um kit de impressos com a síntese do projeto, a estruturação e resultados do projeto piloto no Mato Grasso, o plano de trabalho para a implantação do projeto e a Carta de Princípios. A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, incentivou os colegas, principalmente os da nova geração, a levarem e disseminarem o projeto pelo Brasil. “Precisamos buscar novos caminhos, vamos abraçar essa causa e tornar a Auditoria-Fiscal do Trabalho ainda mais firme e atuante”, conclamou Rosângela.
Confira matéria abaixo:
Qualificação profissional para evitar o trabalho forçado
SALVADOR (Notícias da OIT) – A qualificação profissional com o objetivo de reinserir no mercado trabalhadores egressos de condições análogas à escravidão é o principal objetivo do projeto Movimento Ação Integrada, do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (SINAIT), que conta com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O projeto foi divulgado durante o 30º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (ENAFIT) em Salvador, que teve a participação da Diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo.
A apresentação foi realizada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho Valdiney Arruda (MT) e Jacqueline Carrijo (GO) em conjunto com a diretora do escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, que falou sobre os conceitos de escravidão contemporânea e mostrou dados levantados pela Organização. Segundo ela, o trabalho análogo à escravidão é um fenômeno generalizado no mundo. “Não está presente só nos setores informais ou nas nações em desenvolvimento, mas também nos países centrais e na cadeia produtiva de grandes empresas”.
A estimativa mais recente da OIT mostra que 20,9 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado em todo o mundo, dos quais 1,8 milhão na América Latina. Por isso, Laís Abramo destacou a importância da Fiscalização do Trabalho no Brasil, que é referência internacional. “Após o país reconhecer, perante a Organização das Nações Unidas – ONU, a existência de trabalho escravo contemporâneo em 1995, os Auditores-Fiscais do Trabalho ocuparam papel central no combate ao problema”, disse.
A diretora da OIT destacou outros exemplos de enfrentamento como o Cadastro Geral de Empregadores, instrumento interministerial conhecido como “Lista Suja”, e o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. “São mecanismos que envolvem sanções econômicas, no caso da lista suja, para quem é flagrado na prática como o impedimento de empréstimos em bancos públicos e a retirada de fornecedores da cadeia produtiva de empresas integrantes do Pacto”, acrescentou.
Para Laís Abramo, mesmo com a evolução das formas de repressão a quem pratica o trabalho análogo à escravidão contemporânea no Brasil, ainda é preciso evoluir quando o assunto é prevenção. Ela mostrou dados de um perfil traçado pela OIT, de trabalhadores resgatados pelos Grupos Móveis de Fiscalização de 1995 a 2006. A Organização apontou que a maioria das vítimas é de homens analfabetos, na faixa etária de 18 a 44 anos, sendo que 96% deles começaram a trabalhar com 14 anos. “O mais preocupante é que 85% dessas pessoas não têm formação profissional e 60% reincidem”.
Por esse motivo, a OIT considerou o Movimento Ação Integrada entre as soluções para que os trabalhadores resgatados recebam capacitação profissional, conquistem um emprego decente e não voltem para as condições análogas à escravidão. “Um dos fatores mais interessantes do projeto é o envolvimento dos familiares da vítima, também vulneráveis socialmente, como forma de prevenção”, acrescentou a Diretora da OIT.
Laís Abramo também apresentou números de uma pesquisa feita com os trabalhadores resgatados pelos Grupos Móveis sobre o que deveria ser feito para acabar com trabalho escravo contemporâneo. 39% dos entrevistados responderam que seria a fiscalização nas fazendas. Mais de 21% considerou o cumprimento das leis, 11,2% a melhoria das condições de trabalho, e 7,4%, a eliminação do “gato”, o agenciador das fazendas que atrai as vítimas. “Com isso, fica ainda mais perceptível a importância da Auditoria-Fiscal do Trabalho para garantir dignidade a essas pessoas”.
O Auditor Fiscal do Trabalho Valdiney Arruda, responsável pela implantação do Movimento Ação Integrada no Mato Grosso, explicou que o projeto atua nos casos de trabalho análogo a escravo nos meios rurais e urbanos. A ideia começou a ser executada há três anos. O primeiro passo foi, a partir dos dados do Seguro-Desemprego dos resgatados, fazer a análise do perfil das vítimas. “Depois, fomos até as regiões onde os trabalhadores declararam residir para traçar um estudo sócio-profissional e identificar suas dificuldades”.
Segundo ele, com esse estudo, os Auditores Fiscais identificaram o que faziam os trabalhadores nos seus locais de origem após o resgate. “Em torno de 70% estavam desempregados ou no setor informal. Nessa informalidade, apontamos que alguns ainda permaneciam em situação análoga a escravo”. Pessoas da família da vítima (pais, filhos ou irmãos) que vivenciaram a mesma situação degradante e não haviam sido resgatados foram considerados como vulneráveis.
Após a conclusão do estudo, o projeto Ação Integrada foi implementado pela SRTE/MT em 2009 com parceria da Procuradoria Geral do Trabalho da 23ª Região, da Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, da Comissão Pastoral para Migrantes (CPM), OIT e outras entidades da sociedade civil.
Como o objetivo principal era integrar iniciativas de qualificação com políticas públicas de educação e geração de emprego e renda para a oferta de cursos aos egressos, foi realizada uma articulação com instituições do Sistema S, como Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai, e empresas que alocam os trabalhadores. Desde 2009, mais de mil trabalhadores fizeram parte do projeto.
Com informações da Assessoria de Imprensa do SINAIT.