O Prêmio João Canuto é uma homenagem prestada anualmente pelo Movimento Humanos Direitos – MHuD, há dez anos, a pessoas e organizações que tenham se destacado na defesa dos direitos humanos sejam reconhecidos e tenham os trabalhados divulgados pela organização. A inscrição é até o dia 31 de julho.
A ideia do prêmio é priorizar pessoas e organizações que estão sofrendo algum tipo de ameaça por sua atuação em defesa de Direitos Humanos, como uma maneira de criar visibilidade e, além de estímulo, instituir mais um elemento de defesa. Outro critério de seleção é a distribuição por área geográfica. O prêmio se baseia em conceitos subjetivos, mas bem intencionados.
O Movimento Humanos Direitos sugere que as indicações sejam feitas por pessoas e organizações que atuem na área de Direitos Humanos. Atendendo a estes pré-requisitos, o interessado deverá acessar o site e sugerir o nome da pessoa ou da entidade no endereço: http://www.humanosdireitos.org/atividades/premio-joao-canuto/
Quem foi João Canuto
Após várias ameaças de morte, o dirigente sindical João Canuto, foi assassinado com 18 tiros, no dia 18 de dezembro de 1985. Ele era perseguido principalmente por sua luta pela reforma agrária. O crime foi planejado por um grupo de fazendeiros do sul do Pará, entre eles Adilson Carvalho Laranjeira, fazendeiro e prefeito de Rio Maria na ocasião do assassinato, e Vantuir Gonçalves de Paula. O inquérito foi concluído oito anos após a ocorrência do crime.
A denúncia foi feita pelo Ministério Público apenas em 1996. Um ano depois, sob ameaça da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) de condenar o governo brasileiro pela demora na apuração dos fatos, o andamento do processo foi agilizado.
Em 1999, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana devido à lentidão na apuração do caso. Sob pressão de organizações de Direitos Humanos, em 2001, os dois acusados foram pronunciados como mandantes do assassinato.
Vale ressaltar que a perseguição e a violência contra os trabalhadores rurais continuam na região. Cinco anos após a morte de Canuto três de seus filhos, Orlando, José e Paulo, foram seqüestrados e dois deles foram assassinados. Orlando sobreviveu, mas ficou gravemente ferido.
Expedito Ribeiro, sucessor de Canuto na presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi assassinado em 2 de fevereiro de 1991. Um mês depois, Carlos Cabral, sucessor de Ribeiro e genro de Canuto, foi ferido num atentado a bala.