30-10-2012 - Sinait
Passados quase dois anos de mandato, o governo da presidente Dilma Rousseff diz que vai investir no relacionamento com as Centrais Sindicais, estabelecendo uma “agenda positiva”. Foram dois anos sem diálogo, posicionamento também observado em relação aos servidores públicos, sendo que parcela das entidades é ligada a Centrais Sindicais.
Um distanciamento crônico foi imposto aos servidores que, sem alternativa, precisaram utilizar-se do instituto da greve em busca de diálogo. Porém, nem assim o governo negociou. Ameaças com projetos de lei que regulamentavam o direito de greve dos servidores impondo retrocessos e praticamente extinguindo esse direito, além de Decreto que determinava a substituição dos servidores em greve, foram algumas das medidas autoritárias utilizadas pelo governo ao longo da campanha salarial de 2012.
Não houve negociação, mas postergação de diálogo, até que o prazo para a apresentação da Lei Orçamentária Anual, a LOA, terminou, e o governo fez o que queria. Disse que negociou e apresentou um percentual que não reparava perdas, muito menos recuperava o poder aquisitivo dos servidores.
Então, se a ideia é melhorar, o governo deveria propor também uma agenda positiva para os servidores públicos. Muitas questões que podem ser melhoradas como o aumento do valor do auxílio alimentação, vale-transporte, diárias, há anos amargam uma crescente defasagem. Ao rever esses valores, o governo reduziria o distanciamento criado este ano, quando o percentual de reajuste oferecido não foi aceito por parte das carreiras, já que não atendia o mínimo das demandas.
Veja matéria do jornal O Estado de São Paulo:
29-10-2012 – O Estado de São Paulo
Palácio do Planalto busca agenda positiva com centrais
Nos primeiros dois anos, governo Dilma Rousseff teve dificuldade de relacionamento com as maiores centrais sindicais
O Palácio do Planalto quer se reaproximar das centrais sindicais. Depois de um “distanciamento crônico”, como interlocutores da presidente Dilma Rousseff definem os primeiros dois anos de governo, a estratégia agora é criar uma agenda positiva com as centrais. Nas próximas sema-nas, o governo vai definir o patamar das Participações sobre Lucros e Resultados (PLR), distribuídas pelas empresas aos trabalhadores que estarão isentas do Imposto de Renda (IR). Além disso, o governo já aceita discutir na segunda metade da gestão Dilma uma eventual redução da jornada de trabalho. Os primeiros dois anos não foram amigáveis, dizem os próprios auxiliares de Dilma.
Logo no primeiro mês de mandato, a presidente foi pressionada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), presidente da segunda maior central sindical do País, a Força Sindical, a conceder um reajuste maior do salário mínimo. Dilma não cedeu. O Ministério do Trabalho ficou 163 dias sem ministro e sem secretário executivo, entre a demissão de Carlos Lupi e a posse de Brizola Neto (PDT), em maio de 2012. Dilma também rompeu os canais de conversa com Artur Henrique, o presidente da maior entidade, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT.
Até ser sucedido pelo atual presidente, Vagner Freitas, em julho deste ano, Henrique não mais foi recebido por Dilma, que não engoliu as fortes críticas da central às concessões de três aeroportos à iniciativa privada em fevereiro. Mais tarde, já sob Freitas, a CUT também pressionou o Planalto ao inflar os sindicatos de servidores públicos durante a grande greve de julho e agosto.
Ações.
A relação com as centrais tende a melhorar a partir de agora, dizem fontes do Palácio do Planalto. Em 2013, a CUT completa 30 anos, e o governo estuda anunciar até o ato de comemoração, que ocorrerá em junho, o início das discussões formais em Brasília pela redução da jornada de trabalho. A Força passará por uma transição: Paulinho, que preside a central desde 1999, viu sua candidatura a prefeito de São Paulo naufragar (obteve apenas 0,6% dos votos), e deve passar o bastão a Miguel Torres (PDT), elogiado no Planalto. Já a terceira maior, a União Geral dos Traba-lhadores (UGT) apoiou José Serra (PSDB) em São Paulo, mas seu presidente, Ricardo Patah (PSD), declarou publicamente seu apoio a Dilma.