14-12-2011 - Sinait
A apresentação do relatório sobre a Proposta de Emenda à Constituição – PEC 443/09, que fixa a remuneração de Advogados Públicos em 90,25% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal, foi adiada para o ano que vem. A Comissão que analisa a matéria decidiu ampliar a análise e o debate, principalmente porque há nove emendas pedindo a inclusão de outras carreiras à Proposta, entre elas, a Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Segundo o presidente da Comissão, deputado José Mentor (PT/SP), a leitura do relatório foi adiada também porque o país vive um momento delicado no âmbito econômico. “Não sabemos a intensidade com que essa crise internacional pode chegar ao Brasil, por isso precisamos de cautela e sabedoria para atingirmos um objetivo”, disse. Ele completou dizendo que como o trabalho da Comissão foi extenso, com a realização de audiências públicas em seis capitais e no Distrito Federal que envolveram as carreiras que pleiteiam a inclusão na PEC, e a pressa em apresentar o relatório ainda este ano poderia ser prejudicial. “Precisamos encontrar uma solução mais justa para contemplar todas as demandas”.
O relator da PEC 443/09, deputado Mauro Benevides (PMDB/CE), afirmou que a extensão do prazo para a apresentação do parecer pode evitar restrições da matéria no plenário. “Os pleitos das carreiras são justos, mas não é fácil apresentar um relatório com todas essas emendas”. Para o parlamentar, a PEC 443 precisa de uma análise mais profunda, caso contrário, ela corre o risco de ter trâmite semelhante ao da PEC 300, que pede a isonomia dos salários dos militares estaduais de todo o Brasil (ativos e inativos) aos salários dos militares do Distrito Federal. “A proposta passou em primeiro turno, mas agora precisa de um acordo de líderes para voltar ao plenário”.
O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), que ingressou com a Emenda nº 4, a pedido do Sinait, pela inclusão da Auditoria-Fiscal do Trabalho na PEC 443/09, sugeriu a apresentação de uma PEC paralela para incluir as demais carreiras que querem fazer parte da PEC 443: Auditoria-Fiscal do Trabalho, Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil, fiscais tributários, delegados de Polícia Federal e dos Estados e analistas do Banco Central. “Precisamos encontrar uma alternativa porque teríamos que apresentar votos em separado e isso traria problemas”, explicou. Ele afirmou que os servidores públicos merecem respeito, pois são “marginalizados e tratados com pouco caso”. Diante da sugestão de Faria de Sá, as entidades irão analisar as vantagens e desvantagens da medida.
O deputado João Dado (PDT/SP) concordou com a decisão da Comissão em adiar a leitura do relatório e disse que a proteção do cidadão passa pela valorização dos servidores públicos. “Precisamos fortalecer o Estado brasileiro e dar o recado para quem quer fragilizá-lo”, ressaltou. Ele citou o Projeto de Lei 1.992/07, que cria a Previdência Complementar para o servidor público, e se manifestou contrário à matéria. Já o deputado Chico Lopes (PCdoB/CE) destacou que a PEC 443/09 não pode cair no esquecimento. “Temos que fazer um calendário para, depois do carnaval, ninguém mais ingressar com emenda”. Para ele, é melhor unificar as demandas das demais carreiras na PEC 443 do que apresentar outra emenda.
O deputado Amauri Teixeira (PT/BA) disse que todos os membros da Comissão estão convencidos que todas as carreiras merecem tratamento igual. “Agora, vamos traçar estratégias e conversar com o presidente da Casa, Marco Maia, pois não adianta aprovarmos na Comissão e a PEC 443 passar dez anos sem ir ao plenário”, exemplificou. Ele pediu pressa na condução dos trabalhos da Comissão, pois, em 2012, haverá eleições municipais, o que altera a rotina do Congresso Nacional. O deputado Manoel Júnior (PMDB/PB) acrescentou que é preciso retirar todos os entraves que possam existir para prejudicar a PEC 443. “Aqui é a Casa do diálogo”, concluiu.
Auditoria-Fiscal do Trabalho
De acordo com a presidente do Sinait, Rosângela Rassy, o Sindicato continuará o intenso trabalho no Congresso para que a Auditoria-Fiscal do Trabalho seja incluída na PEC 443/09. “Nós participamos ativamente das discussões na Comissão e tivemos representantes em todas as audiências públicas nos Estados. Ano que vem não será diferente. Independente da decisão que for tomada, caso seja apresentada uma nova PEC, vamos manter a pressão pela inclusão dos Auditores-Fiscais do Trabalho”.
A presidente destaca que a Auditoria-Fiscal do Trabalho deve ser incluída na PEC porque as atividades desempenhadas pelos Auditores-Fiscais são essenciais à organização e ao desempenho das funções jurisdicionais do Estado, além de serem totalmente vinculadas ao Direito do Trabalho. “A Auditoria-Fiscal do Trabalho garante a aplicação das leis trabalhistas e promove a melhoria nas condições de trabalho e na relação entre empregado e empregador”.
Segundo Rosângela, o recolhimento do FGTS também dá atribuição tributária à Fiscalização do Trabalho e a coloca no mesmo patamar constitucional das carreiras da administração tributária.