Campanha Salarial – Categorias mobilizadas pelo país


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
27/07/2012



Nesta quarta-feira, dia 26 de julho, os servidores públicos federais se reuniram em vários Estados para protestar contra a falta de diálogo do governo federal com as carreiras  de Estado, que até o momento não receberam nenhuma contraproposta sobre as reivindicações apresentadas. 


O Sinait participou do Ato Público, em Brasília, em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e aproveita para divulgar reportagens publicadas em veículos locais e nacionais sobre os protestos realizados pelo funcionalismo público.

 

A visibilidade da mobilização dos servidores faz parte das estratégias das categorias para chamar a atenção do governo federal e da sociedade para esclarecer os motivos das paralisações pelo país.

 

Para continuar na luta, o Sinait convoca os Auditores-Fiscais do Trabalho a se manterem firmes em seus Estados nas atividades promovidas às terças e quartas-feiras durante o “estado de mobilização”, que começou no dia 18 de junho e continuará até a categoria ter alguma resposta do governo federal sobre o pleito reivindicado.

 

Leia as matérias sobre as mobilizações dos servidores públicos.

 

27-7-2012 – Correio Braziliense

Fiscais em protesto

 

Os funcionários das carreiras típicas de Estado também protestaram ontem contra o balde de água fria despejado pela Presidência na última quarta-feira, quando foi publicado o Decreto nº 7.777, elaborado pela Advocacia-Geral da União (CGU), determinando que trabalhadores temporários e servidores estaduais e municipais substituam fiscais de diversos órgãos em greve. Os sindicatos buscam agora estabelecer acordos com as associações regionais da categoria para que a proposta do governo seja rejeitada.

 

Durante a manifestação, que reuniu cerca de 250 servidores em frente ao Ministério do Planejamento, o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindfisco), Pedro Delarue, disse que uma tentativa de parceria já está sendo feita com as lideranças amazonenses. “Nós vamos trabalhar para firmar um compromisso por escrito em todos os estados. No Amazonas, uma das unidades federativas mais afetadas pela paralisação, isso já está sendo conversado”, afirma. O Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Sinafresp) divulgou nota em que repudia o decreto do governo e se recusa a substituir os colegas federais.

 

Participaram da mobilização na Esplanada trabalhadores de Política Federal, Banco Central, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e ministérios do Planejamento e do Comércio Exterior, além de auditores fiscais do trabalho e especialistas em infraestrutura. A coordenação nacional do movimento grevista pretende fazer novo protesto em 8 de agosto, em frente ao Palácio do Planalto.

 

Ponto Polêmico

Outro debate que tem esquentado a greve dos servidores públicos federais é a suspensão, via Justiça, da determinação do Executivo de cortar o ponto de quem estiver de braços cruzados. O governo, por sinal, já recorreu contra a liminar por meio da Advocacia-Geral da União (AGU). “Vamos derrubar essa liminar”, avisou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ao ser questionada pelo Correio durante a apresentação, ontem, do quarto balanço do segundo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

Ela lembrou que, desde o início do ano, o Poder Público vem comunicando aos representantes dos sindicatos que não teria condições de conceder reajustes salariais este ano. Miriam destacou que os grevistas terão de arcar com a responsabilidade do movimento, que já afeta a prestação de serviço em vários setores. “Greve é direito dos trabalhadores, desde que assumam as consequências desse ato”, avisou, em tom enfático. “A AGU (Advocacia-Geral da União) trabalhará (para derrubar a liminar). Parece despropositado alguém fazer greve e ganhar por isso”, avisou.

 

 

27-7-2012 – Valor Econômico

Decreto de Dilma acirra movimento

 

Por Daniela Martins e Lucas Marchesini | De Brasília

 

O impasse entre governo federal e os servidores em greve continuou ontem, sem novas rodadas de negociação, mas com acirramento nos dois lados. Representantes de servidores públicos compararam as medidas adotadas pelo governo Dilma Rousseff contra as paralisações à ditadura militar e orientaram as entidades a entrar na Justiça contra o decreto presidencial que permitiu a contratação de terceiros ou a parceria com governos regionais para a execução de tarefas do setor público federal. Por outro lado, o Ministério da Saúde já regulamentou o decreto federal e a Advocacia-Geral da União (AGU) avisou que vai recorrer da decisão que proibiu o corte do ponto dos servidores.

