O governo anuncia que vai lançar, em janeiro de 2013, o Programa Nacional de Reabilitação Profissional com a meta de triplicar o número de trabalhadores reabilitados por ano.
A ação envolve cinco ministérios, entre eles o Trabalho e Emprego, e tem como objetivo reduzir os gastos da Previdência Social com as aposentadorias e pensões por invalidez e com auxílio-doença. O gasto anual com esse tipo de benefício é da ordem de R$ 60 bilhões. Ao mesmo tempo, o governo espera engrossar o mercado de trabalho formal.
Na formulação do novo programa trabalham técnicos dos ministérios da Previdência Social, Saúde, Planejamento, Educação e Trabalho. Adicionalmente, o Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS – o braço principal da reabilitação profissional no país – firmou um convênio com o Instituto DGUV, da Alemanha, para aprimorar o trabalho dos médicos da instituição.
O governo pretende criar um cadastro nacional de reabilitados, com informações acessíveis às empresas sobre todos os trabalhadores atendidos visando à contratação desses empregados por meio da lei de cotas de pessoas com deficiência.
Mudança de foco para a prevenção
Os dirigentes do Sinait entendem que o governo deveria investir na prevenção dos acidentes de trabalho, promovendo meios para a fiscalização trabalhista atuar com efetividade, o que não acontece diante do número diminuto de Auditores-Fiscais do Trabalho.
“O problema é o foco do governo. Agir para prevenir o acidente é muito mais humano e barato. Para reabilitar alguém é necessário que, antes, o acidente já tenha acontecido. Isso é uma falha, é admitir que o dano seja causado sem medidas de prevenção”, diz Rosângela Rassy, presidente do Sindicato, criticando o programa do governo.
O estudo técnico elaborado pelo IPEA e entregue ao Ministro do Trabalho e Emprego demonstra o número necessário de Auditores-Fiscais do Trabalho para diminuir essa chaga que atinge diariamente a classe trabalhadora.
Portanto, ao invés de agir depois do dano causado, o governo deveria prioritariamente investir em segurança e prevenção ampliando imediatamente o quadro de Auditores-Fiscais do Trabalho que vão aos locais de trabalho, verificam o cumprimento das normas e orientam empregadores e empregados quanto às melhores práticas para evitar acidentes de trabalho.
Em artigo publicado recentemente sob o título "A gênese dos acidentes de trabalho no Brasil" (Correio Braziliense) aponta a presidente do Sinait, diante de tantos acidentes, com mortes e invalidez permanente:
“É evidente que medidas precisam ser tomadas, quer no âmbito do poder público, quer no seio da sociedade. Conscientização de empregadores e de trabalhadores, orientações por meio das entidades patronais e de empregados, campanhas de sensibilização são atividades importantes, mas as fiscalizações nos locais de trabalho são imperiosas!“.
Assessoria de Imprensa do Sinait com informações do jornal Estado de São Paulo