Campanha Salarial: Panorama das paralisações de servidores públicos


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
24/08/2012



Planejamento pretende encerrar todas as reuniões de negociações para 2012 no máximo até quarta-feira (29) 


Os servidores do Judiciário e do Ministério Público da União - MPU recusaram a proposta do governo de reajuste de 15,8%. Eles estão em greve há quase um mês no Distrito Federal e em vários Estados e querem 56% de ganho, pois desde 2006 não têm reajuste salarial.

 

Inconformados com a decisão do governo de não lhes conceder aumento eles fizeram manifestações em frente ao Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 23 de agosto.

 

O coordenador-geral do Sindjus/DF, Jailton Assis, disse que os servidores estão unidos e vão continuar cobrando o governo, já que os salários da categoria estão até 80% defasados em relação a outras carreiras.

"Chegamos a um ponto em que o Judiciário inteiro tem que se unir. A gente acredita que só a greve resolve", emendou Altair Carneiro, técnico do STF.

 

Polícia Federal - Na reta final das negociações entre o governo e os servidores públicos civis do Executivo, os policiais federais cercaram ontem o Ministério do Planejamento. Eles voltaram a cobrar a reestruturação das carreiras, que resultaria em aumentos salariais de até 71%, mas ouviram um novo “não” do secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, encarregado pelo Executivo de apresentar a oferta de reajuste de 15,8% entre 2013 e 2015.

 

Primeiros a ser recebidos por Mendonça, representantes dos agentes da PF recusaram a proposta do governo e saíram pela porta dos fundos. No fim da tarde, depois de longa videoconferência com as bases, os sindicalistas aprovaram a continuação do movimento grevista. Com isso, todos os serviços da Polícia Federal continuam paralisados, como a emissão de passaportes e os registros de porte de armas, além das operações em portos, aeroportos e postos de fronteira.

 

Os policiais rodoviários também encerraram o dia de negociações ontem sem avanços. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Pedro Cavalcanti, chegou a afirmar que o governo tinha feito uma proposta diferenciada para a categoria. A assessoria do Ministério do Planejamento negou, esclarecendo que a oferta foi a mesma dada às demais categorias: 5% de reajuste salarial por ano entre 2013 e 2015.

 

A imprensa tem noticiado que o  Ministério do Planejamento pretende encerrar todas as reuniões de negociações para 2012 no máximo até quarta-feira da próxima semana, 29 de agosto.

 

IBGE – A greve parcial dos funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) impediu a divulgação da taxa média de desemprego de julho nesta quinta-feira, 23. Em junho, também houve atraso. A divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre está programada para o dia 31 deste mês.

 

Mais informações sobre a onda de greves e paralisações no serviço público federal nas matérias abaixo.

 

24-8-2012 – Correio Braziliense

SERVIDOR DO JUDICIÁRIO SÓ ACEITA GANHO DE 56%

 

JORGE FREITAS » JULIANA BRAGA

 

Os grevistas do Judiciário e do MPU se opõem à proposta do presidente do Supremo de pedir 15,8% de reajuste ao governo. Os 56% que eles reivindicam custariam quase R$ 8 bilhões aos cofres públicos. Conselheiro do Planalto alerta Dilma para o risco de o Brasil virar uma Grécia, uma falida república de funcionários públicos

Funcionários da Justiça recusam a proposta do presidente do Supremo Tribunal Federal de pedir 15,8% de reajuste a Dilma Rousseff

 

Por um reajuste de salário de até 56%, que custaria quase R$ 8 bilhões aos cofres públicos, os servidores do Judiciário e do Ministério Público da União (MPU) ocuparam ontem a Praça dos Três Poderes e tentaram invadir o Palácio do Planalto, num confronto aberto contra o governo. Inconformados com a decisão da presidente Dilma Rousseff, de não lhes conceder aumento, os manifestantes derrubaram as grades que protegem o Planalto e partiram para o confronto com a polícia, cena que se tornou rotina nos últimos dias. Uma pessoa foi presa, mas liberada depois de muita negociação entre a Polícia Militar e sindicalistas.

 

Os servidores do Judiciário e do MPU estão em greve há quase um mês no Distrito Federal e em vários estados, e não aceitam o fato de o governo ter oferecido correção salarial apenas para os funcionários civis do Executivo. Na última terça-feira, os grevistas pressionaram o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, a pedir a Dilma que preveja aumento à categoria na proposta de Orçamento de 2013 que será encaminhada ao Congresso até 31 de agosto. Mas Britto se comprometeu apenas a pedir que a presidente estenda a proposta de reajustes de 15,8%, em três anos, a todo o funcionalismo. Os sindicalistas taxaram essa oferta como "uma esmola".