 

Em manifestação em frente ao Ministério do Planejamento, ontem, 26 associações de funcionários públicos criticaram o Decreto nº 7.777, que permite a substituição dos funcionários parados por servidores das mesmas carreiras em Estados e municípios. "Podemos comparar o que o governo do PT faz hoje com o que a ditadura militar fez com o AI-5", disse o presidente da Associação Nacional dos Servidores de Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor), Eduardo Rodrigues, em referência à medida mais dura do regime dos generais (1964-1985).

 

"O Decreto 7.777 quer solapar o direito de greve. Como é que um governo que se diz democrático baixa decreto pra substituir trabalhadores em greve?", indagou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco), Pedro Delarue. Outros representantes dos funcionários públicos afirmaram que a medida publicada ontem pelo Executivo é um sinal de "desespero" diante da paralisação de 35 órgãos públicos em 26 Estados e no Distrito Federal.

 

Na manifestação, que reuniu cerca de 700 pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar, os grevistas também reclamaram da falta de diálogo com o governo federal.

 

O Ministério da Saúde foi o primeiro a utilizar o decreto. A Portaria nº 1.612, assinada pelo ministro Alexandre Padilha, autorizou a troca de funcionários nas agências nacionais de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de Saúde Suplementar (ANS), nas fundações Nacional de Saúde (Funasa) e Oswaldo Cruz (Fiocruz), nos hospitais Nossa Senhora da Conceição, Fêmina e Cristo Redentor, além da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). No momento, apenas a ANS e a Anvisa contam com servidores parados em seus quadros.

 

O governo estima que 35% dos funcionários lotados em portos e aeroportos tenham aderido ao movimento grevista, além de 25% dos servidores lotados na sede da Anvisa, em Brasília. Por isso, a Anvisa já estaria buscando parcerias nos Estados e municípios mais atingidos pela greve para substituir servidores federais em greve por funcionários locais, segundo informou ontem a assessoria do Ministério da Saúde.

 

O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF) ainda não decidiu qual mecanismo jurídico será utilizado para questionar o decreto. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade à qual o Sindsep é filiada, também atacou o decreto. Em nota, a CUT disse que "repudia veementemente a publicação" da presidente Dilma Rousseff. A central sindical afirma que "a substituição de servidores com atribuições diferenciadas entre os entes federados é inaceitável e pode implicar em inúmeros - e graves - prejuízos para a sociedade".

 

Durante balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou que a AGU, "com certeza", vai recorrer da decisão judicial que suspendeu o corte de ponto de servidores federais do Distrito Federal em greve. "A AGU trabalhará por que nos parece despropositado alguém fazer greve e ganhar por isso", disse.

 

 

27-7-2012 – Jornal de Brasília

Coluna Ponto do Servidor - BELCHIOR: “CONTAS ESTÃO SENDO REFEITAS”

 

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, garantiu que o cronograma de negociação da greve dos servidores tem sido cumprido pelo governo. De acordo com ela, os sindicatos que representam a categoria foram informados, desde o início do ano, que as propostas só seriam apresentadas no final de julho e início de agosto. “Acreditamos que a greve é direito dos trabalhadores, desde que eles assumam todas as consequências desse ato. Está havendo o corte de ponto, porque se uma pessoa falta ao trabalho tem o dia descontado. Não é nenhuma punição excepcional. Mas as negociações seguem abertas”, disse a ministra. A greve tem adesão de mais de 350 mil servidores federais em todo o país. Belchior admitiu que a intenção do governo mudou ao longo do ano porque, a partir de maio e início de junho, “o cenário econômico ficou mais sombrio”, fazendo com que as contas fossem refeitas.

 

ACORDO PRÓXIMO COM PROFESSORES

A ministra disse que, no caso dos professores universitários e dos institutos técnicos, o governo acredita ser possível fazer um acordo, ainda que um dos sindicatos da categoria tenha rejeitado a proposta do governo apresentada, de reajustes que variam de 25% a 40%. Ela lembrou que um dos sindicatos da categoria concordou com a proposta, que ainda será levada às assembleias. Para as demais categorias, a ministra disse que o governo está “estudando as contas do Orçamento [da União] para poder apresentar às categorias; se poderemos atender e o que poderemos atender”. Ontem mais de 50 categorias de servidores das carreiras de Estado realizaram protesto na Esplanada dos Ministérios pelo reajuste salarial e melhorias no serviço público.

