Jornal aponta pequeno número de Auditores-Fiscais do Trabalho no DF


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
18/06/2012



Com a marca de 28 acidentes registrados envolvendo operários feridos nos últimos seis meses e muitas obras espalhadas pela cidade, o Distrito Federal conta com apenas 10 Auditores-Fiscais do Trabalho destinados para atuar no setor da Construção Civil.  De janeiro a junho deste ano, sete trabalhadores já morreram em canteiros de obras no DF. Só esta semana, dois perderam a vida em acidentes de trabalho e um ainda está em estado grave. No ano passado, 17 trabalhadores morreram e foram registrados 62 acidentes com vítimas na construção civil no Distrito Federal. 


Uma reportagem veiculada na edição do dia 15 de junho no jornal “Correio Braziliense” apresenta vários casos de irregularidades relacionadas à segurança dos operários, flagrados pela reportagem. Alguns foram vistos sem cinto de segurança para proteção contra quedas e sem capacete. Ao fim do texto, alguns Equipamentos de Proteção Individual – EPIs e Equipamento de Proteção Coletiva – EPC de uso obrigatório foram listados. 

 

De acordo com o chefe do Núcleo de Segurança e Saúde do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Distrito Federal – SRTE/DF, Marcos Góis de Araújo, há poucos Auditores-Fiscais, mas os servidores cumprem a função de fiscalizar as obras e fazer interdições quando necessário. A obra só é liberada depois da regularização. 

 

O Sinait já alertou o governo sobre o número insuficiente de Auditores-Fiscais do Trabalho e solicitou a realização de concurso para preencher as vagas disponíveis para o cargo em todo o país. Hoje, o quadro conta com cerca de três mil. Para a entidade, a Fiscalização do Trabalho precisa ser fortalecida para acompanhar o crescimento econômico do país. A ascensão de setores como a Construção Civil é um dos exemplos. 

 

Este ano, o objetivo da Campanha Institucional 2012 do Sinait é alertar para o aumento no número de acidentes de trabalho e para a necessidade de ampliação do efetivo de Auditores-Fiscais. 

 

Leia a matéria do Correio Braziliense: 

 

15-6-2012 – Correio Braziiense

 


 

Nos seis primeiros meses deste ano, sete pessoas morreram enquanto trabalhavam em canteiros de obras do Distrito Federal. No período, o sindicato que representa os trabalhadores da construção civil registrou 28 acidentes com operários feridos. O não cumprimento de normas de segurança e a fiscalização ineficiente contribuem para as tragédias. Somente nesta semana, três graves acidentes de trabalho tiraram a vida de duas pessoas e feriram gravemente um eletricista, que está internado e corre risco de morte. Apesar da situação, a Superintendência Regional do Trabalho tem apenas 10 fiscais para controlar todas as ocorrências do DF e de algumas regiões de Goiás e de Tocantins. 



Enquanto isso, os operários se arriscam. Mesmo após os acidentes desta semana, a reportagem flagrou vários casos de desrespeito às normas de segurança. Em Águas Claras, onde os canteiros de obras reúnem centenas de funcionários, monitorar o uso dos equipamentos de proteção individual e coletiva é cada vez mais difícil, segundo engenheiros e fiscais. Na tarde de ontem, não foi difícil encontrar irregularidades. 



Na Avenida Pau-Brasil, por exemplo, dois homens se arriscavam em um dos apartamentos do edifício em construção. Sem estarem presos a cintos de segurança, eles iam até a ponta do prédio e faziam reparos. A poucos metros do local, outros operários, também sem proteção, trabalhavam tranquilamente nos últimos andares de um prédio. Um dos empregados, sem capacete, se pendurava com o auxílio dos colegas. A reportagem não encontrou os responsáveis pelas obras. 



A cobrança do uso dos equipamentos dentro dos canteiros é feita por técnicos de segurança e engenheiros responsáveis pela obra. “O problema é que, por mais que a gente explique e cobre, muitos operários descumprem as normas e deixam de usar os equipamentos de proteção”, afirma o engenheiro civil Diego Oliveira, 29 anos. Ele acrescenta que a fiscalização é ineficiente: “Os fiscais geralmente só passam quando recebem denúncias ou estão vistoriando um lugar próximo”.



Para os principais prejudicados com os acidentes de trabalho, a preocupação é grande, mas alguns insistem em infringir as normas. “Eu gosto de trabalhar com todos os equipamentos porque acidente não tem hora para acontecer. O problema é que muitos operários consideram que são experientes e não precisam de proteção, e acham que nada vai acontecer com eles”, diz o bombeiro hidráulico Raimundo Padilha de Freitas, 39 anos. “Sempre ficamos com medo por causa de vários acidentes que vemos. Para evitar qualquer tragédia, uso todos os equipamentos”, completa o ajudante de pedreiro Geovane Franco Santos, 27. 



Sindicato

A preocupação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICMB) é em qualquer tipo de obra. “Os trabalhadores correm riscos desde reparos dentro de uma casa até a construção de prédios. Essas sete mortes deste ano são preocupantes, pois não deveria ocorrer nenhuma”, ressalta Edgard de Paula Viana, presidente da entidade. O sindicato lançou recentemente uma campanha de conscientização para tentar diminuir os acidentes. No ano passado, foram 17 mortes e 62 acidentes com vítimas na construção civil. 



Responsável por vistoriar as obras, a Superintendência Regional do Trabalho reconhece que o número de profissionais é insuficiente para a demanda. Dos 20 fiscais do quadro de segurança e saúde, 10 deles atendem a construção civil do DF, de Goiás e de dois municípios de Tocantins. “Temos poucos profissionais, mas a nossa função é fiscalizar as obras e, se tiver algum problema, autuamos e fazemos a interdição até que tudo seja regularizado”, informou o chefe do Núcleo de Segurança e Saúde do Trabalho, Marcos Góis de Araújo. 



Fique atento



- Equipamento de Proteção Individual – EPI

Todos os objetos devem ter o certificado de  aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)

Bota 

Luvas de borracha ou de raspas de couro 

Cinto de segurança 

Óculos de proteção

Máscara (protetor facial) 

Protetor auricular 

Avental



- Equipamento de Proteção Coletiva – EPC

Bandejas (materiais que são colocados suspensos nos andares para que objetos não caiam no chão) 

Telas de proteção 

Guarda-corpo (tem que ter cerca de 1,20 metros de altura, com uma barra de 70 centímetros e o rodapé com 20 centímetros) 

Todas as aberturas (exemplo, poço de elevador) têm que ser fechadas com madeiras ou tela.

 

Categorias


Versão para impressão




Assine nossa lista de transmissão para receber notícias de interesse da categoria.