 

Pelos cálculos do Sindicato dos Servidores do Judiciário no Distrito Federal (Sindjus/DF), 4 mil pessoas participaram dos protestos, mas a Polícia Militar calculou somente 500 manifestantes. Durante o tumulto, o analista judiciário Advilson Fernando, 30 anos, foi preso porque derrubou parte das grades que separam a Praça dos Três Poderes do Planalto. A manifestação começou a se aproximar do Palácio por volta das 17h. No confronto, servidores jogaram cartazes, bandeiras e até pedras na direção de cerca de 200 policiais, que responderam com spray de pimenta. O empurra-empurra durou cerca de 20 minutos.

 

O confronto foi acompanhado pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que estava na sala do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, no quarto andar da sede do Executivo. Enquanto os manifestantes bradavam palavras de ordem contra o governo, ele gesticulava como se estivesse com um cassetete nas mãos. Um dos presentes na sala de Carvalho disse ao Correio que, no momento do tumulto, Adams estava relatando a primeira vez que viu uma reintegração de posse no Rio Grande do Sul.

 

Trânsito parado

Para evitar acidentes, o trânsito foi interrompido na altura da Rua das Bandeiras, em frente ao Congresso Nacional, e só foi liberado depois das 18h. O coordenador-geral do Sindjus/DF, Jailton Assis, lamentou o confronto dos grevistas com a polícia. Segundo ele, a atitude dos PMs foi adequada ao longo da marcha, que partiu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o clima esquentou na Praça dos Três Poderes, entre o STF e o Planalto. "Houve posturas equivocadas dos dois lados", admitiu. Ele ressaltou, porém, que os servidores estão unidos e vão continuar cobrando o governo, já que os salários da categoria estão até 80% defasados em relação a outras carreiras. "Chegamos a um ponto em que o Judiciário inteiro tem que se unir. A gente acredita que só a greve resolve", emendou Altair Carneiro, técnico do STF.

 

A presidente Dilma Rousseff, no entanto, está convencida de que os servidores do Judiciário não estão entre as prioridades por reajustes, "porque seus funcionários já ganham demais". Essa mesma avaliação já foi feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Vamos insistir. O Poder Judiciário não pode ser submisso nem ao Executivo nem ao Legislativo. A força dos servidores em greve há um mês fez o governo passar de uma oferta de 0% para um aumento de 15,8%. Se pressionarmos mais, chegaremos aos 56%", frisou Jailton Assis.

 

 

24-8-2012 – Correio Braziliense

Planejamento diz não e PF mantém greve

 

VERA BATISTA

 

 Na reta final das negociações entre o governo e os servidores públicos civis do Executivo, os policiais federais cercaram ontem o Ministério do Planejamento para reforçar o clima de beligerância entre a categoria e a presidente Dilma Rousseff. Eles voltaram a cobrar a reestruturação das carreiras, que resultaria em aumentos salariais de até 71%, mas ouviram um novo não do secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, encarregado pelo Palácio do Planalto de apresentar a oferta de reajuste de 15,8% entre 2013 e 2015.

 

Primeiros a ser recebidos por Mendonça, representantes dos agentes da PF recusaram a proposta do governo e saíram pela porta dos fundos. No fim da tarde, depois de longa videoconferência com as bases, os sindicalistas aprovaram a continuação do movimento grevista. Com isso, todos os serviços da Polícia Federal continuam paralisados, como a emissão de passaportes e os registro de porte de armas, além das operações em portos, aeroportos e postos de fronteira.

 

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, disse que os servidores não fecharam acordo porque não querem esperar mais três anos para discutir o principal assunto da pauta de reivindicações. "Pretendemos a inserção em uma tabela de nível superior. Entendoo as restrições orçamentárias do governo, mas o próprio Sérgio Mendonça disse que o impacto financeiro do reconhecimento de nossas atribuições é baixíssimo", disse, sem precisar o valor.

 

Técnicos do Planejamento garantiram, porém, "que os pleitos da PF, se atendidos, acarretariam aumento significativo nos gastos públicos". Argumentaram que a única saída para eles seria iniciar uma rodada de discussão sobre as carreiras com o Ministério da Justiça. Por isso, Marcelo Veiga, assessor especial do gabinete do ministro José Eduardo Cardozo, esteve presente à reunião.

