“Profissão Repórter” acompanha ação de combate ao trabalho infantil


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
13/07/2012



Equipe do programa acompanhou fiscalização no Rio Grande do Norte em que a Auditora-Fiscal do Trabalho Marinalva Dantas encontrou crianças em feiras livres 


O programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, apresentou no dia 10 de julho matéria sobre o Trabalho Infantil nas cidades de Santa Cruz e João Câmara (RN), em Maceió (AL), e em Fernandópolis, no interior de São Paulo.

 

O programa mostrou a pesca e a limpeza do sururu – que é um marisco – feita por crianças e adolescentes numa lagoa de Maceió, que acontece apenas à noite, em total escuridão. Registrou os pequenos trabalhadores carregando peso nas feiras em Santa Cruz e a quebra da castanha em João Câmara, municípios do Rio Grande do Norte, e a autorização judicial para adolescentes trabalharem na cidade de Fernandópolis (SP).

 

A Auditora-Fiscal do Trabalho Marinalva Dantas, apresentou ao Brasil a rotina de combate à exploração do trabalho infantil em algumas localidades do país e o que os Auditores-Fiscais fazem para inibir a prática. No caso da cidade de Santa Cruz, onde foram encontrados meninos carregando peso nas feiras, a Auditoria-Fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE responsabilizou a prefeitura da cidade com a cobrança de R$ 500,00 por cada criança encontrada.

 

De acordo com a reportagem, o lugar onde mais trabalham crianças e adolescentes no Rio Grande do Norte são as feiras livres. São mais de 30 mil, entre 5 e 14 anos. A equipe do jornalista Caco Barcelos também constatou que muitas das crianças que trabalham já recebem benefícios do governo federal, como o Bolsa Família. Manter as crianças na escola e longe do trabalho é um compromisso assumido pelas famílias que recebem o benefício.

 

A linha da matéria não foi apenas de denúncia: houve a preocupação em apresentar outras questões como a tradição cultural e a ideia que as famílias têm sobre o trabalho infantil.

 

A reportagem informou sobre aspectos legais, como o fato de que adolescentes entre 14 e 16 anos só podem trabalhar se continuarem a frequentar a escola e exercendo atividade de formação técnica, como aprendizes. A despeito disso, entre 2005 e 2010 a Justiça autorizou cerca de 33 mil adolescentes brasileiros a trabalharem, muitos menores de 14 anos. O Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho – MPT são contrários às autorizações judiciais para os menores.

 

O procurador do Trabalho Rafael Dias Marques, relata que quase 6% de crianças e adolescentes que trabalham se acidentam. “Um número, portanto, quase três vezes maior do que o número de acidentes de trabalho que ocorre com adultos”. É uma realidade que compromete o futuro.

 

A reportagem informa que 2 milhões de crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos trabalham. Em dez anos, o Brasil conseguiu reduzir em apenas 10% esse número. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE 95% dos menores trabalhadores estão na escola.

 

O programa sobre o trabalho infantil foi um relato sobre os vários lados que cercam a realidade perversa e ao mesmo tempo uma forma de sobrevivência de famílias de baixa renda. São crianças e adolescentes que trabalham na esperança de ter uma vida melhor e, em contrapartida, não percebem que, saindo da escola, estão desfazendo-se da única chance que eles têm de mudar a sua história.

 

O Sinait registra a crítica de que o programa não apresenta soluções para mudar esta realidade e possibilitar que o Brasil cumpra o compromisso global de erradicar o trabalho infantil até 2016.

 

 Uma das respostas é fortalecer a Fiscalização do Trabalho neste segmento e para isso é necessário realizar concursos públicos, com urgência e coragem, para elevar substancialmente o quadro de Auditores-Fiscais do Trabalho. Atualmente existem cerca de 3 mil em atividade, mas recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, realizado a pedido do Sinait, mostra a necessidade de mais de cinco mil novos Auditores-Fiscais do Trabalho para adequação à realidade econômica e trabalhista do país. O combate ao trabalho infantil foi um dos parâmetros utilizados na pesquisa dos técnicos do Ipea.

 

Outro caminho é fortalecer e qualificar a rede de combate ao trabalho infantil que implica em ações integradas de diversos órgãos federais, estaduais e municipais, além de parcerias com instituições privadas. Além disso, a mudança da realidade socioeconômica das famílias é fundamental para garantir renda aos pais e evitar que crianças e adolescentes sejam forçados a trabalhar para ajudar no sustento das famílias.

 

Para assistir ao programa, clique aqui.

 

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