Sucesso profissional para mulheres ainda custa sacrifícios


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
27/12/2011



27-12-2011 - Sinait

 

Matéria do Jornal Correio Braziliense destaca mulheres que conseguiram chegar ao topo da carreira no funcionalismo público e ocupam cargos que raramente têm uma mulher à frente. Apesar de ainda serem em número inferior, as mulheres em funções de comando já são mais comuns que na década passada.

 

Porém, diferente do que ocorre com os profissionais masculinos, é comum que as mulheres abram mão de muitas realizações pessoais para conseguirem ascender na carreira. Casar e ser mãe, muitas vezes, são projetos adiados e até mesmo excluídos da vida dessas profissionais de sucesso, porque conseguir aliar essas três “funções” e, além disso, se destacar profissionalmente, é tarefa quase impossível. Além disso, as mulheres enfrentam preconceitos e têm que “brigar” muito para não serem discriminadas nos locais de trabalho, onde a maioria dos postos de comando ainda são exercidos por homens. Na política, embora a participação tenha crescido, o número de mulheres que se elegem vereadoras, deputadas estaduais e federais e senadoras é pequeno. A eleição da presidente Dilma Rousseff contribuiu muito para que ocorresse uma mudança de cenário e as mulheres alcançaram mais destaque dentro do governo.

 

Na matéria, a jornalista Ana D”Angelo conta um pouco da vida de duas mulheres servidoras que se destacam por competência e conhecimento: a procuradora da Fazenda, Rosangela Oliveira e a  servidora pública Magda Myron, superintendente de gestão corporativa da Autoridade Pública Olímpica (APO).

 

De acordo com dados da matéria, a região Sudeste é a que concentra mais mulheres servidoras, mas ainda com uma participação abaixo dos 50%. O Distrito Federal é a quinta unidade da Federação com maior número de servidoras públicas federais: 45,8%.

 

A Auditoria-Fiscal do Trabalho tem em seus quadros um número expressivo de servidoras, que com competência e talento desempenham suas atividades, seja na cidade ou nas mais distantes localidades rurais, se arriscando em defesa dos direitos e em busca da garantia de  cidadania para os trabalhadores. 

 

Leia matéria do jornal Correio Braziliense:

 

27-12-2011 – Correio Braziliense

Funcionalismo – Mulheres no topo da carreira

 

Ana D"Angelo

 

A gaúcha Rosangela Silveira de Oliveira, de 53 anos, adjunta do advogado-geral da União, trabalha, em geral, 12 horas por dia. E o batente termina normalmente por volta das 22h. Seu corpo acostumou-se a dormir pouco – o sono é de cinco a seis horas apenas. Isso vem desde a juventude, quando já acumulava três jornadas: aulas de química e matemática para alunos da oitava série, o trabalho no antigo Inamps e a faculdade.

 

Procuradora da Fazenda Nacional de carreira, Rosangela ocupa, na AGU, o cargo de DAS-6 (Direção e Assessoramento Superior), o mais alto para funções comissionadas, preenchidas, na maioria dos casos, por meio de indicações. É quase uma exceção. No total, somente 53 mulheres estão nesses cargos de chefia no Executivo - a maioria dos postos está nas mãos de homens: 75,6%.

 

O grosso das funcionárias com vagas comissionadas se concentra nos níveis mais baixos da hierarquia - DAS-l e DAS-2 -, um retrato nada edificante em um país que, pela primeira vez, está sendo comandado por uma mulher, a presidente Dilma Rousseff.

 

Quando se olha, porém, para o conjunto do serviço público, o quadro é mais ameno. Não sem motivo: a quase totalidade dos postos é preenchida por meio de concurso público. Por terem mais anos de estudos e serem mais dedicadas, mesmo, em muitos casos, tendo jornada dupla se trabalho, as mulheres vem diminuindo a distância salarial em relação aos homens e ocupando mais vagas de chefia.

 

As servidoras já detêm 42% dos postos mais altos da Esplanada dos Ministérios e recebem, em média, 11% menos do que os homens. Na média geral de todas as profissões do país, a distância do rendimento é 30% e são poucas as que estão no comando de equipes. Dados do Ministério do Planejamento indicam que, ano a ano, o salário das servidoras vêm se aproximando do pago aos homens, tanto que, em 2000, a distância entre eles era de 16%. A funcionária pública custa hoje, em média, R$ 8.309 por mês, e o servidor, R$ 9.341.

