Exoneração de Secretária de Inspeção é notícia na imprensa


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
11/10/2012



A saída de Vera Albuquerque do cargo de secretária de Inspeção do Trabalho e as denúncias apresentadas por ela de interferência na Fiscalização do Trabalho e de irregularidades na nomeação de assessora da secretaria de Relações do Trabalho começa a repercutir na imprensa. 


A Repórter Brasil e o Blog do Sakamoto publicaram matéria que está sendo replicada em diversos sites. Em entrevista aos jornalistas Leonardo Sakamoto e Daniel Santini a Auditora-Fiscal do Trabalho afirmou que está indignada com o desrespeito da atual administração do Ministério do Trabalho e Emprego para com a Auditoria-Fiscal do Trabalho e que vê uso político da Pasta, além do favorecimento de grupos específicos, que ela chamou de “cabresto político”.

 

Vera disse que com o atual ministro não há diálogo, pois ele nunca aparece no Ministério. Para ela, há uma tentativa de enfraquecimento da fiscalização e teme que seu substituto seja um nome de fora dos quadros da categoria, sem conhecimento técnico.

 

As razões do pedido de exoneração foram explicadas aos Auditores-Fiscais do Trabalho em uma carta em que há detalhes das irregularidades que estão sendo cometidas.

 

O Sinait compartilha a preocupação de Vera Albuquerque em relação ao substituto para o cargo de secretário de Inspeção do Trabalho. Por isso, solicitou um pedido urgente de audiência com o ministro Brizola para tratar do assunto e enviou correspondências a assessores da Presidência da República e a dirigentes de centrais sindicais expondo a situação. Para a entidade a nomeação de uma pessoa de fora da carreira para este cargo seria um retrocesso. Leia os documentos na área restrita do site em Informes.

 

Leia a reportagem do Blog do Sakamoto na íntegra, abaixo, e confira o que foi publicado em outros sites:

 


 


 


 


 

 

11-10-2012 – Blog do Sakamoto


 


 

A auditora fiscal Vera Lúcia Albuquerque pediu exoneração, na manhã desta quinta (11), da chefia da Secretaria Nacional de Inspeção (SIT) do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego – cargo que ocupava há um ano e dez meses. O órgão é responsável por verificar o cumprimento da legislação trabalhista em todo o país e tem, entre outras atribuições, a responsabilidade por fiscalizar denúncias de escravidão contemporânea, de trabalho infantil e de fraudes no FGTS.

 

Vera desempenhou um papel importante na articulação política pela aprovação da proposta de emenda constitucional que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo for encontrado. A PEC 438/2001 passou em segundo turno na Câmara dos Deputados, em maio deste ano, e retornou ao Senado sob o número 57A/1999.

 

“Estou indignada com o profundo desrespeito à inspeção do trabalho”, afirmou em entrevista a este blog. Vera reclama do risco de mudança na política do Ministério do Trabalho e Emprego. “Há uma tentativa de defender o empregador a qualquer preço. O ministério tem que estar a serviço da sociedade e não apenas de empregadores ou de interesses pessoais e partidários”, afirma. “Estão tentando colocar um cabresto político na inspeção do trabalho.”

 

 “Procurar o ministro para tentar mostrar a ele os problemas não adianta, porque ele nunca aparece”, reclama. Ela também alerta para o risco de partidarização da fiscalização do trabalho. Uma disputa estaria ocorrendo entre o ministro Brizola Neto e o ex-ministro Carlos Lupi pelo controle do PDT.

 

Vera afirma que há uma tentativa de enfraquecimento da inspeção do trabalho no país. E que isso passa pela fragilização da estrutura e por trazer pessoas por motivações políticas para cargos que exigiriam conhecimento técnico. Por exemplo, ela teme que o seu cargo seja ocupado não por um auditor fiscal de carreira, mas por alguém que não tenha conhecimento sobre o assunto. Questiona qual seria o real interesse de colocar pessoas que não dominam a legislação, normas e instruções para essas funções.

 

Em uma carta enviada a auditores fiscais de todo o Brasil, ela cita o artigo sexto da Convenção número 81 da Organização Internacional do Trabalho, que diz respeito à inspeção do trabalho, que deve ser independente de “qualquer mudança de governo ou de qualquer influência externa indevida”. Para ela, a gota d’água para a decisão foi a nomeação de uma pessoa para a Chefia da Fiscalização do Trabalho na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro sem que houvesse consulta à SIT, como era de praxe em gestões dos outros ministros. Esta não teria sido a única vez que a Secretaria foi ignorada na gestão de pessoal. Solicitou-se à cúpula do ministério que a decisão fosse revista, mas não teria havido resposta.

 

“Não admito que a inspeção do trabalho seja desrespeitada como está acontecendo nessa gestão e o meu gesto é uma demonstração disso”, afirma Vera. Ela ficará no cargo até que a exoneração seja publicada pelo Diário Oficial e retornará às suas funções de auditora fiscal do trabalho no Rio de Janeiro.

 

A Secretaria Geral da Presidência da República e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com as quais a SIT possui um trabalho estreito por conta dos programas de combate ao trabalho escravo e de promoção do emprego decente na construção civil e no setor sucroalcooleiro, também estão sendo informadas da exoneração.

 

A Secretaria de Inspeção do Trabalho também é responsável por gerir o cadastro de empregadores flagrados com mão de obra escrava, a conhecida “lista suja”. O instrumento é considerado um dos principais no combate à escravidão, sendo usado pelo setor empresarial para gerenciamento de riscos de suas cadeias produtivas. Por isso, a SIT tem sofrido ataques por parte de empregadores insatisfeitos com bloqueios comerciais e de financiamento e de seus representantes políticos desde a criação do cadastro em 2003. Recentemente, houve pressões fortes pressões por conta da inclusão de nomes famosos pela “lista suja”, como a MRV Engenharia, uma das principais executoras do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A empresa se encontra excluída da lista por decisão liminar.

 

O ministro Brizola Neto não foi localizado nesta manhã para comentar o pedido de saída e as afirmações pela demissionária secretária nacional.

 

Sua equipe foi informada pela reportagem sobre a decisão e, em seu gabinete, a notícia provocou surpresa. “Só podemos comentar em cima de fatos e não fomos informados oficialmente ainda”, afirmou Fernando Imediato, que faz parte da equipe do ministro e afirmou que encaminharia a questão. Este blog e a Repórter Brasil enviaram uma série de perguntas a Brizola Neto, solicitando que o retorno fosse o mais breve possível.

 

Com Daniel Santini da Repórter Brasil

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.