Dados do Ministério da Previdência, divulgados hoje, 24 de setembro, em veículos de comunicação, demonstram que mais de uma morte acidental de trabalhadores da construção civil é registrada por dia em canteiros de obras espalhados pelo Brasil.
Os acidentes recentes chamaram a atenção para o problema. Nos últimos dois meses, dois operários do Rio de Janeiro foram atingidos por vergalhões em obras: Eduardo Leite, de 25 anos, teve o crânio perfurado; em Francisco Barroso, o pedaço de metal atravessou o pescoço – ambos sobreviveram. Em junho, um trabalhador de Brasília morreu ao cair de uma altura de 30 metros na construção do Estádio Nacional.
Em todo o país, 438 trabalhadores da construção civil morreram em acidentes de trabalho em 2010 (dado mais recente disponível). O setor foi o terceiro que mais matou - a indústria de transformação, que perdeu 648 vidas, está em primeiro lugar. Ao todo, foram 2.712 mortes por acidente de trabalho naquele ano, segundo dados da Previdência.
E os números podem ser ainda maiores – o próprio governo os considera subestimados, já que só levam em conta trabalhadores com carteira assinada e deixam os informais de fora. Na construção civil, os informais são cerca de 40% da mão de obra, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
Para Rubens Curado, gestor nacional do programa Trabalho Seguro, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) o país está criando um exército de inválidos, com um custo altíssimo para o Estado e para as famílias dos acidentados.
A situação levou o TST a eleger a construção civil como tema deste ano do programa Trabalho Seguro, que visa aumentar a conscientização de trabalhadores e empresas sobre a necessidade de adotar medidas para evitar os acidentes.
Estudo encomendado pelo Sinait ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA constatou que para a Auditoria-Fiscal do Trabalho conseguir combater efetivamente os acidentes de trabalho que vêm acontecendo pelo país, em todas as áreas, são necessários mais 5.800 Auditores-Fiscais, que somados aos 2.987 em atividade hoje formariam um contingente capaz de atender as 7 milhões de empresas e os 44 milhões de empregados no mercado formal de trabalho. Atualmente a média é de um Auditor-Fiscal para fiscalizar 3 mil empresas.
O gravíssimo quadro de acidentes de trabalho no Brasil é denunciado pelo Sinait todos os dias e este ano é o tema da campanha institucional da entidade. Somente em 2010 foram 701.496 acidentes de trabalho com 2.712 mortes.
Dados
A construção civil é o setor em segundo lugar no ranking geral de acidentes. A cada 100 vítimas, pelo menos seis são pedreiros, serventes e outros trabalhadores de canteiros de obras. Os profissionais que mais se acidentam são os operadores de robôs e condutores de equipamento de cargas, que representam 10% do total.
Os acidentes de trabalho custam ao país cerca de R$ 71 bilhões por ano, de acordo com estudos feitos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. O valor representa cerca de 9% da folha salarial anual dos trabalhadores do setor formal no Brasil, que é de R$ 800 bilhões.
Assessoria de Imprensa do Sinait com informações do G1 e do TST.