28º ENAFIT: Mil e duzentos participantes na cerimônia de abertura


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
08/11/2010



Ceará, terra da luz, de José do Patrocínio, que libertou os escravos antes da assinatura da Lei Áurea. Terra de José de Alencar e Raquel de Queiroz. Tema do famoso poeta popular “Patativa do Assaré”. Foi assim que o cerimonial do 28º Encontro Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho - ENAFIT deu início à apresentação de cada uma das entidades regionais, representadas ali pelos respectivos delegados sindicais.

A solenidade de abertura do 28º ENAFIT e da 2ª Jornada Iberoamericana de Inspeção do Trabalho realizada na noite desse domingo, 7 de novembro, em Fortaleza (CE) exaltou as belezas naturais e as peculiaridades culturais e lembrou dos filhos ilustres de cada um dos Estados representados no evento, que reuniu cerca de 1.200 participantes, entre Auditores Fiscais do Trabalho, acompanhantes e convidados de todo o país.

O presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho no Ceará – SINDAIT, Luis Alves Lima deu as boas vindas a todos e num clima de descontração destacou a difícil tarefa de realizar um encontro desta magnitude. O último Encontro realizado na capital cearense foi há 16 anos, na 12ª Edição do ENAFIT, que na época chamava-se ENAIT.

Em relação a escolha dos temas a serem abordados no Encontro, Luis Alves, lembrou que como já é de costume relacionar o tema central à cidade onde o evento está sendo realizado, em Fortaleza essa regra foi seguida. “Por isso, Auditoria Fiscal do Trabalho: compromisso com o trabalho digno é um tema que, apesar de à primeira vista nada ter a ver com o Ceará, está diretamente relacionado com o Estado. O título “Terra da luz “ não se deve ao sol tropical que está presente o ano inteiro, mas ao fato de ter sido o Estado que aboliu a escravidão antes da assinatura da Lei Áurea", explicou.

Segundo Luis, apesar de abolida a escravidão nos moldes tradicionais, os Auditores Fiscais do Trabalho são as testemunhas oculares de que, infelizmente, ainda persiste esse tipo de degradação e servidão por dívida, perpetrada por “fazendeiros inescrupulosos”.

Ao concluir sua manifestação, Luis Alves, em homenagem à escritora Raquel de Queiroz, que  se estivesse viva completaria 100 anos no próximo dia 17 de novembro, citou uma de suas frases: “A terra de Iracema é toda sua do céu até a lua”.

AFTs eleitos deputados

Presentes ao Encontro, os AFTs Taumaturgo Lima e Lelo Coimbra, ambos eleitos deputados federais, em breves manifestações se colocaram à disposição da categoria para apoiar as lutas em busca dos pleitos da Auditoria Fiscal do Trabalho.

Novidades sobre pleitos da categoria

Representando o ministro do Trabalho e Emprego, o secretário-Executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Paulo Roberto Pinto, informou que alguns pleitos do SINAIT, que aguardavam solução no âmbito do MTE, foram encaminhados e deverão ser objetos de portarias a serem publicadas ainda esta semana. “A criação de uma carteira funcional para os aposentados, a regulamentação do porte de armas e a liberação dos servidores para a participação em atividades sindicais  foram compromissos assumidos pelo ministro Lupi e que ele procurou atender. Além disso, ao longo de nosso mandato substituímos um número expressvo de terceirizados por servidores concursados, o que também é uma questão que envolve a Auditoria Fiscal do Trabalho, porque são os servidores administrativos que auxiliam o trabalho dos AFTs", lembrou.

Segundo Paulo Roberto, ainda esta semana, será publicada portaria que cria uma carteira de identificação para os aposentados. Outra norma, deverá, de acordo com o secretário-Executivo, regulamentar a dispensa de ponto para aqueles servidores que participarem de atividades sindicais. Em relação ao porte de armas, ele explicou que será disponibilizada, no site do MTE, consulta pública que deverá aferir o quantitativo de AFTs interessados em adquirir o porte de arma. Segundo ele, essa etapa é necessária para possibilitar uma organização administrativa que possa atender à demanda verificada na consulta. “Acredito que, assim, atendemos os compromissos do Ministro, dentro do prazo que solicitamos ao SINAIT”, finalizou.

Os avanços da categoria 

A presidente do SINAIT, Rosângela Rassy, em seu discurso ressaltou o importante papel da Auditoria Fiscal do Trabalho concebido na Constituição Federal, orientado pela a Convenção 81 da OIT e, cuja atuação está sob o comando das leis que regem a relação capital e trabalho, vital para o País.

Suscitando questões que preocupam a categoria, a presidente  destacou que os anos de batalha e os avanços conquistados merecem o reconhecimento de todos. "O resultado de todo esse trabalho levou a Auditoria Fiscal do Trabalho ao mesmo patamar de grandes carreiras", ressaltou Rosângela. Segundo ela, as conquistas foram muitas e o exemplo que fica é o da luta e do trabalho daqueles que "combateram o bom combate".

Abaixo, leia a íntegra do discurso da Presidente do SINAIT:


Cumprimentos à mesa:  



Minha saudação aos Auditores Fiscais do Trabalho de todo o Brasil e, em especial, aos colegas cearenses, que comprovam, a todo instante,  a hospitalidade   da  gente   dessa terra de José de Alencar e de Rachel de Queiroz. 



