A ONG Repórter Brasil, especializada na cobertura de denúncias de casos de trabalho escravo e violação de Direitos Humanos em geral, publicou uma retrospectiva de todas as matérias publicadas sobre flagrantes da Fiscalização do Trabalho na indústria da confecção, especialmente em São Paulo, envolvendo a exploração de trabalhadores estrangeiros.
São casos relacionados a empresas como a Pernambucanas, Marisa, Gregory, Zara, e outras grifes famosas, cuja cadeia produtiva mantém trabalhadores estrangeiros sob regime de escravidão, confinamento, exposição a perigos e retenção de documentos.
Nos links é possível acessar as reportagens e conferir imagens dos flagrantes das fiscalizações.
12-7-2012 – Repórter Brasil
Especial: flagrantes de trabalho escravo na indústria têxtil no Brasil
Confira links e informações de todas as denúncias de escravidão na indústria da moda divulgadas pela Repórter Brasil nos últimos três anos
Por Repórter Brasil
Um grupo de oito pessoas vindas da Bolívia, incluindo um adolescente de 17 anos, foi resgatado de condições análogas à escravidão pela fiscalização dedicada ao combate desse tipo de crime em áreas urbanas. A libertação ocorreu no último dia 19 de junho. Além dos indícios de tráfico de pessoas, as vítimas eram submetidas a jornadas exaustivas, à servidão por dívida, ao cerceamento de liberdade de ir e vir e a condições de trabalho degradantes. O grupo costurava para a marca coreana Talita Kume, cuja sede fica no bairro do Bom Retiro, na zona central da capital.
Saiba mais:
Trabalho escravo abastece produção da marca Talita Kume
Donos da Talita Kume podem ser convocados pela CPI do Trabalho Escravo
Caso Gregory - maio 2012
No mesmo dia em que a grife de roupas femininas Gregory lançava a sua coleção Outono-Inverno 2012 com pompa e circunstância, uma equipe de fiscalização trabalhista flagrava situação de cerceamento de liberdade, servidão por dívida, jornada exaustiva, ambiente degradante de trabalho e indícios de tráfico de pessoas em uma oficina que produzia peças para a marca, na Zona Norte da cidade da capital paulista. O conjunto de inspeções resultou na libertação de 23 pessoas, todas elas estrangeiras de nacionalidade boliviana, que estavam sendo submetidas à condições análogas à escravidão.
Saiba mais:
Fiscalização associa Gregory à exploração de trabalho escravo
Após flagrante de escravidão, Gregory é questionada pelo Facebook
A Defensoria Pública da União em São Paulo (DPU/SP) ajuizou ação civil pública contra a empresa de vestuário Collins, envolvida em flagrante de trabalho análogo à escravidão em agosto de 2010. Trata-se da primeira ação coletiva apresentada pelo órgão ao Judiciário trabalhista. "Por falta de defensores, não há como atuarmos também na Justiça do Trabalho. Contudo, quando há uma relação com questões de direitos humanos, como é o caso do tráfico internacional e do trabalho escravo, nós atuamos", observa Marcus Vinícius Rodrigues Lima, do Oficio de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da DPU/SP, que moveu a ação.
Saiba mais:
DPU ajuíza ação contra a Collins por trabalho escravo
Caso Pernambucanas - abril 2011
A casa branca, localizada em uma rua tranquila da Zona Norte da capital paulista, não levantava suspeita. Dentro dela, no entanto, 16 pessoas vindas da Bolívia viviam e eram explorados em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas. O grupo costurava blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas, no momento em que auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegaram ao local. A marca este envolvida em dois flagrantes: um em março de 2011 e outro em setembro de 2010.
Caso IBGE- outubro 2010
Vencedora da licitação dos 230 mil coletes deixou quase toda a produção (99,12%) para terceiros. Um deles, que não tinha nem registro básico, repassou parte da demanda para oficina que mantinha trabalho escravo.