17-11-2010 – SINAIT
A Chacina de Unaí ganhou destaque na plenária final do 28º ENAFIT, no espaço reservado a novas proposições. O presidente da AAFIT/MG, João Coelho Frazão de Barros, apresentou uma Moção de Indignação aproveitando o plenário lotado de Auditores Fiscais do Trabalho – AFTs de todo o Brasil. A proposição é que o SINAIT e a AAFIT/MG se esforcem para construir um monumento no quarteirão fechado em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/MG, no centro de Belo Horizonte e que no dia 28 de janeiro de 2011, quando o crime completará 7 anos, os AFTs trabalhem com uma tarja preta no braço.
A AFT Nadja Cardoso (RN) propôs que seja redigido um documento, que poderia ser chamado de “Carta de Unaí”, para ser entregue ao governador reeleito de Minas Gerais, Antônio Anastasia, que foi Secretário Executivo do MTE, e à presidente eleita Dilma Roussef, que é mineira.
Os dois documentos foram aprovados por aclamação e aplaudidos de pé. O SINAIT e a AAFIT/MG serão responsáveis pelos encaminhamentos necessários para viabilizar as propostas.
Leia a íntegra dos dois documentos:
MOÇÃO DE INDIGNAÇÃO
A Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais – AAFIT/MG, manifestando a indignação de todos os associados, que espelha o mesmo sentimento de todos os Auditores Fiscais do Trabalho do Brasil propõe que seja erguido um monumento em memória de ERATÓSTENES, JOÃO BATISTA, NELSON E AILTON, em Belo Horizonte, no quarteirão fechado em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais, devendo a AAFIT/MG e o SINAIT tomar as providências necessárias para viabilizar este projeto. No local do crime, em Unaí, estão fincadas quatro cruzes danificadas pela ação do tempo e podem ser de lá arrancadas a qualquer momento. O monumento será um símbolo a mais da nossa indignação com o crime em si e com o fato de os acusados não terem sido, até a presente data, julgados e punidos.
A AAFIT/MG propõe, ainda que no dia 28 de janeiro de 2011, quando a chacina completará sete anos, todos os AFTs do Brasil exerçam suas atividades usando uma tarja preta na roupa, como demonstração do inconformismo com a demora do julgamento dos réus. O SINAIT e todas as entidades regionais deverão fazer ampla divulgação desta atividade.
É a nossa proposição.
PROPOSIÇÃO
Aproveitando a coincidência de ocorrências que poderão convergir para a solução da Chacina de Unaí e
Considerando:
I – Que o governador eleito de Minas Gerais foi Secretário Executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, conhece o caso “Chacina de Unaí”, e sabe o efeito causado em nossa categoria;
II – Que a presidente da República eleita é de Minas Gerais, o que deverá ter efeito moral sobre o que aconteceu a seus conterrâneos.
Sugerimos que o SINAIT encaminhe documento (“Carta de Unaí”, por exemplo) às duas autoridades acima citadas requerendo julgamento e punição dos mandantes e executores do crime.
Ao mesmo tempo, com este documento, lembramos ao governo federal a condição insegura que cerca todos os AFTs e a sensação de impunidade, aproveitando, inclusive, as palavras da presidente eleita, de que “não tolerará o erro, o desvio e o malfeito” (sic), e pressionar pela busca de solução.
Por último, sugerimos que o documento seja assinado pelos presidentes das entidades regionais dos 27 Estados e do Distrito Federal, iniciando pela assinatura do presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, e encerrando com a assinatura da entidade do Ceará, local deste evento.
Essa cobrança deve ter efeito moral e demonstrar a insatisfação da categoria com a brutal ocorrência, além de colocar a necessidade do governo federal ter “um novo olhar” sobre a pressão do nosso Ministério do Trabalho e Emprego sobre autuações e ações numerosas sobre os seus AFTs.
Nadja Cardoso – AFT/RN
Fortaleza, 10 de novembro de 2010