Problemas na Amazônia atingem a natureza e o Homem


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
13/12/2010





A descrição feita abaixo, de uma área da região amazônica na divisa dos estados do Tocantins e Maranhão, é tão impressionante que o leitor chega a visualizar a devastação da floresta. A derrubada de quilômetros de floresta amazônica não é um fato isolado, mas um aspecto de todo o contexto socioeconômico, ambiental e político que envolve a região. Traz consigo o trabalho escravo, a perpetuação da pobreza, a violência como argumento pela posse da terra que já produziu centenas de vítimas, como forma de intimidação para a grilagem e a sonegação de direitos de toda natureza.

 

Acabar com a floresta significa acabar com a fonte de renda, com o ganha-pão, com os projetos de sustentabilidade; significa expulsar o trabalhador e empurrá-lo para o trabalho escravo como única alternativa de sobrevivência. E também significa estender a fronteira agrícola para derrubar mais floresta, esterilizar o solo após exauri-lo, sem qualquer programa de reflorestamento ou de extração que seja racional. A lógica é simplesmente destruir e explorar. Acabou aqui, vai para acolá. Até que o acolá não exista mais. Como disse o articulista, já acabaram com as castanheiras, com o mogno, com as árvores frutíferas. Tudo o que estiver pela frente terá o mesmo destino.

 

A região descrita é alvo constante de denúncias de trabalho escravo. Muitas ações do Grupo Móvel já foram realizadas ali, com resgate de trabalhadores. Auditores Fiscais do Trabalho também são testemunhas do triste e desolador cenário da devastação da floresta. Abordam uma parte do problema gerado pela exploração sem limites, que reduz pessoas a nada, que viola direitos primitivos e fundamentais de comer, de dormir, de receber pagamento pelo trabalho realizado. O que fazem os AFTs é restabelecer a confiança dos trabalhadores, lembrando a eles que são seres humanos que têm direitos garantidos por lei, que não é normal que sejam tratados dessa forma.

 

A floresta amazônica é um grande mistério. Mas alguns precisam e estão sendo revelados, não só pelas grandes clareiras detectadas pelos satélites, como pelas denúncias cada vez mais constantes. É um desafio para o poder público, mas tem que ser encarado por uma força-tarefa que inclui a ampliação do combate ao trabalho escravo e a fiscalização ambiental eficiente, com o cerco às madeireiras clandestinas e à ampliação da pecuária extesiva. Sem mão-de-obra barata, sem liberdade para grilar terras e sem fontes de financiamento, os exploradores sem escrúpulos terão dificuldades para imprimir o mesmo ritmo de devastação.

 

Leia o artigo na área de MÍDIA – ARTIGOS EXTERNOS.

 



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