 

GOVERNO VAI RECORRER À JUSTIÇA

Miriam Belchior indicou ainda que o governo vai recorrer de decisão da Justiça que determinou a suspensão do corte de ponto de servidores públicos do sistema federal em greve. Segundo ela, assim como foi derrubada a liminar que impedia a divulgação dos salários dos servidores, o governo colocará a Advocacia-Geral da União para reverter a decisão. No dia 6 de julho, o governo autorizou o corte do ponto dos servidores federais em greve. Quarta-feira, a Justiça determinou a suspensão do corte. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, defendeu que o corte de ponto é "obrigatório" e será adotado pelo governo. O ministro deixou em aberto a possibilidade de negociação para abono das faltas depois que a greve seja suspensa.

 

PROTESTO DE ANALISTAS

Durante o anúncio do balanço do PAC 2, ontem, servidores da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (ANEinfra) distribuíam um comunicado ameaçando cruzar os braços. Segundo o presidente da ANEinfra, Guilherme Floriani, até o dia 31 a categoria aposta no diálogo. “Nós queremos o reenquadramento da carreira de analista de infraestrutura no ciclo de gestão, com elevação do patamar remuneratório, o que dá um pouco mais de 30%”, disse. Ele também informou que um analista do governo em infraestrutura ganha, em início da carreira, cerca de R$ 8,8 mil, sendo a metade gratificação.

 

 

27-7-2012 – O Globo

Greve impede anúncio do desemprego

 

Greve até no desemprego. Paralisação no IBGE impede divulgação da taxa de desocupação pela 1 vez em 20 anos

 

Débora Diniz, Geralda Doca

 

Pela primeira vez em 20 anos, a média nacional da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) deixou de ser divulgada pelo IBGE. Marcado para ontem, o anúncio da pesquisa foi comprometido pela greve dos funcionários do órgão, que não transmitiram os dados coletados no Rio de Janeiro para a análise. Com isso, apenas o resultado das outras cinco regiões metropolitanas que compõem o índice - Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre - foram divulgados.

 

A paralisação começou em 18 de junho e, segundo o sindicato da categoria, tem a adesão de 60% dos funcionários. No Rio, o movimento atingiu em cheio a elaboração da PME, porque a maior parte do quadro de funcionários é de efetivos, que aderiram à greve e não transmitiram os dados da região para tabulação e análise. Nas demais regiões, o trabalho foi garantido por servidores temporários.

 

- Os dados estão preservados e serão consolidados assim que a paralisação for encerrada. Não haverá comprometimento da série histórica - garantiu o diretor excecutivo do IBGE, Nuno Bittencourt, presidente interino do órgão.

 

Os funcionários do IBGE reivindicam 22% de reajuste salarial e a realização de concurso público para recompor o quadro funcional, hoje formado por 6,6 mil concursados e 4,1 mil funcionários temporários. A única vez em que os dados da PME deixaram de ser divulgados foi em 1992, quando a categoria parou por mais de 60 dias. Como não havia quantidade suficiente de temporários para garantir o trabalho, naquela ocasião os dados sequer foram coletados na maior parte das regiões, interrompendo a série histórica.

 

- O trabalho vem sendo feito de forma precária e, evidentemente, isso vai começar a gerar problemas na qualidade da informação ao longo do tempo. Por isso, exigimos a realização do concurso - criticou Suzana Drumond, diretora do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE.

 

Os dados divulgados ontem mostram um quadro de estabilidade do índice de desemprego em quatro das cinco regiões em que o levantamento foi concluído. Na comparação com maio, a taxa de desocupação caiu apenas em Belo Horizonte, chegando a 4,5% em junho ante 5,1% no mês anterior. Frente a junho de 2011, houve queda de 2,3 pontos percentuais na taxa de desocupação em Salvador, e estabilidade nas demais regiões.

