Entendimento é que as categorias devem partir para greve
Dirigentes do Sindifisco Nacional, da ADPF, Unafe e Unacon Sindical, fizeram uma análise da campanha salarial e informaram sobre a atuação de suas categorias para os próximos dias, durante reunião da Diretoria e do Conselho de Delegados Sindicais do Sinait, na qual participaram como convidados, nesta quarta-feira, 8 de agosto, em Brasília. Esses sindicatos, assim como o Sinait, integram a União das Entidades das Carreiras Típicas de Estado que participam da campanha salarial conjunta. O entendimento dos dirigentes é que a greve será inevitável, caso o governo não mude de postura com os servidores.
De acordo com o presidente do Sindifisco Nacional, Pedro Delarue, as informações são de que o Ministério do Planejamento trabalha com perspectiva de reajuste zero para as carreiras típicas de Estado e que os Auditores da Receita não vão se surpreender com a negativa do governo na próxima reunião com o Planejamento. A fala deve ser de que a crise econômica não permite mudanças na política salarial para aumentos/rejustes, disse Delarue..
Diante deste quadro presumível, a categoria prepara indicativos de paralisações pontuais durante o mês de agosto e possivelmente setembro, dependendo da resposta do governo. “Não temos recuo, o governo não está dando a porta de saída, só nos resta avançar no movimento e não bater as metas”, informou Pedro Delarue.
O presidente do Sindifisco Nacional falou que os Auditores-Fiscais da Receita não vão aceitar pacificamente qualquer tipo de “intervenção em suas atribuições”, fazendo referência ao Decreto 7777/12 que permite a substituição de grevistas por servidores de estados e municípios.
ADPF - “Todas as carreiras da Polícia Federal estão com suas atividades suspensas esta semana, fato inédito na história da categoria”, declarou o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal - ADPF, Marcos Leôncio.
Em sua avaliação da campanha salarial, ele também entende que o Planejamento só vai postergar o problema nas reuniões previstas para a próxima semana, de 13 a 17 de agosto. “Depois disso vamos fazer uma assembleia com indicativo de paralisação por tempo indeterminado, mas a sensação que temos é que a presidente Dilma Roussef já bateu o martelo para não haver reajuste ainda este ano”, informou Leôncio.
Unafe – Os servidores da Advocacia Geral da União já estão com operação padrão em 30 unidades espalhadas em vários estados e no Distrito Federal. Segundo o presidente da União dos Advogados Públicos Federais do Brasil - Unafe, Luís Carlos Palacios, a previsão é que a categoria entre em greve a partir do dia 30 de agosto.
“Acreditamos que só com o enfrentamento poderemos reverter este quadro de ausência política do governo para conceder o reajuste aos servidores”, afirmou Luís Carlos.
Ele também criticou o Decreto 7.777/2012, que prejudica não só os servidores como os interesses públicos. “O decreto é abusivo e uma afronta à democracia e determina a substituição de servidores grevistas por servidores de outras esferas de poder e até mesmo permite a contratação de terceirizados para assumir cargos ocupados por servidores de carreira”, destacou Palacios.
Unacon Sindical - “Não podemos temer o conflito. O momento atual é difícil, mas necessário para nos prepararmos para o enfrentamento”, entende o presidente do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle – Unacon Sindical, Rudinei Marques.
“O governo tem uma meta de superávit de 3%, que não abre mão. Mas como a arrecadação vem caindo, em decorrência da mobilização dos Auditores-Fiscais da Receita, ele também está com um problema”, destaca Rudinei Marques.
Na segunda e terça-feira, passada, os servidores do Tesouro e da CGU fizeram paralisação de 48h. A categoria segue com indicativos de novas paralisações ou operação padrão nos próximos dias.
Rudinei Marques informou que em Brasília e nos estados, servidores da CGU repetiram o sucesso das mobilizações anteriores e atenderam à recomendação do Unacon Sindical de não enviar servidores para realizar as atividades da 36ª edição do Programa de Fiscalização por Sorteios. Com isso, mais de 75% dos 60 municípios sorteados não foram auditados nos dias 6 e 7. O trabalho seria feito entre 6 e 10 de agosto, acerca de dois meses das eleições.
Ao final da participação dos representantes dessas categorias, Diretores e Delegados Sindicais do Sinait reforçaram o entendimento e posicionamento de que também os Auditores-Fiscais do Trabalho estão dispostos a continuar na campanha salarial de forma mais contundente, por meio de operação padrão e paralisações pontuais.
Também ficou acertado que as datas de operação padrão e mobilizações serão realizadas em conjunto com essas categorias.
Veja em outra matéria informações sobre a reunião de Diretoria e Delegados Sindicais do Sinait.