Ficará para esta quarta-feira, 12, a definição do Conselho Nacional de Trânsito - Contran sobre como se dará a fiscalização do cumprimento da jornada de trabalho dos caminhoneiros. A Lei 12.619/2012, que regula a profissão de motorista, prevê intervalos de meia hora a cada período de quatro horas de rodagem, além de descanso de 11 horas após outras 24 de trabalho.
A sanção da nova lei não foi bem vista por parte dos caminhoneiros que fez paralisações e bloqueou rodovias em julho. Os representantes da categoria alegam que não há locais adequados para descanso dos motoristas ao longo das estradas. Até que uma decisão final seja tomada sobre o tema, o Ministério das Cidades informou que a fiscalização não será "efetiva e rígida".
A fiscalização do cumprimento da lei será realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal – PRF, a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT e outros órgãos.
Redução de acidentes
De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal “Correio Braziliense”, em matéria publicada sobre o tema no dia 15 de julho de 2012, a Lei 12.619/2012 poderá contribuir para redução de acidentes nas estradas envolvendo caminhoneiros, além da possibilidade de diminuir o número de motoristas que transportam cargas informalmente, sem vínculo empregatício.
Segundo a reportagem, os caminhoneiros em atividade no Brasil que estão na informalidade representam 30% da categoria. Porém, são responsáveis pelo escoamento de 60% das cargas em todo o país. Para cumprir os prazos, os motoristas quase sempre não descansam o suficiente e usam de medicamentos obtidos no mercado negro como anfetaminas e até drogas ilícitas como a cocaína para permanecerem acordados durante o trajeto.
Clique aqui para conferir a íntegra da Lei 12.619/2012.
Leia a matéria do Correio Braziliense aqui.
Leia abaixo a matéria do G1.
10/09/2012 – G1
Decisão sobre fiscalização de jornada de caminhoneiros fica para quarta
Punição por intervalos menores que 11 horas seria feita a partir desta terça.Segundo ministério, nova reunião vai definir forma de fiscalizar motoristas.
Do G1, em Brasília
A chamada "fiscalização punitiva" para caminhoneiros que descumprirem novas normas de jornada de trabalho nas estradas, prevista para começar na próxima quarta-feira (12), ainda deverá ser discutida numa reunião do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) marcada para o mesmo dia. Com isso, não deverá ocorrer uma fiscalização "efetiva e rígida" por enquanto, segundo informou nesta segunda a assessoria do Ministério das Cidades.
Em nota divulgada à noite, a pasta informou sobre a reunião, e disse entender que "para que haja fiscalização são necessárias as condições adequadas para o cumprimento da Lei 12.619". Segundo a nova lei, a cada quatro horas, os caminhoneiros serão obrigados a fazer uma pausa de 30 minutos e têm de obedecer a um intervalo de 11 horas entre uma jornada e outra.
Parte da categoria rejeita as mudanças, argumentando que não existem áreas para descanso nas rodovias e que há risco de assalto em caso de paradas nos acostamentos. Desde a semana passada, representantes dos motoristas e governo fazem reuniões para prorrogar a "fiscalização educativa", sem punições.
Os caminhoneiros pretendem discutir melhor aspectos da lei, como ponto de apoio, parada, e principalmente a redução das horas de descanso de 11 para 8 horas. Entre outras, essas questões deverão ser discutidas na reunião de quarta do Contran.
Bloqueios
Caso punições já fossem aplicadas, sindicalistas ameaçaram voltar a paralisar as atividades, a exempo do que ocorreu em julho, quando promoveram bloqueios em algumas das principais rodovias do país.
O governo diz que não tem como reduzir o intervalo mínimo de 11 horas de descanso porque a lei não pode ser alterada pelo Executivo.