Auditores-Fiscais do Trabalho atenderam trabalhadores na porta da SRTE/MG e receberam o apoio de sindicalistas de várias categorias que demonstraram conhecer as dificuldades enfrentadas pela categoria
Auditores-Fiscais do Trabalho realizaram na manhã desta quarta-feira, 1º de agosto, mais um PLANTÃO FISCAL NA RUA, atendendo trabalhadores na porta da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/MG. Para atrair a atenção do público foi colocada uma faixa e uma caixa de som, além de um carrinho com pipoca e algodão doce.
A categoria recebeu o apoio de dezenas de sindicalistas que atenderam ao chamado para a manifestação e agitaram bandeiras de suas entidades. Compareceram sindicalistas de várias regiões do Estado e de diversas categorias, como metalúrgicos, professores, refrataristas, comerciários, operários da construção civil, trabalhadores em frigoríficos e em empresas mineradoras, entre outras. Também compareceram representantes das Centrais Sindicais Conlutas, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros – CTB, Central Única dos Trabalhadores - CUT e Nova Central Sindical dos Trabalhadores – NCST.
Os sindicalistas manifestaram apoio às reivindicações de melhores condições de trabalho e reajuste salarial, afirmando que conhecem bem as dificuldades enfrentadas pelos Auditores-Fiscais do Trabalho. Muitos descreveram situações em que foram testemunhas da falta de condições dos colegas para atender às demandas em todo o Estado. Eles também denunciaram que o sucateamento do Ministério do Trabalho e Emprego é um desrespeito não só aos servidores como a toda a classe trabalhadora no Brasil e que é preciso tomar atitudes concretas para mudar essa situação, sob pena de se agravar o cenário de acidentes de trabalho e precarização dos empregos. Os trabalhadores reconheceram a importância da presença dos Auditores-Fiscais do Trabalho na prevenção de acidentes, especialmente na construção civil, setor em que aconteceram 28 mortes somente este ano em Minas.
José Augusto de Paula Freitas, Delegado Sindical em Minas Gerais, e Marcos Botelho, ambos diretores do Sinait, agradeceram a participação das entidades sindicais e pontuaram vários problemas que atingem a categoria em Minas Gerais e no Brasil, como o pequeno contingente de Auditores-Fiscais do Trabalho – apenas 228 em atividades externas em todo o Estado e menos de três mil no país – e as condições precárias do prédio que abriga a SRTE/MG hoje, com banheiros em péssimo estado e falta de conforto para o atendimento ao público, com falta de bebedouros, mobiliário antigo e insuficiente, infiltrações, elevadores precários, entre outras mazelas. Segundo o Auditor-Fiscal do Trabalho Onilton Barbosa, se o Corpo de Bombeiros fizesse uma vistoria no prédio, ele seria interditado.
Os Auditores-Fiscais do Trabalho, em esquema de revezamento, atenderam dezenas de trabalhadores durante toda a manhã, prestando informações e orientações trabalhistas, e também falando dos motivos da mobilização. Eles vestiram a camiseta da Campanha Institucional do Sinait que denuncia o altíssimo número de acidentes de trabalho no Brasil, em contraste com o pequeno número de Auditores-Fiscais do Trabalho.
Depois do PLANTÃO FISCAL NA RUA, os Auditores-Fiscais se reuniram na sala do plantão, na SRTE/MG. Eles decidiram continuar a realizar o atendimento na porta da Superintendência na próxima quarta-feira, 8 de agosto, Dia Nacional de Protesto. Eles também querem intensificar a divulgação do movimento junto às entidades sindicais e imprensa em geral.
Apesar da divulgação feita junto aos veículos de comunicação de Minas Gerais, somente a imprensa sindical cobriu a mobilização no centro de Belo Horizonte.
Leia a matéria da CUT/MG:
1º-8-2012 – CUT/MG
Auditores fiscais protestam com plantão fiscal na porta da SRTE/MG
Categoria paralisa atividades na Superintendência e atende a população na rua
Auditores fiscais atendem à população de Belo Horizonte durante o plantão fiscal em frente à SRTE/MG
Os auditores fiscais do trabalho protestaram na manhã desta quarta-feira (1º) contra o descaso do governo federal com o Ministério do Trabalho. Pela segunda vez, eles realizaram um plantão fiscal e atenderam à população na calçada em frente à Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE/MG), no Centro de Belo Horizonte. A categoria, que recebeu o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de vários sindicatos, vem paralisando as atividades semanalmente, às terças e quartas-feiras, para forçar o governo a negociar reivindicações como realização de concurso público, melhores condições de trabalho, valorização do serviço público e recomposição salarial. Durante a manifestação, houve distribuição de pipoca e algodão doce.
De acordo com Marcos Roberto Botelho, diretor do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), a situação da categoria no Brasil e, principalmente em Minas Gerais, é insustentável. “Somos apenas 55 auditores fiscais em Belo Horizonte, 228 em Minas e menos de 3 mil em todo o país. Não temos condições de atender às solicitações de fiscalização num universo de mais de 70 milhões de vínculos empregatícios. E ainda acontecem cerca de 700 mil acidentes do trabalho no Brasil. Além disso, estamos há quatro anos sem reposição salarial. Vamos atender as pessoas na porta da Superintendência para denunciar as nossas precárias condições de trabalho”, afirmou o dirigente sindical. A pipoca e o algodão doce, segundo Botelho, serviram apenas para atrair e mobilizar população para o plantão fiscal.
Botelho revelou que a campanha unificada envolve oito categorias das carreiras típicas do Estado: auditores fiscais do trabalho, servidores do Banco Central, do Itamaraty, delegados da Polícia Federal, Advocacia Geral da União, peritos criminais, Receita Federal e controladores da união. “Cada uma faz manifestações específicas por semana. Articulamos um fórum para negociação conjunta e, se houver uma greve geral, todas as categorias vão parar.”
Para o ex-presidente da CUT/MG João Paulo Pires de Vasconcelos, que representou a CUT Regional Vale do Aço, o governo federal trata o Ministério do Trabalho com descaso há muitos anos. “Há mais de dez anos que pedidos ao presidente da República a realização de concurso público. O número de fiscais deveria ser dez vezes maior para dar conta da demanda. Isso não é descaso, é conivência com o sucateamento do ministério, com o crescente desrespeito aos direitos dos trabalhadores, com os acidentes do trabalho. Apesar de todas as dificuldades, os auditores fiscais do trabalho prestam um grande serviço aos trabalhadores. Por isso, estamos aqui para prestar solidariedade. Vocês podem contar sempre com o nosso apoio.”
“O governo federal precisa investir nesta categoria que é muito importante para a classe trabalhadora, corrigir os salários, que não são reajustados há quatro anos, dar a ela condições de trabalho decentes. O movimento dos auditores fiscais do trabalho é legítimo e conta com o nosso apoio”, disse Haroldo Antunes, presidente do Sindicato dos Refrataristas de Minas Gerais, filiado à CUT.