As categorias que não aceitaram a proposta do governo continuam mobilizadas e preparam manifestações e operações ao longo desta semana.
O Comando Nacional de Mobilização - CNM do Sinait estará em Brasília nesta quarta e quinta-feira, 12 e 13 de setembro, para avaliar o movimento dos Auditores-Fiscais do Trabalho e traçar as novas estratégias de atuação da Campanha Salarial 2012. A categoria rejeitou os 15,8% de reajuste salarial oferecidos pelo governo, por considerar que a proposta era insatisfatória e engessava as carreiras do fisco pelos próximos três anos.
A partir de hoje, 11, os Auditores-Fiscais do Trabalho promovem ações dirigidas em todos os estados. As ações prosseguem nesta quarta e quinta-feira, 12 e 13 de setembro, e visam intensificar as fiscalizações nas áreas de construção civil, bancos e no recolhimento do FGTS. A categoria luta por melhores condições de trabalho e reajuste salarial, entre outros benefícios.
Pelo menos 12 categorias, incluindo os Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita Federal e policiais federais continuam mobilizadas. Todos promovem manifestações e operações ao longo desta semana para mostrar o descontentamento com o tratamento que vêm recebendo do governo e reforçar que as categorias permanecem unidas na luta por melhores condições de trabalho e reajuste salarial.
Os Auditores da Receita Federal param de trabalhar hoje e amanhã. A categoria não admite abrir mão da reestruturação da carreira. Durante dois dias, os funcionários da zona secundária (que trabalham com arrecadação de impostos) vão cruzar os braços e não comparecerão ao trabalho. A operação não afetará embarques e desembarques de pessoas ou cargas. Essa é a sexta vez que esses servidores param.
Segundo Pedro Delarue, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal - Sindifisco Nacional "Esse será o primeiro passo. Depois, continuamos com a operação-padrão (fiscalização minuciosa em portos, aeroportos e aduanas) e crédito zero (não registro de cobrança de tributos). O objetivo não é fazer queda de braço ou mostrar quem é mais forte. Queremos negociar de igual para igual", ressaltou.
Os agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal também fazem protesto hoje à tarde no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília/DF. Eles vão panfletar e colocar faixas no local.
De acordo com o presidente do sindicato da PF em Brasília, Jonas Leal, o ato é para mostrar ao governo que a categoria está unida. "Querem nos vencer pelo cansaço e passar a ideia de que o movimento vai enfraquecer. O efeito foi inverso. Muitos colegas que não pararam ou que retornaram ao trabalho, quando viram a agressividade do ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo), aderiram à greve", contou.
Pagamento dos dias parados - O governo vai depositar, nesta quarta-feira 12, na conta de 8.932 servidores do Executivo que fizeram greve, 50% do salário descontado pelos dias parados entre 15 de julho e 15 de agosto. Os outros 50% serão creditado na conta dos servidores tão logo as entidades sindicais apresentem o cronograma de reposição.
No total, 11.595 servidores tiveram o ponto cortado. Os 2.563 que não serão ressarcidos são os que ainda não encerraram a greve. A devolução dos dias parados faz parte dos acordos assinados entre o Ministério do Planejamento e os trabalhadores na última semana de agosto.
Os servidores do Executivo iniciaram em 18 de junho a maior greve geral do funcionalismo público dos últimos 10 anos. Segundo estimativas do Planejamento, ao menos 80 mil trabalhadores pararam.
Greve nos Correios - A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) deve iniciar ainda hoje uma greve da categoria em 13 Estados e três regiões de São Paulo. A direção dos Correios ofereceu um reajuste salarial de 5,2% para seus empregados.
Assessoria de Imprensa do Sinait com informações do Correio Braziliense.