Auditores-Fiscais resgatam cinco trabalhadores em Nova Bandeirantes no Mato Grosso


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
17/08/2012



Auditores-Fiscais do Trabalho do Grupo Especial de Fiscalização Móvel da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso – SRTE/MT resgataram cinco trabalhadores em situação análoga à de escravos em fazenda no município de Nova Bandeirantes – mais de 1.000 km de distância da capital Cuiabá –, no  Mato Grosso. 


Os cinco trabalhadores estavam vivendo em condições subumanas, alojados em barracões de lona no meio do mato, próximos às áreas de manejo de madeira em que trabalhavam. Segundo relatos colhidos pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, eles entravam quilômetros de mata virgem para marcar árvores para o manejo.

 

Alojamentos subumanos

Os Auditores-Fiscais encontraram os trabalhadores acampados em barracões de lona no meio do mato. Os armários para colocar os equipamentos como os facões, as roupas e os sapatos foram feitos de galhos cortados da mata.

 

Não havia água potável ou tratada, eles recolhiam água de um córrego próximo do acampamento para beber e fazer higiene pessoal. Como não havia banheiro, eles faziam as necessidades fisiológicas no mato.

 

Os Auditores-Fiscais constataram também que a alimentação no local era precária, pois parte da comida encontrada durante a operação estava apodrecida. Os trabalhadores salgavam as carnes e penduravam num varal e guardavam em sacos para proteger dos bichos. Segundo os trabalhadores, como não havia refrigeração ou outra forma de preservar os alimentos, eles estragavam rapidamente.

 

Fiscalização

Para a equipe de Auditores-Fiscais os trabalhadores estavam em condições subumanas e o ambiente sujo e insalubre é uma afronta à Constituição Brasileira, que no artigo 7º, garante direitos mínimos aos trabalhadores nas áreas urbana e rural.

 

Durante a ação fiscal os trabalhadores informaram também que não recebiam salários há vários meses, o que os obrigava a permanecer no local, com a esperança de receber o pagamento. No entanto, de 30 em 30 dias eles saíam para visitar os familiares assumindo as próprias despesas e depois retornavam para o meio do mato e continuavam a trabalhar.

 

De acordo com os Auditores-Fiscais a área é inóspita, de difícil acesso, sem transporte público próximo, deixando os trabalhadores isolados geograficamente.

 

Irregularidades

De acordo com o coordenador da operação, o Auditor-Fiscal Rafael Augusto Vido, a ação ainda está em andamento e as verbas rescisórias somam mais de R$ 100.000,00. “Os trabalhadores resgatados foram alojados na própria fazenda em alojamentos adequados e inspecionados pela fiscalização”.

 

Segundo Rafael Vido, “após o final da ação fiscal, os trabalhadores serão encaminhados para as suas cidades de origem no Mato Grosso”.

 

Operação

A ação fiscal foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel da SRTE/MT e pelo Grupo de Operações Especial da Polícia Civil de Mato Grosso.

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