Para aumentar o rendimento do FGTS, governo estuda distribuir parte do lucro


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
23/11/2011



Ao mesmo tempo, governo apresenta projeto para utilizar recursos do Fundo em obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, desviando o foco de utilização dos recursos


Um estudo feito pela Caixa Econômica Federal – CEF, com conhecimento do Conselho Curador do FGTS, gestora das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, propõe distribuir aos trabalhadores até 50% do lucro obtido no ano. Isso atenderia a uma reivindicação antiga da classe trabalhadora, de aumentar o rendimento das contas que, hoje, sequer acompanham a inflação anual, acumulando perdas. A proposta da CEF poderia até dobrar a atual remuneração das contas.

 

O estudo está sendo analisado pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, cujo ministro da Pasta preside o Conselho Curador do FGTS. Se aprovado, poderá resultar em projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional, pois o mecanismo de reajuste dos rendimentos é estipulado em lei.

 

Os Auditores-Fiscais do Trabalho são os responsáveis por fazer a fiscalização do recolhimento do FGTS. O aperfeiçoamento dos instrumentos, programas e sistemas, além da troca de informações entre as instituições, está permitindo a identificação dos sonegadores com maior precisão, e, consequentemente, o resultado de regularização e arrecadação tem sido cada vez melhor. Não é por acaso que o Conselho Curador do FGTS tem destinado anualmente recursos para a Fiscalização do Trabalho, no intuito de dotá-la de maior capacidade para ir atrás de quem sonega direitos dos trabalhadores.

 

Os resultados a que a CEF se refere no estudo e que permitem admitir a proposta de distribuir parte do lucro, portanto, têm muito a ver com a eficiência e eficácia da ação dos Auditores-Fiscais do Trabalho na diminuição da sonegação do FGTS.

 

Uso indevido

Ao mesmo tempo em que o governo acena com a notícia positiva de aumento do rendimento do Fundo, apresenta Medida Provisória, já aprovada pela Câmara e pelo Senado, com proposta de utilização dos recursos para obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Para o Sinait, este é um uso indevido, pois o FGTS destina-se a obras de infraestrutura, saneamento e habitação. As obras que abrigarão os jogos consumirão bilhões de reais e não serão utilizadas pela maioria da população brasileira.

 

A aprovação da MP recebeu muitas críticas pelo conteúdo em si e também pelos acréscimos feitos pelos deputados federais na Câmara: a MP chegou com 24 artigos e saiu para o Senado com 52, sendo, em sua maioria, “contrabandos” ao texto (artigos que nada têm a ver com o objeto da Medida Provisória). Lideranças do governo garantem que vários artigos serão vetados pela Presidente da República, porém, foi de lá mesmo que partiu a proposta de utilização dos recursos do FGTS, que são dos trabalhadores.

 

Veja matérias relacionadas:

 

23-11-2011 – Folha de São Paulo

Governo estuda distribuir lucro do FGTS entre os trabalhadores

LORENNA RODRIGUES - DE BRASÍLIA

 

O governo estuda distribuir anualmente parte dos lucros do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) entre os trabalhadores para aumentar a remuneração do fundo, que, como no ano passado, ficará abaixo da inflação em 2011.

 

Com o aval do Conselho Curador do FGTS, a Caixa Econômica Federal concluiu um estudo que prevê a distribuição anual de até metade do resultado do fundo entre todas as contas com saldo em 31 de dezembro.

 

Estima-se que isso poderia até dobrar a atual remuneração, que é de 3% (juros) mais a variação da TR no ano.

 

Como o rendimento do fundo é previsto na lei que criou o FGTS, qualquer mudança tem de ser aprovada pelo Congresso Nacional.

 

Segundo a Caixa, o Ministério do Trabalho está analisando o estudo e avalia enviar um projeto de lei para o Legislativo com a proposta. De acordo com o ministério, porém, não há decisão sobre o assunto na pasta ainda.

 

No ano passado, o FGTS teve lucro de R$ 5,4 bilhões. O resultado é o retorno dos investimentos, cujos recursos são usados principalmente em financiamentos de habitação, incluindo o programa Minha Casa, Minha Vida, e para financiar obras de infraestrutura e saneamento.

 

Pela proposta em estudo, anualmente o conselho curador determinará o percentual que o trabalhador receberá como "dividendo", que incidirá sobre o saldo existente ao final de cada ano.

 

Se a regra já estivesse em vigor neste ano, até metade dos R$ 5,4 bilhões do lucro do ano passado seria dividida entre os mais de 200 milhões de contas abertas no momento - das quais 90 milhões receberam depósitos nos últimos 12 meses.

 

NOVAS PERDAS

Há alguns anos, representantes dos trabalhadores reclamam da baixa remuneração do FGTS. O governo vem estudando formas de aumentar os rendimentos sem comprometer a estabilidade do fundo.

 

Neste ano, as contas do FGTS renderão 4,29% (TR de 1,2552% mais 3%), segundo cálculos de Mario Avelino, presidente da ONG Instituto FGTS Fácil. Como o IPCA deverá ficar em 6,5%, as contas dos trabalhadores deixarão de receber R$ 21 bilhões apenas neste ano, diz Avelino.

 

Uma das propostas avaliadas era atrelar a remuneração à inflação. A alternativa, contudo, enfrenta resistência por aumentar a indexação da economia e potencialmente encarecer financiamentos com recursos do FGTS.

 

A proposta de distribuição de lucros ganhou força justamente por não criar uma amarra ao desempenho do fundo.  

Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress



 


23-11-2011 – O Globo

Senado aprova uso de fundo do FGTS em Copa e Olimpíada

Adriana Vasconcelos

 

BRASÍLIA. A despeito dos protestos da oposição e das queixas de setores da base governista, o Senado aprovou ontem em votação simbólica a Medida Provisória (MP) 540, que permitirá o uso de recursos do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) em empreendimentos ligados à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016. Segundo o texto, que agora segue para sanção presidencial, esses recursos poderão ser usados até 30 de junho de 2014 em projetos de infraestrutura aeroportuária, operações urbanas consorciadas, transporte, mobilidade urbana, empreendimentos hoteleiros e comerciais.

 

Por obra dos deputados, a MP que foi editada pela presidente Dilma Rousseff com 24 artigos, acabou aprovada com 52 artigos, graças à inclusão de uma série de "contrabandos" no texto, que tratam dos mais diversos assuntos. Entre eles, o que provocou mais polêmica foi o que abre brecha para a publicidade de cigarros no país.

 

O projeto de conversão encaminhado pela Câmara ainda ampliou a desoneração da folha de pagamento das empresas que foi feita pelo governo dentro do programa Brasil Maior.

 

- A MP que estamos examinando hoje, pula de 24 artigos para 52 artigos. Ela é absolutamente inadmissível, não apenas à luz da Constituição, que determina uma hierarquia nas leis, em que as leis complementares devem ter precedência hierárquica sobre as leis ordinárias - lamentou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), reconheceu o exagero da Câmara na ampliação dos temas incluídos no texto da MP. E ainda assumiu publicamente o compromisso do governo de vetar os artigos que regulam a propaganda de cigarro, que gerou protestos inclusive de integrantes da base aliada.

 

A possibilidade de o FI-FGTS, que teria cerca de R$ 5 bilhões em caixa, aplicar recursos em obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas também provocou protestos de alguns senadores.

 

No caso das desonerações, o texto incluiu os setores de couro, call centers e transporte urbano coletivo. A desoneração passou de um para três anos.

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