A União das Entidades Representativas das Carreiras Típicas de Estado, integrada por 22 entidades, dentre elas o Sinait, reuniu cerca de 2 mil servidores de todo o País, em Ato Público reivindicando Negociação Salarial com o governo. O Ato aconteceu na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério do Planejamento, na tarde desta quinta-feira, 28.
Representantes das 22 carreiras se pronunciaram durante o Ato Público demonstrando uma organização inédita no país – é a primeira vez que categorias dos mais diversos ramos das carreiras típicas de Estado realizam uma Campanha Salarial Conjunta, fortalecendo a Mobilização integrada.
As lideranças sindicais fizeram um relato do movimento ao longo de mais de 1 (um), ressaltando que já foram realizadas 9 (nove) reuniões no Ministério do Planejamento, com a apresentação de uma pauta conjunta e até o momento o governo não apresentou nenhuma contraproposta. Para os representantes sindicais esse fato, por si só demonstra o descaso que o governo está tendo com as carreiras típicas de Estado, responsáveis pela arrecadação de tributos, pela segurança , e pela gestão das finanças do País.
A importância da participação de todos os servidores integrantes das carreiras em todo o país foi destacada pelos presidentes das entidades como essencial para o fortalecimento do movimento. O último reajuste salarial concedido para esses servidores foi em 2008, e hoje as perdas salariais já corroeram cerca de 30% da remuneração, podendo esse fosso aumentar de forma galopante face a inflação que vem se acumulando nos últimos anos. Cerca de 100 mil servidores integram as carreiras típicas de Estado.
A participação dos Auditores-Fiscais do Trabalho
Os integrantes da diretoria e do conselho de delegados sindicais do Sinait participaram da Mobilização pela Negociação vestidos de camisetas pretas, divulgando a Campanha Institucional 2012 do sindicato que tem como tema o combate aos acidentes de trabalho e a reivindicação de mais concurso público para Auditores-Fiscais.
A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, iniciou sua fala pedindo a atenção de todos os presentes para a leitura dos números alarmantes sobre acidentes de trabalho no país. “ São mais de 700 mil vítimas por ano; mais de 2.700 mortes anualmente; 80 acidentes por hora e 7 mortes por dia. E para prevenir esses acidentes o governo não tem feito concursos públicos para Auditores-Fiscais do Trabalho com ofertas de vagas suficientes para atender e proteger os trabalhadores brasileiros”. Esse foi o mote da fala da presidente Rosângela.
Numa exposição clara e contundente Rosângela Rassy disse que há apenas 1 Auditor-Fiscal para cada 3 mil empresas. Explicou que o Brasil não cumpre a Convenção nº 81, da Organização Internacional do Trabalho - OIT, da qual é signatário, e que determina que as empresas devam ser fiscalizadas com periodicidade para garantir a proteção dos empregados, bem como prevê que o País signatário deve manter um corpo de Auditores suficiente para atender as empresas existentes. Destacou o preceito constitucional que dá competência à União para organizar, manter e executar a inspeção do trabalho.
Rosângela fez referência à fala de outros representantes sindicais que haviam citado que o governo não vem respeitando o preceito constitucional de reajustar os salários dos servidores anualmente, e disse que “também em relação ao Art. 21, inciso XXIV da Constituição Federal está ocorrendo um descumprimento. O papel de executar a inspeção do trabalho no Brasil está seriamente comprometido pelo reduzido número de Auditores-Fiscais do Trabalho”, denunciou a presidente do Sinait.
A Mobilização desse 28 de junho foi histórica e fortaleceu a luta dos servidores das carreiras típicas de Estado que reforçaram a disposição para continuar buscando seus direitos, estando dispostos à paralisação de suas atividades caso o diálogo com o governo não seja estabelecido.
O Ato Público, foi encerrado com os manifestantes cantando o Hino Nacional.