 

Com base nos resultados apresentados ontem e nas principais variáveis (emprego, desemprego e população economicamente ativa) do Rio de Janeiro, a consultoria Tendências estimou em 5,8% a taxa de desocupação nacional para o mês de junho, resultado que confirma o cenário de estabilidade. O índice é igual ao divulgado em maio pelo IBGE e 0,4 ponto percentual abaixo do registrado em junho do ano passado.

 

- O resultado é compatível com o cenário fraco de atividade. O nível de emprego continua crescendo, mas há desaceleração. O fator positivo é que a taxa de desemprego segue em um patamar baixo - ressaltou Rafael Bacciotti, analista da Tendências.

 

Governo suspende negociações

O cenário de greves que impediu o anúncio do IBGE continua em todo o país. O governo federal suspendeu as negociações com os sindicatos dos funcionários públicos até o fim de agosto, data final para o envio da proposta orçamentária de 2013 ao Congresso.

 

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, disse ontem que já conhece as pautas de reivindicação da categoria e somente voltará a se reunir com os dirigentes sindicais quando ficarem prontas as estimativas de receitas e despesas para o próximo ano. A expectativa inicial era fechar um acordo ainda neste mês:

 

- Estamos informando o adiamento às entidades. O prazo fatal será o dia 31 de agosto - disse.

 

Ele admitiu que, com isso, a greve dos funcionários públicos, que completou ontem 38 dias, pode se estender. Segundo estimativas da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público (Condsef) e do sindicato da categoria no Distrito Federal (Sindsep), cerca de 350 mil servidores cruzaram os braços, incluindo os professores de universidades, parados há mais tempo. Funcionam parcialmente 15 órgãos públicos, incluindo autarquias, ministérios e as dez agências reguladoras.

 

A lentidão na máquina pública atinge desde o atendimento nos hospitais do Sistema Único de Saúde até o comércio exterior. Os números da balança comercial da terceira semana de julho mostram que houve queda de 10,5% nas exportações médias diárias do mês ante todo o mês de julho de 2011. Com relação a junho, os embarques médios diários caíram 2%. Nessa mesma comparação, as importações estão 6,5% abaixo da média de julho de 2011.

 

A onda de greve no setor público, que ganhou recentemente adeptos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), poderá também atingir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os 728 analistas de infraestrutura ameaçam engrossar o movimento. Para o secretário do PAC, Maurício Muniz, a situação é preocupante e pode alterar cronogramas:

 

- Estamos em um momento em que, para o país, é importante realizar investimentos. Qualquer interferência no ritmo de execução das obras preocupa, mas o governo tem a mesa de negociações aberta aos servidores.

 

Ao divulgar o balanço do PAC, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que o governo vai recorrer de decisão da 17ª Vara da Justiça Federal, que determinou a suspensão do corte de ponto dos grevistas.

 

- A greve é um direito dos trabalhadores, desde que assumam as consequências desse ato.

O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências de Regulação, João Maria Medeiros, disse que as greves mostram que falta habilidade ao governo para negociar.

 

 

27-7-2012 – Valor Econômico

GOVERNO SÓ CONCORDA COM AUMENTO LINEAR A SERVIDOR

 

GOVERNO PODE DAR REAJUSTE LINEAR EM 2013

 

Por Ribamar Oliveira, Daniela Martins, Lucas Marchesini e Caio Junqueira | De Brasília

 

O governo só aceita discutir com os representantes dos servidores em greve mecanismos que preservem o poder de compra dos salários, segundo fontes da área econômica. Um cenário discutido é a concessão de reajuste linear para todo o funcionalismo, possibilidade já prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O Palácio do Planalto não concorda com a reabertura de negociações sobre ajustes de planos de cargos e salários, pois considera que isso já foi amplamente feito nos últimos anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A exceção a essa regra seria para professores universitários e militares, que teriam reajustes diferenciados.

 

Esse cenário é apenas "hipótese de trabalho", já que a presidente Dilma Rousseff ainda não definiu a questão. A política salarial para o funcionalismo em 2013 será delineada em agosto, antes do envio da proposta orçamentária ao Congresso.

