Às vésperas da conclusão da obra o consórcio construtor divulga contratação de alpinistas industriais como medida de segurança na finalização da cobertura do estádio Mineirão, em Belo Horizonte
A obra de reforma do estádio Mineirão, cartão postal da cidade de Belo Horizonte (MG), está na fase final. A data de entrega está marcada para o dia 21 de dezembro e, segundo informações do governo do Estado, é a mais adiantada entre as doze cidades que sediarão os jogos da Copa do Mundo de 2014. Cerca de 2.250 empregados trabalharam na reforma do estádio entre os contratados diretamente pelo consórcio construtor e pelas empreiteiras.
Durante toda a obra os Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/MG realizaram fiscalizações e encontraram irregularidades que ofereciam perigo aos trabalhadores com riscos de acidentes e levaram à notificação da construtora para a regularização das condições de trabalho.
Entre abril e junho deste ano foram realizadas várias visitas à obra. Foram lavrados mais de 70 autos de infração e a conclusão da equipe de fiscalização é de que havia muitos riscos de acidentes de trabalho, originados não apenas pela natureza das atividades e pelo risco ocupacional, mas também pela organização administrativa e operacional adotada pelo consórcio construtor do estádio, que contratou muitos empreiteiros de uma só vez e que não se subordinavam a um programa de controle das condições de segurança de trabalho, de responsabilidade exclusiva do construtor principal. Além disso, para os Auditores-Fiscais do Trabalho, não havia número suficiente de profissionais especializados em segurança do trabalho.
Entre as irregularidades descritas nos relatórios aparecem pontas de vergalhões desprotegidas em diversos pontos do canteiro de obras, ausência de telas nos guarda-corpos, condutores elétricos energizados espalhados sobre vias de circulação, máquinas e equipamentos desprotegidos, ausência de projeto de proteções coletivas, transporte de pessoas em elevador de cargas, excesso de jornada de trabalho dos empregados, testes de freios dos elevadores não eram feitos a cada 90 dias, serviços especializados de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho em desacordo com a NR 4, sinalização insuficiente ou inexistente, entre outras.
Durante a obra equipamentos foram interditados e alguns acidentes aconteceram e foram investigados pelos Auditores-Fiscais do Trabalho.
Agora, no final da obra, o consórcio construtor divulgou uma iniciativa inédita que é a utilização de alpinistas industriais para instalar a membrana auto limpante aplicada sobre a estrutura metálica na cobertura do estádio. Os alpinistas, cerca de 20 profissionais brasileiros e argentinos, já realizaram trabalho semelhante em estádios dos Estados Unidos, África do Sul e Argentina. Eles trabalham com equipamentos especiais que dispensam a colocação de andaimes e facilitam a mobilidade na instalação dos materiais. Segundo o coordenador do grupo e o representante do consórcio esta é uma medida de segurança para evitar acidentes.
Veja matéria divulgada:
3-10-2012 – Terra Notícias
Alpinistas seguem com instalação de cobertura do Mineirão
Um time de alpinistas industriais entrou em campo no Mineirão para dar continuidade à instalação da cobertura do estádio. Eles fazem parte do grupo de 20 profissionais que tem a função de montar a membrana auto-limpante sobre a estrutura metálica. O material, feito de dióxido de titânio, permite passagem de luz natural e oferece resistência contra intempéries.
"São profissionais que vão realizar o trabalho com segurança e mobilidade. Como não precisam de andaimes, eles se deslocam com mais agilidade pela área", explica Severiano Braga, gerente de operações da Minas Arena, empresa responsável pelas obras de modernização do estádio.
O grupo trabalha a uma altura de cerca de 40 metros com vários equipamentos de segurança, como capacete, cinto de segurança, cordas e freios de queda. O conjunto completo de segurança chega a pesar até 12 quilos. Jackson Furlan, coordenador do grupo de alpinistas industriais, é um especialista nesse tipo de instalação. Ele fez este serviço em seis estádios diferentes ao redor do mundo.
"Trabalhei nos Estados Unidos, Argentina e África do Sul. Agora, trabalhar no meu país tem um gosto especial, é uma experiência interessante", conta Jackson.
A equipe conta ainda com a experiência internacional de cinco alpinistas argentinos que instalaram uma cobertura semelhante no estádio Ciudad de La Plata.
"Estou nessa área há 6 anos e trabalhei no estádio de La Plata, na Argentina, na instalação de membranas parecidas com essas do Mineirão. A convivência com os brasileiros tem sido ótima, ainda mais que estamos ajudando muito no crescimento desse tipo de serviço no Brasil - diz Mauro Cappelletti, alpinista industrial de Buenos Aires.
Cada uma das membranas tem 2,20 metros de largura por 6 metros de comprimento. São 13 mil metros quadrados de material, pesando um total de 17 mil quilos.
Para o secretário interino de Estado Extraordinário da Copa (Secopa), Fuad Noman, a instalação da membrana da cobertura representa um marco histórico na reconstrução do estádio.
"Essa colossal estrutura vai proporcionar mais segurança e conforto ao torcedor, que terá um estádio remodelado com vocação para ainda uma grande atração turística", conclui Fuad.