Insatisfação dos servidores federais com o governo aumenta onda de protestos e de greves


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
21/08/2012



21-8-2012 - Sinait




A insatisfação dos servidores federais com o governo continua, pois até agora não foi apresentada nenhuma proposta condizente com os interesses das categorias que há mais de dois anos estão em campanha salarial. Ao saber que tiveram os dias parados descontados, em uma demonstração de força, os policiais federais voltaram a fazer manifestação pelo País.

 

A operação padrão da categoria nos portos, aeroportos e rodovias, proibida pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, foi substituída, nesta segunda-feira, 20 de agosto, ironicamente, pela “Operação Sem Padrão” na Ponte da Amizade, que une Foz do Iguaçu (PR) a Ciudad del Este, no Paraguai. Eles deixaram de fiscalizar os veículos que vinham do país vizinho.

 

A categoria também fez manifestações em vários aeroportos. Em Brasília os policiais federais tomaram a via que dá acesso ao Aeroporto JK, por volta das 17 horas, em uma caminhada carregando faixas até o terminal de embarque. Hoje, planejam acender uma fogueira gigante em frente ao Palácio do Planalto. A cena dos policiais de mãos atadas se repetiu em diversos Estados. No aeroporto de Salvador, carregaram faixas mostrando o resultado da operação-padrão realizada na última quinta-feira.

 

Os policiais rodoviários federais também iniciaram, nesta terça-feira 21, greve nacional por pagamento de adicional noturno e reajuste salarial. É a primeira vez que isso ocorre.

 

Com os professores a situação não é diferente. Na Universidade de Brasília eles prometem voltar à greve encerrada na sexta-feira passada, caso o governo não sinalize com uma nova proposta.

 

Em um balanço geral sobre o resultado das reuniões com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, o secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal - Condsef, Josemilton Costa, disse que nenhuma categoria aceitou a proposta porque o aumento de 15,8%, dividido em três anos, só permite o retorno das discussões em 2016. Segundo ele, nenhuma categoria quer isso, porque com esta manobra o governo quer evitar greves durante as eleições de 2014 e a Copa do Mundo.

 

Todas as categorias continuam insatisfeitas e remarcaram novas reuniões com o secretário Sérgio Mendonça.

 

Corte de ponto

O corte de ponto é contestado pelos policiais e pelas outras categorias em greve. A Condsef entrará hoje na Justiça com uma ação preventiva contra o desconto aos grevistas. Argumentam que há funcionários que não têm como se alimentar ou pagar as contas.

 

O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, admitiu que o desconto dos dias parados pode ser negociado posteriormente, como já ocorreu diversas vezes em movimentos grevistas anteriores. Ele lembrou o caso da longa paralisação nos Correios em 2011, em que parte do tempo parado foi descontada. A outra foi compensada pelos funcionários com trabalho extra. Uma das duas coisas, porém, tem de ocorrer.

 

Mais detalhes sobre estes assuntos nas matérias abaixo.

 

21-8-2012 – Correio Braziliense

DA GREVE À GUERRA

 

Proibidos de fazer operação-padrão, policiais federais fecham acesso ao terminal de embarque do aeroporto de Brasília. Na UnB, professores inconformados com o fim da paralisação querem voltar a cruzar os braços

 

Em mais um dia de queda de braço, o governo divulgou os primeiros contracheques com corte de ponto, e grevistas deram novas demonstrações de força. Principalmente, os policiais federais. Eles voltaram a complicar a vida de passageiros em aeroportos país afora, ao bloquear momentaneamente o acesso a terminais de embarque. Hoje, planejam acender uma fogueira gigante em frente ao Palácio do Planalto. Na Universidade de Brasília, a paralisação encerrada na semana passada pode ser retomada na sexta-feira. É de guerra o clima entre professores. E, no meio dessa confusão toda, há ainda uma eleição para reitor da UnB, amanhã e quinta-feira, que alunos em greve tentam adiar. Por causa do impasse, a definição do calendário letivo foi suspensa.

 

Sem fiscalização nas fronteiras, ministro determina que policiais sejam punidos. Contracheque com desconto dos dias parados já está na internet

 

No dia em que os servidores públicos em greve tiveram acesso a seus contracheques de agosto com registro prévio do desconto dos dias parados, policiais federais intensificaram os protestos em aeroportos e fronteiras, causandos transtornos à população.

 

Na Ponte da Amizade, que une Foz do Iguaçu (PR) a Ciudad del Este, no Paraguai, os policiais federais promoveram a "Operação Sem Padrão", deixando de fiscalizar os veículos que vinham do país vizinho. O nome da operação, irônico, foi uma resposta à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de proibir em portos, aeroportos e rodovias a chamada "Operação-Padrão", em que os agentes públicos apertam a fiscalização para provocar fila e congestionamento.

 

A tréplica do governo veio na forma de um memorando enviado ontem pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello. Ele determina que os policiais que não trabalharam na fronteira entre o Brasil e o Paraguai ontem tenham o dia descontado e, mais importante, que os órgãos corregedores da PF apurem se houve atos ilícitos no protesto pela "ausência deliberada a prestação de atividades funcionais nos padrões de normalidade exigidas".

 

Cardozo mandou essa ordem ser reproduzida a todas as chefias da PF no país, para que a mesma punição seja aplicada em casos semelhantes. Exigiu também ser informado por meio de "relatório detalhado" sobre a apuração do que houve na Ponte da Amizade e das penalidades.