 

O governo aceita discutir com os representantes dos servidores em greve apenas mecanismos que preservem o poder de compra dos salários, de acordo com fontes da área econômica. O Palácio do Planalto não concorda com a reabertura de negociações sobre recomposições salariais ou ajustes de planos de cargos e salários, pois entende que isso já foi feito nos últimos anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

A exceção a essa regra seria o caso dos professores universitários e dos militares, que teriam reajustes diferenciados. Para manter o poder de compra, uma alternativa em discussão é a concessão de um reajuste linear de salário a todos os servidores em janeiro de 2013 - possibilidade prevista na própria Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada recentemente pelo Congresso, mas ainda não sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

 

A presidente não bateu o martelo nem mesmo na proposta de reajuste linear, que provavelmente não atenderia às reivindicações dos grevistas. A política salarial para o funcionalismo em 2013 será definida no próximo mês, antes do envio da proposta orçamentária ao Congresso, o que deve acontecer no dia 31 de agosto.

 

O governo terá que explicitar, no anexo V da proposta orçamentária, o custo de um eventual reajuste salarial no âmbito do Executivo e dos demais Poderes. Na segunda-feira passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, esteve com a presidente Dilma para apresentar uma proposta de reajuste salarial para os juízes e os demais servidores do Judiciário.

 

Nas negociações, a área econômica tenta "abaixar a conta" o máximo possível, pois teme que o impacto do aumento das despesas com o pagamento dos salários do funcionalismo reduza o espaço fiscal para os investimentos, que são a prioridade da presidente Dilma no próximo ano. Por isso, uma proposta em discussão é escalonar os reajustes em vários anos, como foi feito pelo ex-presidente Lula. Essa sistemática poderia ser adotada para os servidores do Judiciário.

 

O governo entende que o ex-presidente Lula realizou, nos últimos anos de seu segundo mandato, os ajustes em quase todos os planos de carreiras dos funcionários públicos do Executivo e fez as recomposições salariais que eram necessárias. Por isso, os salários dos servidores do Executivo estariam "razoavelmente alinhados", segundo esses informantes. As exceções serão analisadas em separado, mas o governo não aceita reabrir as negociações que foram concluídas por Lula.

 

Os números que o governo dispõe, e que já foram apresentados aos representantes dos servidores em greve, mostram que os reajustes concedidos aos funcionários públicos federais desde 2003 superam em muito a inflação do período. Ou seja, nenhum servidor teria perdido renda nos últimos dez anos.

 

Ao contrário, teria ocorrido uma significativa melhoria salarial, de acordo com as mesmas fontes. "Esse fato dá um certo conforto aos ministros que estão envolvidos nas discussões com os servidores", afirmou um funcionário do governo.

 

 

26-7-2012 – Agência Brasil

Miriam Belchior diz que cronograma de negociação da greve será seguido pelo governo

 

Por Daniel Lima

 

Brasília – A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse hoje (26) na divulgação do quarto balanço do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), que o cronograma de negociação da greve dos servidores tem sido cumprido pelo governo. Ela destacou que os sindicatos que representam a categoria foram informados desde o início do ano que as propostas só seriam apresentadas no final de julho e início de agosto. A greve tem adesão de mais de 350 mil servidores federais em todo o país, de acordo com os sindicatos.

 

“A gente tem trabalhado com esse cronograma. Acreditamos que a greve é direito dos trabalhadores, desde que eles assumam todas as consequências desse ato. Está havendo o corte de ponto, porque se uma pessoa falta ao trabalho tem o dia descontado. Não é nenhuma punição excepcional. Mas as negociações seguem abertas”, disse a ministra.

 

Para Miriam Belchior, “não é normal parar de trabalhar e ganhar por isso”. Ela admitiu que a intenção do governo mudou ao longo do ano porque, a partir de maio e início de junho, “o cenário econômico ficou mais sombrio”, fazendo com que as contas fossem refeitas e, assim, analisar qual proposta seria possível fazer “de forma responsável” aos servidores.

 

A ministra disse que, no caso dos professores universitários e dos institutos técnicos, o governo acredita ser possível fazer um acordo, ainda que um dos sindicatos da categoria tenha rejeitado a proposta do governo apresentada ontem (25), de reajustes que variam de 25% a 40%. Ela lembrou que um dos sindicatos da categoria concordou com a proposta, que ainda será levada às assembleias.