 

Os trabalhadores da área administrativa da PF mantiveram o bom humor. Caminharam até a sede do Planejamento fantasiados de sangues azuis, numa referência à forma como a presidente Dilma chama a elite do funcionalismo, com rendimentos de mais de R$ 10 mil. Eles exibiam os contracheques e carregavam balões de gás. A presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (SinpecPF), Leilane Oliveira, disse que, há sete anos na corporação, tem salário bruto de R$ 3.196,56 e líquido, de R$ 2.725,46. Eles se encontram à noite com Sérgio Mendonça e também recusaram a oferta de reajuste de 15,8%. Por enquanto, manterão os braços cruzados.

 

 

24-8-2012 – Correio Braziliense

Rodoviários sem acordo

 

PRISCILLA OLIVEIRA

 

Governo e policiais rodoviários encerraram o dia de negociações ontem sem avanços. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Pedro Cavalcanti, chegou a afirmar que o governo tinha feito uma proposta diferenciada para a categoria. A assessoria do Ministério do Planejamento negou, esclarecendo que a oferta foi a mesma dada às demais categorias: 5% de reajuste salarial por ano entre 2013 e 2015.

 

Como a proposta em mãos, o presidente da Fenaprf afirmou que os servidores irão se reunir hoje para formular uma contraproposta que será apresentada ao secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, em uma nova reunião na segunda-feira.

"Como não houve acordo, nosso calendário continua. Até sábado, os servidores da categoria em quase todo o Brasil entrarão em greve", afirmou Cavalcanti.Os policiais rodoviários federais, parados desde segunda-feira, pedem equiparação com os agentes da Polícia Federal. Se isso ocorrer, o salário inicial passará de R$ 5,8 mil para R$ 7,5 mil.

 

O movimento afeta, além do Distrito Federal, os seguintes estados: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Rio Grande do Sul. Apenas no Tocantins a categoria ainda não fez assembleia.

 

Segundo o Ministério do Planejamento, todas as reuniões que se referem às negociações para 2012 devem ser encerradas no máximo até quarta-feira da próxima semana.

 


23-8-2012 – O Estado de São Paulo

Receita, PF e PRF rejeitam oferta e mantêm greve

 

Em nota, categoria informa que sindicatos aprovaram paralisação por tempo indeterminado

 

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

 

O ultimato da presidente Dilma Rousseff, que mandou cortar o ponto e até demitir os grevistas que cometerem excessos, produziu efeito contrário entre os servidores da Receita, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal (PF), chamados de "sangue azul" por receberem os salários mais altos. As três categorias recusaram a proposta de 15,8% de reajuste, a mesma feita pelo Ministério do Planejamento ao conjunto dos servidores e decidiram ampliar o movimento em todo o País. A previsão é de mais caos nos próximos dias nos setores de importação e exportação, nas estradas federais, postos de fronteira e aeroportos.

 

No caso da PRF, a greve que começou no dia 11 e já atingiu 12 Estados, se estenderá a 23 das 24 unidades regionais do órgão no País, segundo previu o inspetor Pedro Cavalcante, presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF). Ele estimou que 70% da categoria cruzará os braços, mantendo o efetivo mínimo de 30% previsto em lei nos postos de fiscalização. As ações se limitarão aos casos de urgência. As operações de rotina, como fiscalização de rodovias, combate ao contrabando de mercadorias e de tráfico de drogas e armas, ficarão prejudicados.

 

Em nota divulgada na noite desta quinta-feira, 23, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) informou que uma videoconferência realizada com seus 27 sindicatos filiados aprovou a continuidade do movimento por tempo indeterminado. Os agentes e peritos estão parados e apenas delegados e escrivães continuam trabalhando, mas em estado de greve. A Fenapef informou que dispensa o porcentual oferecido, mas não abre mão da reestruturação da carreira, pela qual luta há 900 dias. O movimento afeta a emissão de passaportes, registro de armas, diligências e investigações, inclusive operações de combate ao crime organizado.



As duas categorias que integram a Receita Federal - auditores e analistas - também recusaram a proposta governamental, em consulta às bases e aprovaram a volta à greve. No caso dos auditores, que fizeram dois dias de greve, 99% dos 2,5 mil consultados aprovaram mais dois dias de paralisação - terça e quarta da próxima semana. Os analistas, que cruzaram novamente os braços nesta quinta, estavam em negociação com o Ministério do Planejamento até o início da noite, mas sem perspectiva de acordo.

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