Estudo revela despreparo financeiro do trabalhador brasileiro para a aposentadoria


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
31/05/2011



31-5-2011 - Sinait

 

O estudo "O Futuro da Aposentadoria" - feito pelo HSBC em 17 países e publicado pela Folha de São Paulo, revela que metade da população não se prepara financeiramente para o período após o trabalho, ou seja, para a aposentadoria.

 

O relatório do HSBC revela que um quarto dos brasileiros não sabe qual será sua principal fonte de renda durante a aposentadoria. Somente 17% deles associam a vida de aposentado à ideia de aperto econômico. A média mundial é quase o dobro disso (32%).

 

Apesar do despreparo, os trabalhadores brasileiros e os chineses são os mais otimistas em relação à renda na aposentadoria. A pesquisa atribui esse otimismo com o futuro à boa conjuntura atual nos dois países.

As três principais preocupações citadas por brasileiros em relação à vida pós-trabalho são os custos de tratamentos de saúde, o baixo valor da aposentadoria paga pelo governo e a falta de recursos poupados.

 

Atualmente, o trabalhador pode se aposentar com qualquer idade, desde que tenha um tempo de contribuição de 30 anos, no caso das mulheres, e 35, no caso dos homens. Contudo, devido ao fator previdenciário, quanto menor é a idade do segurado, menor é o valor do benefício. Também existe a possibilidade de aposentadoria por idade: 60 anos para as mulheres e 65 para os homens.

 

Essas regras, no entanto, podem mudar: o governo estuda várias alterações tanto nos regimes de aposentadoria para servidores públicos quanto da iniciativa privada.

 

A nova opção do governo é uma fórmula simples, que somaria o tempo de contribuição e a idade do trabalhador na hora da aposentadoria. Homens poderiam se aposentar sem sofrer redução dos seus benefícios quando a soma fosse 95. Mulheres poderiam fazer o mesmo quando a soma atingisse 85. A fórmula substituiria o fator previdenciário, mecanismo criado em 1999 para incentivar os trabalhadores a adiar a aposentadoria. As centrais sindicais pressionam o governo a extingui-lo.

 

O trabalhador, em geral, deve se preparar para a aposentadoria não somente no aspecto econômico, mas também no campo psicológico. As pesquisas revelam que a falta de preparo psicológico e do planejamento outras atividades para depois da aposentadoria levam as pessoas ao adoecimento.

 

Entre a categoria dos Auditores Fiscais do Trabalho, tem crescido o número de aposentadorias. Este ano, praticamente todos os dias há pelo menos uma concessão de aposentadoria publicada no Diário oficial da União. Hoje, 31 de maio, foram publicadas duas, uma no Pará e outra no rio Grande do Sul. O Sinait tem procurado dar atenção a este tema incluindo palestras sobre aposentadoria e qualidade de vida em seus encontros anuais. No Enafit deste ano haverá uma palestra motivacional sobre “Aposentadoria: momento de mutação”. O encontro será de 11 a 16 de setembro, em Maceió/AL.

 

Mais detalhes sobre a pesquisa na matéria abaixo.

 

30-5-2011 – Folha de São Paulo

Brasileiro planeja pouco a aposentadoria

Metade da população admite despreparo financeiro para o período após o trabalho, segundo pesquisa do HSBC

Apesar da falta de preparo, brasileiros e chineses são os mais otimistas em relação à renda na aposentadoria

ÉRICA FRAGA - DE SÃO PAULO



Quase metade dos brasileiros se sentem despreparados financeiramente para a aposentadoria.

Mas quando perguntados se associam a vida de aposentado à ideia de aperto econômico, os brasileiros são – ao lado dos chineses – campeões de otimismo. Apenas 17% dizem que sim.

A aparente contradição é revelada pelo estudo "O Futuro da Aposentadoria" -feito pelo HSBC em 17 países e obtido com exclusividade pela Folha – que será divulgado amanhã.

Segundo Sérgio Jurandyr Machado, professor de administração do Insper, esses resultados parecem contraditórios, mas não são:

"O otimismo com o futuro é explicado pela boa conjuntura atual. Mas isso não muda o que eu considero um dos maiores defeitos dos brasileiros que é a incapacidade de se planejar".



OTIMISMO

Para Machado, isso ajuda a explicar por que os brasileiros são otimistas, mas, ao mesmo tempo, preocupados em relação ao futuro.

A visão é compartilhada por Fernando Moreira, presidente-executivo do HSBC Seguros. Ele acrescenta que, além da conjuntura animadora, o otimismo é um traço cultural dos brasileiros:

"Esse traço aparece em todas as pesquisas que fizemos até agora".

Mas ele ressalta que falta disciplina aos brasileiros:

"As pessoas acham que planejamento é importante, mas não têm disciplina".

O relatório do HSBC revela que um quarto dos brasileiros não sabem qual será sua principal fonte de renda durante a aposentadoria.

"Esse percentual é preocupante", afirma Moreira.

Pouco mais da metade dos entrevistados brasileiros (que, em media, têm renda mensal superior a R$ 3,000) afirmaram possuir um planejamento financeiro para a aposentadoria.

O percentual está próximo da média mundial, mas muito abaixo do registrado em países asiáticos como Malásia (84%), China (76%), Índia (76%) e Taiwan (60%).

Ter um planejamento financeiro não significa, por exemplo, possuir um plano de previdência privada.

"É ter qualquer forma de planejamento, seja por meio de um plano de previdência privada, seja pelo desenvolvimento de uma estratégia própria", afirma Moreira.

A pesquisa revela que os brasileiros que possuem alguma forma de planejamento têm 40% a mais de recursos poupados do que aqueles que ainda não desenvolveram uma estratégia financeira para a aposentadoria.

"É o que chamamos de prêmio de planejamento", diz Moreira do HSBC.

As três principais preocupações citadas por brasileiros em relação à vida pós-trabalho são os custos de tratamentos de saúde, o baixo valor da aposentadoria paga pelo governo e a falta de recursos poupados.

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