A ONG reuniu informações sobre os problemas dos trabalhadores e os vários pontos de vista que cercam o trabalho no setor de frigoríficos no hot site “Moendo Gente”, que apresenta uma série de reportagens
Baseada nas informações reunidas para o documentário “Carne e Osso”, a ONG Repórter Brasil publicou diversas reportagens especiais sobre a situação dos trabalhadores do setor frigorífico no país. No hot site “Moendo Gente”, o destaque é para os riscos que os empregados correm e para a pouca iniciativa das empresas em melhorar a situação.
As matérias informam que, numa escala de 1 a 4, o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE considera que os frigorífico estão no nível 3 em relação aos perigos laborais. Segundo o Ministério da Previdência Social – MPS, que registra os acidentes e adoecimentos no trabalho, os empregados do setor estão mais propensos a adquirir Lesão do Esforço Repetitivo e Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho – LER/DORT.
Além dos problemas musculares, também existe a possibilidade de cortes profundos por causa do manuseio de facas – que podem atingir os nervos - e os riscos da permanência por longos períodos em temperaturas muito baixas.
A maioria das funções exige movimentos repetitivos, que ultrapassam o limite seguro e ideal para a saúde, unida a jornadas excessivas. Porém, a Repórter Brasil mostra que as empresas dificultam o avanço nas discussões sobre pausas por considerarem que irá prejudicar a produtividade. A obrigatoriedade de um regime de intervalos para trabalhadores em ambientes frios é prevista pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Para os empregados em geral, há uma Norma Regulamentadora – NR, editada pelo MTE, que dispõe sobre ergonomia.
Uma NR específica para o setor frigorífico está sendo discutida por um Grupo de Trabalho – GT que reúne representantes das empresas, trabalhadores, de Auditores-Fiscais do Trabalho e outros órgãos competentes. Ao analisar os possíveis pontos que devem nortear a NR, a Repórter Brasil afirma que o setor não concorda com o regime de 10 minutos de pausas para cada 50 minutos trabalhados.
Várias empresas do ramo já sofrem interdições realizadas por Auditores-Fiscais do Trabalho, ações judiciais e condenações. Porém, na visão da ONG Repórter Brasil, a indústria é resistente a mudanças que beneficiem os empregados. Uma das reportagens ressalta que, aliado a isso, as indenizações pagas por danos morais e materiais resultantes de ações movidas pelos trabalhadores são muito baixas e não afetam o faturamento das empresas a ponto de promoverem ações em prol da segurança e saúde no trabalho.
O faturamento não é pequeno, pois grande parte da carne produzida no Brasil é voltada para exportações. A rede de negócios inclui, por exemplo, os restaurantes fast food espalhados pelo mundo inteiro.
Ao longo dessa semana, o site do Sinait irá detalhar as reportagens que podem ser acessadas aqui.
Veja aqui informações e o trailler do documentário “Carne, Osso”.