A ONG Repórter Brasil publicou uma série de reportagens sobre o trabalho análogo à escravidão na Argentina, especialmente no setor têxtil. Semelhante ao Brasil, grande parte dos trabalhadores explorados é de bolivianos. Entre as empresas flagradas, grifes caras e famosas no país. De acordo com a Fundação Alameda, nos últimos anos, mais de cem marcas foram denunciadas.
A forma como o trabalho escravo é incluído na cadeia produtiva também é similar ao Brasil. As vítimas são encontradas em oficinas sem condições de segurança, de alojamento para as famílias, de alimentação e higiene. Em 2006, seis trabalhadores morreram durante um incêndio em uma oficina de costura com instalações elétricas precárias.
Na Argentina, não há um órgão que centraliza o combate ao trabalho escravo. Vários atores do Poder Público participam das ações. A prática é tipificada como crime no Código Penal do país. Também são consideradas leis sobre trabalho domiciliar e exploração de estrangeiros na punição dos envolvidos.
Segundo a reportagem, por conta da desvalorização do Peso (a moeda argentina) e dos problemas econômicos, muitos bolivianos migram para o Brasil e acabam sendo escravizados em oficinas de costura em São Paulo.
Exemplo
Porém, apesar dos indicadores de exploração do trabalho análogo à escravidão, projetos realizados na Argentina devolvem a dignidade aos trabalhadores do setor têxtil. O Instituto Nacional de Tecnologia ajudou a construir o Centro Demonstrativo de Indumentária, que reúne oito cooperativas de costureiros egressos do trabalho escravo, e produz em larga escala.
Todas as decisões da cooperativa são tomadas em assembleias. As oficinas são um exemplo de como o setor têxtil pode oferecer condições de trabalho adequadas sem jornadas excessivas e salários baixos.
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