Auditores-Fiscais do Trabalho e da Receita, Defensores Públicos, Advogados da União, Servidores do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e das Agências Reguladoras, além do Judiciário e agentes da Polícia Federal, disseram “não” à proposta do governo e mantêm a mobilização. São carreiras estratégicas que atuam em setores cruciais para o governo e para a população. A mobilização dos últimos meses demonstrou como o país pode realmente parar caso uma greve generalizada seja deflagrada.
Apesar de parcela significativa do funcionalismo ter rejeitado o índice proposto pelo governo, de 15,8% em três anos, a imprensa e o Executivo destacam nesta quarta-feira, 29 de agosto, os acordos celebrados com outras categorias, jogando holofotes sobre o que interessa ao Planalto.
Para o Sinait, até sexta-feira, 31, quando a Lei Orçamentária deverá ser entregue ao Congresso Nacional, é tempo de tentar uma mudança na proposta do governo que, quando quer, negocia. Rosângela Rassy, presidente do Sindicato, observa que houve propostas diferenciadas dos 15,8% para algumas carreiras e que, isso sim, foi uma negociação. Para as carreiras de Estado, entretanto, houve a imposição de um índice e o governo ficou inflexível à contraproposta apresentada pelas entidades.
Por isso, a orientação para os Auditores-Fiscais do Trabalho no país é manter a mobilização. Nestas terça e quarta-feiras aconteceram várias manifestações nos Estados, em conjunto com outras carreiras e categorias, reafirmando a luta pela valorização dos servidores e do serviço público, que carece de melhores condições, estrutura, pessoal e também reajuste salarial para repor as perdas causadas pela inflação.
Veja algumas notícias veiculadas hoje:
29-8-2012 – Correio Braziliense
PF recusa reajuste de 15,8%
ANA CAROLINA DINARDO
Em mais um dia de protestos em Brasília, agentes cobram do Palácio do Planalto um plano de reestruturação ampla da carreira
Policiais federais decidiram manter a greve após rejeitarem durante, assembleia realizada ontem, a proposta do Palácio do Planalto de reajuste salarial de 15,8% em três anos. De acordo com a Federação Nacional dos Policias Federais (FenaPef), a oferta do governo não recompõe as perdas inflacionárias dos seis últimos anos, que atingem 30%, nem atende as reivindicações da carreira. Os sindicatos regionais vão se reunir hoje para definir quais serão os rumos do movimento, que teve adesão de agentes, escrivães e papiloscopistas de todo o país.
Insatisfeitos por não terem suas reivindicações atendidas, sobretudo no que se refere à reestruturação das carreiras, os policiais saíram às ruas em Brasília e em Belo Horizonte para protestar. Na capital do país, fizeram uma passeata do Setor Policial Sul ao Ministério da Justiça, onde acamparam e, depois de horas de espera, foram recebidos pelo ministro José Eduardo Cardozo. No encontro, os representantes sindicais enfatizaram seus pleitos e pediram apoio. O ministro sugeriu, porém, que os 15,8% de aumento fossem aceitos. Mas os grevistas disseram que só aprovarão o reajuste se houver a reestruturação da carreira, que, segundo eles, está defasada há sete anos.
"Podemos até ficar sem reajuste salarial no ano que vem se o governo assumir o compromisso de reestruturação da carreira urgentemente", ressaltou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF), Jones Leal. Segundo ele, o objetivo maior de cada manifestação é conscientizar a sociedade de que a categoria não exige uma proposta diferenciada. "Não queremos ser melhores que os demais servidores, que também aderiram à greve. Mas esperamos que o governo nos trate com respeito e que valorize o nosso trabalho", disse.
Transtornos
O sindicalista admitiu que os policiais federais podem ser uma das poucas carreiras a não fecharem acordo com o governo. "Portanto, a greve continua", enfatizou Leal. O movimento grevista da PF já causou muitos transtornos à população, irritando o Palácio do Planalto. Assessores da presidente Dilma Rousseff dizem que é grande o estranhamento em relação ao comportamento de servidores que sempre serviram de exemplo para todo o funcionalismo público.
Em vários dias, os policiais federais provocaram caos nos principais aeroportos do país por meio de operações-padrão, conferindo bagagem por bagagem dos passageiros. Também suspenderam a emissão de passaportes e tumultuaram portos e postos de fronteiras do país. Esses problemas só diminuíram depois que o governo recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e conseguiu uma liminar proibindo o movimento e impondo multa diária de R$ 200 mil se os transtornos continuassem.
29-8-2012 – Correio Braziliense
Agências mantêm cobranças
Os servidores das agências reguladoras estão indignados com o governo e prometem manter a paralisação. O Comando Nacional de Greves afirmou que as tabelas com os reajustes salariais enviadas pela Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento não equivalem aos termos da negociação ocorrida no último sábado. Elas não preveem aumento médio de 15,8% em três anos, como teria prometido o governo para todas as categorias do Executivo — o reajuste está em torno de 9,6%. Além da reposição da inflação de 15,8%, eles têm outras reivindicações, como a paridade com outras carreiras típicas de Estado, que estão com salários mais altos, como analistas do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
29-8-2012 – Correio Braziliense
Judiciário pode ficar de fora
VERA BATISTA
O governo está convencido de que o Poder Judiciário criará dificuldades para aprovar a proposta de reajuste de 15,8% dividido entre 2013 e 2015, já ratificada pelo Legislativo e por 90% do funcionalismo do Executivo. Segundo técnicos do Ministério do Planejamento, apesar de uma ampla rodada de negociação, os representantes dos trabalhadores se mostraram relutantes e insistiram em aumento de até 56%, que custaria, se aprovado, quase R$ 8 bilhões por ano aos cofres públicos. "Não há a menor possibilidade de atendermos a esse pleito", disse um dos envolvidos nas conversas. "O Judiciário está completamente fora da realidade. Não se trata de ser duro. Estamos em um momento de crise, em que todos têm de dar a sua cota de sacrifício", acrescentou.
Em conversas com a presidente Dilma Rousseff, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, têm expressado o seu descontentamento com as dificuldades criadas pelo Judiciário, que está em greve, prejudicando muitos serviços à população. "O governo abriu as portas do Planejamento, atendeu ao pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, para que houvesse uma negociação, mas tem imperado o radicalismo por parte dos sindicalistas", acrescentou um integrante da equipe econômica. "Sinceramente, o prazo que demos para eles se esgotou. Daqui por diante, seremos nós a criar dificuldades", assinalou.
Ontem, os servidores do Judiciário voltaram a fazer tumulto na Praça dos Três Poderes. Em frente ao Supremo, cerca de 500 manifestantes, segundo as contas da Polícia Militar, cobraram uma ação mais firme de Ayres Britto em favor da categoria. "O governo está nos oferecendo o mesmo que para outras categorias que estão menos tempo sem reajuste. Não temos aumento desde 2006", reclamou Jailton Assis, coordenador de Administração e Finanças do Sindicato dos Servidores do Judiciário no Distrito Federal (Sindjus-DF).
Adesão maior
O movimento grevista do Judiciário, ao contrário do que aconteceu com os servidores do Executivo, tomou força e teve adesões. Pela primeira vez , em 11 anos, os trabalhadores da Justiça Federal de Sergipe entraram em greve. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Judiciário (Sindjuf-SE), José Pacheco, 60% dos 800 servidores estão de braços cruzados. Além da autonomia orçamentária, os grevistas querem aumento superior a 33% nos salários.