 

Em São Paulo, o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República José Lopez Feijóo, ex-vice presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirmou que o foco da presidente Dilma Rousseff "é fazer a economia andar para que aqueles que não têm estabilidade não percam seu emprego em função da crise". Ele reforçou a posição anunciada pela presidente há 10 dias em visita a Minas Gerais. E avisou: "A presidente Dilma não é refém de nenhum sindicato". Ressalvou que faz parte da democracia que as organizações sindicais "lutem pelo que achem que é correto".

 

Mãos atadas

Em Brasília, policiais federais planejam para hoje uma fogueira na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto. Ontem, cerca de 400 deles tomaram a via que dá acesso ao Aeroporto JK por volta das 17h em uma caminhada carregando faixas até o terminal de embarque. Impediram, com isso, o acesso dos motoristas que pretendiam deixar passageiros. Após cantarem o hino da polícia, os grevistas ocuparam todo o saguão do aeroporto com as mãos atadas por fitas pretas e ficaram em silêncio. Alguns líderes dos grevistas chegaram a cogitar a volta da Operação-Padrão, mesmo sob pena de uma multa diária de R$ 200 mil. Mas voltaram atrás. A cena dos policiais de mãos atadas se repetiu em diversos estados. No aeroporto de Salvador, carregaram faixas mostrando o resultado da operação-padrão realizada na última quinta-feira.

 

Está marcada para hoje à noite uma nova reunião com o secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. Os policiais afirmam, entretanto, que não têm esperanças de que as negociações deem resultado, já que, segundo a Fenapef, "os policiais federais negociam com o governo há mais de dois anos e aguardavam o desfecho dessas negociações na semana passada, o que não ocorreu". Com isso, os sindicatos estaduais prometem manter as manifestações nos estados nesta terça-feira.

 

Os policiais estão em greve desde 7 de agosto. A categoria, composta por agentes, escrivães e papiloscopistas, pede que os salários sejam equiparados com os de servidores de outras carreiras de Estado, como os fiscais da Receita Federal.

 

O corte de ponto é contestado pelos policiais e pelas outras categorias em greve. A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) entrará hoje na Justiça com uma ação preventiva contra o desconto aos grevistas. Argumentam que há funcionários que não têm como se alimentar ou pagar as contas.

 

"Vamos impedir a ilegalidade do corte integral dos dias parados. O governo quebrou as regras. No passado, o desconto era de sete dias. O trabalhador tinha um paliativo de 23 dias para viver. A presidente Dilma, se quiser, pode reverter a medida até o dia 25 ou no mínimo manter os sete dias", explicou Josemilton Costa, secretário-geral da Condsef. Ao fazer um balanço geral sobre o resultado das reuniões com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, Costa disse que nenhuma categoria aceitou a proposta. O aumento de 15,8%, dividido em três anos, foi rejeitado e a greve vai continuar.

 

Os líderes dos grevistas rejeitam um compromisso que só permita o retorno das discussões em 2016. "Querem evitar greves durante eleições e a Copa do Mundo. Na verdade, o governo está nos fazendo uma ameaça. Privatiza estradas e ferrovias e finge não entender que o trabalhador bem remunerado é mais eficiente", assinalou Reginaldo Aguiar, diretor nacional da Confederação Nacional dos Servidores do Incra/MDA. Todas as categorias continuam insatisfeitas e remarcaram reuniões com o secretário Sérgio Mendonça.

 

 

Polícia Rodoviária Federal entra em greve

 

Segundo a categoria, nove Estados já pararam; expectativa é que movimento atinja todo o país até quinta-feira

 

DE BRASÍLIA - DE SÃO PAULO

 

A Polícia Rodoviária Federal deu início ontem a uma greve nacional para pressionar o governo a atender as demandas da categoria -entre elas reajuste salarial e pagamento de adicional noturno.

 

De acordo com a FenaPRF (Federação Nacional da Polícia Rodoviária Federal), essa é a primeira paralisação unificada da categoria.

 

Segundo a entidade, ao menos nove unidades da federação já participam da greve. São elas: Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Sul.

 

A expectativa é de que todos os Estados sejam afetados até quinta-feira, quando a categoria se reúne com o Ministério do Planejamento.

 

A orientação é para que os policiais atendam somente chamados urgentes: acidentes com vítimas, desobstrução de vias e crimes em flagrante.

 

Neste mês, a categoria trabalhou em operação padrão, mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu proibir o procedimento.

 

As reivindicações da categoria são: reajuste salarial, reconhecimento do nível superior para o cargo de PRF, pagamento de adicional noturno e insalubridade e reestruturação da carreira.

 

"Estamos com uma falta de estrutura total, e a carreira não está ficando atrativa", critica o presidente da federação, Pedro Cavalcanti, para quem a greve é resultado da "falta de capacidade" do governo em negociar.

 

O governo federal já informou que os aumentos aos grevistas serão limitados a 15,8% em três anos.

A greve da PRF se soma a outros órgãos do funcionalismo que já estão em greve, como a Polícia Federal, a Receita Federal, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e os professores e técnicos-administrativos das universidades federais.

 

O movimento grevista dos servidores públicos afeta, em potencial, mais de 60% do quadro de trabalhadores do Poder Executivo federal.

 

UNB

 

Ontem, no retorno às aulas na Universidade de Brasília (UnB), um grupo de docentes pediu nova assembleia para decidir se voltam às aulas.

 

Eles alegam que o fim da greve foi confirmado em assembleia da associação dos docentes -na última sexta-feira-, cuja pauta não previa a discussão do tema.

 

Estudantes da universidade, também em greve, se dividiram diante da divergência: parte concorda em retomar o calendário acadêmico e parte prefere manter a paralisação.

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