Enquanto isso, servidores federais continuam lutando por um reajuste que corrija as perdas salariais dos últimos quatro anos.
Os cargos comissionados de livre nomeação nos diversos ministérios e órgãos do Executivo, incluindo os de Direção e Assessoramento Superior (DAS), vão ter reajuste de até 25%.
Matérias veiculadas na imprensa nesta quinta-feira criticam a iniciativa do governo, que fez questão de não divulgar, mas inseriu na proposta de Orçamento encaminhada há duas semanas ao Congresso Nacional a previsão deste reajuste.
O DAS-6, de maior valor, subirá de R$ 11.179,36 para R$ 12.042,60 a partir de janeiro de 2013. Em janeiro de 2015, será de R$ 13.974,20. Todos os Cargos de Natureza Especial (CNES), que são, em geral, ocupados por secretários dos ministérios, subirão 25%. Os da estrutura da Presidência da República e dos ministérios passarão dos atuais R$ 11.431,88 para R$ 14.289,85 em 2015.
O secretário do Tesouro Nacional, o economista Arno Augustin, que tem um DAS-6 e será beneficiado pelo reajuste, ainda foi contemplado com a participação no Conselho de Administração da Embraer, como representante da União. Recebe em torno de R$ 30 mil por mês para participar de uma reunião mensal. Ele é um dos representantes do governo que foi contrário a um reajuste maior para os servidores.
Nas agências reguladoras e no Banco Central, o governo também concederá reajuste maior para os cargos de livre provimento ocupados por especialistas da iniciativa privada e os apadrinhados. Já os destinados exclusivamente aos servidores das carreiras terão apenas os 5,3% em três anos. Alguns, como o DAS-3 e CA III das agências reguladoras subirão 16%.
Enquanto os apadrinhados do governo são beneficiados, diversas categorias de servidores federais, que não aceitaram os 15,8% oferecidos pelo governo, continuam correndo atrás do prejuízo e lutando por melhores condições de trabalho e um por um reajuste que corrija as perdas salariais dos últimos quatro anos.
Os servidores do Fisco, Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita concluem hoje as ações de mobilização realizadas esta semana e já preparam as próximas atividades. Os dirigentes das entidades que representam esses servidores, como Sinait e Sindifisco Nacional, continuam com o trabalho parlamentar no Congresso Nacional para que o Legislativo intermedie junto ao Executivo a reabertura de negociação com essas carreiras.
O relator do Orçamento Geral da União, senador Romero Jucá (PMDB-RR) destacou que a única forma de conceder reajustes para quem não assinou os acordos com o Ministério do Planejamento é por intermédio do governo. “A lei que concede reajuste salarial é privativa do Executivo. É ele que tem que enviar para o Congresso. Não adianta o Legislativo propor essa lei porque seria inconstitucional, afirmou Jucá”.
Mais servidores na luta - Os Policiais Civis do Distrito Federal completaram ontem 19 dias em greve e fizeram protesto em frente ao Palácio do Buriti e à Câmara Legislativa do DF nesta quarta-feira (12/9). Os grevistas queimaram dois caixões que, segundo eles, representam o descaso do governo. A categoria reivindica aumento do efetivo, reestruturação da carreira e melhoria salarial. Na próxima sexta (14/9), os policiais se reúnem para decidir sobre continuidade da greve.
Assessoria de Imprensa do Sinait com informações do Correio Braziliense.