Caros enafitianos,



A Inspeção do Trabalho é uma instituição cujo mister é ímpar entre as diversas atividades do serviço público, pois tem sua concepção no seio da própria Constituição Brasileira; atua sob a orientação de uma norma internacional – a Convenção 81 da OIT – e age sob o comando das leis que regem a relação capital e trabalho, vital para o País.



E isso tudo nos traz muito orgulho e muita responsabilidade!



A Auditoria Fiscal do Trabalho tem por missão, tem como compromisso, dar efetividade a cláusulas pétreas inscritas na Constituição Federal, relativas aos direitos trabalhistas, os quais estão imbricados com os mais caros preceitos do estado democrático de direito: cidadania, dignidade do ser humano, valores sociais do trabalho, redução das desigualdades sociais e regionais, prevalência dos direitos humanos, todos eles presentes nos fundamentos e nos princípios da nossa Constituição.



Mas isso tudo nos traz muita preocupação!



Como desenvolver esse trabalho de tamanha responsabilidade?  Como exercer um labor dessa magnitude?



Qual a Auditoria Fiscal do Trabalho que a sociedade espera de nós?



Afinal, qual a Inspeção do Trabalho que queremos?  



Nossa categoria tem experimentado ao longo de sua história avanços significativos, resultado de uma luta incansável das nossas entidades regionais e da nossa representação em nível nacional – primeiro com a Fasibra e, atualmente, com o SINAIT. As conquistas foram muitas, e não podemos deixar de registrar algumas delas, não apenas como exemplo de luta, mas também pelo justo reconhecimento, pelo trabalho daqueles que combateram o bom combate:



a mudança para o regime estatutário;

a re-ratificação da Convenção 81da OIT;

a A inclusão da Inspeção do Trabalho no texto constitucional;

a a transferência da fiscalização do FGTS para o MTE;

as gratificações arrancadas com muito suor – e aí nos lembramos da GEFA, GEFINHA e GEFONA, da GDAT, GIFA e outras tantas a culminar com a mudança para a remuneração na forma de subsídio, pondo-nos no mesmo patamar de grandes carreiras,     e  a conquista da paridade entre ativos e aposentados.



Anos e anos de uma batalha renovada dia após dia, a merecer o nosso reconhecimento.  

E isso tudo nos traz muito orgulho! 



Mas ainda não temos, por exemplo, uma Lei Orgânica, o nosso quadro é diminuto em relação às necessidades do País e não nos disponibilizam a adequada capacitação e a formação continuada, em um solene desrespeito à Constituição Federal e à Convenção 81. A respeito dessas questões, o SINAIT já apresentou comunicado formal à OIT,  e já temos a confirmação de que serão objeto de apreciação na Reunião de Peritos a ser realizada ainda este mês, em Genebra.



Nossa organização sindical precisa de uma restruturação;  nosso trabalho ainda é pouco conhecido pela sociedade; o critério de ordem técnica para a indicação do cargo de Superintendente Regional de Trabalho e Emprego é ignorado quando se mantém a interferência política indevida, distorção que também denunciamos à OIT.



Nossos autos de infração adormecem nos escaninhos das Superintendências sem a devida aplicação da multa, estimulando o descumprimento da lei e sustentando a concorrência desleal. Esses fatos foram, recentemente, levados ao conhecimento da Corregedoria do MTE, por meio de denúncia do SINAIT que requereu, ainda, que se proceda à devida correição em nível nacional.



O porte de arma – cuja necessidade para o AFT é reconhecida em lei – não obteve a regulamentação necessária, até o momento, no MTE e a expedição da carteira de identificação do aposentado – que tantos serviços prestou ao Ministério – continua a insistência por parte do  SINAIT para obtê-la. Até quando?



O combate efetivo aos acidentes do trabalho – que tantos danos têm causado a famílias brasileiras, e ao País – permanece em uma inexplicável indefinição quanto à necessidade de pessoal técnico especializado na área de segurança e saúde no trabalho, como se a questão não fosse, também, de nossa responsabilidade.



E isso tudo nos traz enorme preocupação!



O cumprimento dos ditames da Constituição e das Recomendações da OIT é inadiável. O MTE não pode perder a oportunidade da nomeação dos 117 aprovados no último concurso, pois já existe dotação orçamentária para isso.



Defendemos a especialização na Carreira Auditoria Fiscal do Trabalho e entendemos que isso não a descaracteriza, mesmo porque esse modelo já é adotado em relação a outras categorias congêneres.


Impõe-se rediscutir o modelo de fiscalização que foi implantado sem maiores discussões com a categoria.



Precisamos, enfim, dizer qual a Inspeção do Trabalho que queremos. E o faremos aqui, neste ENAFIT.



Colegas enafitianos:



O nosso encontro é um dos momentos mais importantes de que dispomos para fazer uma reflexão sobre estes questionamentos e estabelecermos compromissos com nossos próprios companheiros de trabalho e de luta, com todos os colegas, no sentido de mudarmos esse quadro, pois a categoria é pujante em suas ações e tem demonstrado do que é capaz para mudar os rumos da nossa história. 



E isso tudo nos traz muita confiança!



Muito obrigada!


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