 

Esforço

Nascida numa família de cinco irmãos - pai motorista e mãe dona de casa - , Rosangela apostou seu futuro numa jornada pesada, envolvendo estudo e trabalho ao mesmo tempo, além de ajudar a mãe nos afazeres domésticos e nos cuidadas dos irmãos menores. Aprendeu a cozinhar com 10 anos. O primeiro vestibular foi feito aos 17 anos, para química, na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), com a mãe, que havia conseguido terminar o segundo grau fazendo supletivo.

 

No segundo semestre de curso, já dava aulas de química e de matemática para a turma do último ano do ensino fundamental (antiga oitava série). No colégio, ocupou vários cargos, até a vice-diretoria. Um ano depois, passou em concurso público para auxiliar operacional do antigo Inamps (hoje INSS). Nessa época, resolveu trocar o curso de química pelo de pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para se aprimorar no ofício de dar aulas.

 

Sua jornada aos 21 anos era das 7h30 as 9h30 dando aulas; das 10h às 18h no Inamps e, a partir das 19h, na faculdade. Os finais de semana, passava corrigindo provas. "Não sei como conseguia dar conta." Fez outro concurso público para agente administrativo do Inamps e chegou a atuar como substituta da chefe do posto. Antes de terminar o curso de pedagogia, resolveu mudar de área e prestou vestibular para direito na PUC-RS. A rotina pesada de trabalhar, dar aulas e estudar continuou até seus 31 anos, quando se formou advogada.

 

Sem férias

Em 1992, foi aprovada em 16° lugar, entre os candidatos do estado, no concurso de procurador da Fazenda Nacional. Na função, ocupou vários cargos, até o atual, de adjunta do advogado-geral da União, Luis Inácio Adams. Hoje, ela é responsável pela gestão da advocacia pública, pelo gerenciamento da estrutura física e humana das carreiras jurídicas, que envolvem 15 mil advogados, procuradores federais, procuradores da Fazenda Nacional e defensores públicos, para que haja mais resultados efetivos para a sociedade. Um de seus desafios atuais e reduzir a judicialização das demandas no âmbito federal, que exigem sempre mais recursos humanos e materiais para dar conta de infinitas ações.

 

Rosangela raramente tira férias. As últimas foram há quatro anos. No Maximo, viaja no fim de semana de Brasília para Porto Alegre. "Não acho que trabalhe demais", comenta. Solteira, investe seu dinheiro na família. Já deu uma casa para a mãe e apartamentos para duas irmãs, além de carros para sobrinhos. Garante que sua vida não é só trabalho. "Janto fora, vou a barzinhos", conta.

 

Respeito

A nove quilômetros dali, uma mulher tem em mãos um dos maiores desafios do atual governo: efetivar a criação de uma autarquia, em regime especial, que ficará responsável pela realização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro - a Autoridade Pública Olímpica (APO). Formada em administração, a servidora pública de carreira Magda Oliveira de Myron, 51 anos, foi escolhida par Márcio Fortes, ex-ministro das Cidades e presidente da APO, para ser a superintendente de gestão corporativa do órgão.

 

Cabe a ela colocar em funcionamento o consórcio, que reúne a União, o estado e o município do Rio do Rio de Janeiro, para coordenar as ações públicas de planejamento e entrega das obras para a realização dos jogos. O regime de trabalho é acelerado, sem hora para terminar, o que, para Magda, não é novidade. Durante anos a fio ela chefiou secretarias de orçamento na Esplanada, com jornadas de até 15 horas.

 

Por suas mãos, foram liberados milhões de reais em impostos para tocar obras públicas. Em um país em que os malfeitos se tornaram rotina, ela brecou muitos projetos que permitiriam boa parte do meu, do seu, do nosso suado dinheiro escorrer pelo ralo. "Não se brinca com dinheiro do povo. Ele merece respeito", afirma

 

Neste momento, a equipe comandada por Magda está despachando no Centro Cultural Banco do Brasil, mas no ano que vem, todos serão transferidos para o Rio. "Estamos criando uma estrutura nova, sem paradigma, com visibilidade internacional, pois os Jogos Olímpicos são maiores que a própria Copa do Mundo", conta, entusiasmada. Com as chaves dos cofres nas mãos, ela garante que tudo será feito como manda a lei. "É o mínimo que esperam de nós".

 

Distorções

O Distrito Federal é a quinta unidade da federação com maior número de servidoras públicas federais: 45,8%. Ainda assim, os homens são maioria por aqui. O maior índice da presença feminina, 58,4%; está em Roraima, seguido do Amapá. Nesses estados, os servidores do sexo masculino são menos da metade. No Rio de Janeiro, elas estão quase empatadas com o sexo oposto. Na média, a região Sudeste é a que concentra mais mulheres servidoras, mas ainda com uma participação abaixo dos 50%.

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