A deputada Benedita da Silva (PT/RJ) decidiu incluir em seu relatório sobre a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 478/2010 16 direitos aos trabalhadores domésticos, aos quais os demais trabalhadores regidos pela CLT já têm direito. Atualmente, a legislação prevê para os domésticos apenas 9 dos 33 direitos trabalhistas inscritos na Constituição Federal.
O texto original da PEC propõe a retirada do parágrafo que determina os direitos trabalhistas a que os empregados domésticos têm direito. Porém, a deputada afirmou temer que a retirada pura e simples do parágrafo acabe de vez com os poucos direitos gozados pelos trabalhadores domésticos. Assim, ela optou por discriminar e acrescentar ao texto todos os pontos a que eles passarão a ter direitos. Entre os 16 itens acrescentados estão a jornada de 40 horas semanais, pagamento de horas extras, salário família e FGTS (hoje é opcional).
O relatório, segundo a deputada Benedita da Silva, é fruto de um consenso entre os trabalhadores domésticos, empregadores e governo. Foram realizadas várias audiências públicas para debater o tema, e o Sinait foi chamado a participar de algumas delas. Rosângela Rassy, presidente do Sinait, afirmou que é justo que os empregados domésticos tenham os mesmos direitos que os demais trabalhadores.
Esta é uma abertura para que a Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, aprovada no ano passado, seja ratificada pelo Brasil. Isso implicará, necessariamente, em mudanças na legislação, já que a Convenção trata exatamente da igualdade de direitos para os empregados domésticos no mundo. Atualmente, apenas o Uruguai ratificou a Convenção e para que ela entre em vigor é necessário que pelo menos dois países a ratifiquem. No Congresso Nacional outros projetos tratam do mesmo tema e reforçam a tendência de que as diferenças de direitos entre empregados domésticos e os demais trabalhadores acabe.
A Convenção 189 demandará mudanças também na Inspeção do Trabalho, pois prevê que haja uma fiscalização efetiva, que garanta a aplicação dos direitos e combata a exploração.
Leia matéria da Agência Câmara:
27-6-2012 – Agência Câmara
Relatora inclui 16 direitos em PEC sobre trabalho doméstico
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 478/10, que aumenta os direitos trabalhistas dos empregados domésticos, está pronta para ser votada na Comissão Especial sobre Igualdade de Direitos Trabalhistas, que analisa o tema. A relatora, deputada Benedita da Silva (PT-RJ) decidiu acrescentar 16 direitos para a categoria, entre eles Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), remuneração do trabalho noturno superior ao diurno, jornada de 40 horas semanais, hora extra, salário-família e igualdade de direitos entre trabalhador com vínculo e avulso.
A relatora informou que não concorda em simplesmente excluir da Constituição o parágrafo que diferencia a categoria dos demais trabalhadores, garantindo aos domésticos apenas 9 dos 33 direitos trabalhistas. Ela optou por acrescentar os direitos por temor de que, ao excluir o parágrafo da Constituição, acabasse por retirar as conquistas já asseguradas.
Negociações
Alguns direitos trabalhistas garantidos pela Constituição não são aplicáveis aos trabalhadores domésticos. Benedita explicou que os que foram acrescentados passaram por negociações com a categoria e com o governo, principalmente em função do impacto na Previdência Social. “Ouvimos aproximadamente 20 pessoas com expertise, o sindicato das trabalhadoras domésticas, governo, sociedade civil e juízes para chegar a essa conclusão. Devemos ampliar esses direitos”, disse Benedita.
Quanto ao risco de aumento da informalidade ou do desemprego para os domésticos, a relatora afirmou que as obrigações não serão só do empregador. “É também do empregado e do governo, porque o que o governo deverá apresentar uma regulamentação sobre essa ampliação”, disse.
Para que os cerca de 7,2 milhões de trabalhadores domésticos tenham os mesmos direitos trabalhistas dos demais trabalhadores, é preciso que a PEC seja aprovada na comissão especial, depois passe por duas votações no Plenário da Câmara, com no mínimo 308 votos favoráveis, em cada uma delas. Após isso segue para o Senado, também para votação em dois turnos.
Íntegra da proposta:
Reportagem - Marise Lugullo/Rádio Câmara
Edição – Maria Clarice Dias