 

“Para as demais categorias, estamos ultimando nossas contas do Orçamento [da União] para poder apresentar às categorias; se poderemos atender e o que poderemos atender”, disse Miriam Belchior, durante o quarto balanço do PAC 2 .

 

Durante a divulgação dos números, servidores da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (ANEinfra) distribuíam um comunicado ameaçando cruzar os braços caso o governo não atenda às reivindicações da categoria. Segundo o presidente da ANEinfra, Guilherme dos Santos Floriani, até o dia 31 de julho, a categoria aposta no diálogo com o governo.

 

“Nós queremos o reenquadramento da carreira de analista de infraestrutura no ciclo de gestão, com elevação do patamar remuneratório, o que dá um pouco mais de 30%”, disse. Ele também informou que um analista do governo em infraestrutura ganha, em início da carreira, cerca de R$ 8,8 mil, sendo a metade gratificação.

 

O representante dos analistas em infraestrutura informou também que o reenquadramento com outras categorias daria autonomia técnica aos servidores para desempenhar as funções na melhoria da tomada de decisão. “Também seria compatível com o valor do mercado de trabalho fora do setor público. Perdeu a atratividade. No último concurso, não teve analistas aprovados em número suficiente para preencher as vagas abertas”, informou.

 

 

26-7-2012 - Portal JH

Estudantes participam de protesto com os servidores

 

Em greve há mais de um mês, os docentes e servidores técnico-administrativos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) ganharam o apoio dos estudantes para chamar a atenção da sociedade e tentar exigir uma proposta do Governo Federal. Nesta manhã, cerca de 40 estudantes realizaram um protesto no semáforo do cruzamento das avenidas Bernardo Vieira com a Salgado Filho e aumentaram a força do movimento.

 

A atividade foi iniciativa de próprios estudantes que perceberam a necessidade de união com as categorias em greve. “Nós queremos o fim da greve e sabemos que ela só terá fim se nós nos unirmos aos professores e servidores. De nada vale os professores lutarem sozinhos ou nós estudantes lutarmos sozinhos. Então, estamos unidos para tentar chamar a atenção do Governo para negociar com a categoria e acabar com a greve”, explica o estudante de manutenção e suporte de informática do IFRN/Zona Norte, Hugo Chacon.

 

Sobre a receptividade da população diante do protesto, o estudante acredita que o objetivo do movimento foi alcançado, já que a sociedade pareceu entender a causa exposta pelos estudantes. “Infelizmente nós estamos sem aula e não temos o que fazer. Então, decidimos vir à rua para tentar mostrar a população o motivo da greve causada pela intransigência do Governo. Este movimento começou no IFRN Zona Norte, confeccionamos as faixas e cartazes e viemos protestar. Precisamos do apoio da população e eles estão sendo bem receptivos”, completa Hugo Chacon.

 

Também em greve, a assistente social do IFRN, Danilma de Medeiros, garante que a união com os estudantes tende a dar força ao movimento grevista. “A greve e o apoio dos estudantes têm o mesmo objetivo que é a melhoria da qualidade da educação. E como o movimento estudantil sempre teve muita força ao longo da história do País, a aceitação popular é maior. Quando o movimento é apenas de grevistas, a população vê como vagabundos que não querem trabalhar. Quando os estudantes se unem ao movimento, a força aumenta e é também um aprendizado grande para eles. É bonito de se ver esta união”, ressalta Danilma de Medeiros.

 

A assistente social lembra que o educador tem o papel de despertar a consciência crítica e política do estudante e a preocupação deles em levantar a mesma bandeira que os servidores é uma prova de que este objetivo está sendo alcançado. “Não foram os grevistas que procuraram os alunos. O movimento foi organizado por eles por conta própria. O aluno tem a consciência de que isto é preciso para forçar a melhoria da educação e tê-los do nosso lado é muito importante”, reforça Danilma de Medeiros.

 

O professor de inglês do IFRN Zona Norte, Bruno Lima, lembra que o objetivo de chamar atenção da população foi alcançado. “Os motoristas e populares que nós conseguimos abordar foram respeitosos e, com isso, a causa foi atingida. Tudo que nós conseguirmos será em prol da melhoria da educação para os estudantes e para os profissionais”, diz o professor.

 

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