SST – Profissionais que atendem emergência adoecem emocionalmente


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
25/10/2010



Um artigo da Revista Emergência chama a atenção para o adoecimento dos profissionais expostos a desastres e acidentes graves, como bombeiros, socorristas de estradas, salva-vidas, etc. A exposição a situações de morte e ferimentos graves diariamente, especialmente quando envolve crianças, é, para eles, um fator de grande stress e adoecimento com fundo emocional.


Eles precisam de freqüente acompanhamento psicológico para enfrentar o dia a dia e devem ser estimulados a não esconder a angústia sob o mito de herói que muitas vezes é atribuído à profissão. Por trás da imagem de homens e mulheres fortes, há uma pessoa, que tem dores e sentimentos como qualquer um.

 

Leia a reportagem:

 

19-10-2010 – Revista Emergência

Exposição a desastres adoece profissionais de emergência



O cenário descrito acima (na foto) está entre aqueles que mais abalam os profis­sionais de emergência. A presença de uma criança entre as vítimas causa comoção e pode acarretar o início de um processo de adoecimento emocional, assim como outras situações impactantes de vida e de morte. Extremamente vulneráveis, bombeiros, resgatistas, brigadistas e socor­ristas são expostos diariamente, por sua ati­vidade, a experiências com excessivo sofrimento humano.



A atuação destas equipes se dá em um ambiente carregado de fatores estressantes, tanto físicos quanto psicológicos. Há dor e morte de famílias inteiras, acidentes de grande violência, perda da vítima durante o atendimento e até o óbito de colegas. Tu­do isto, inevitavelmente, irá a fetar não só o homem, como o profissional, implicando em prejuízos de convivência familiar e de desempenho das suas atividades.



Ib Martins Ribeiro, psicólogo especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho, tenente-coronel da reserva da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) e consultor em Psicologia de Emergências, lembra que essa condição é cotidiana e não apenas fruto de um desastre de grande magnitude.



"A subjetividade e a contínua exposição são facetas que potencializam a vulnera­bi­lidade dos profissionais de emergência, pois o efeito cumulativo do estresse diário pode levar ao adoecimento ao longo da carreira", afirma.



Acreditar em heroísmo e onipotência são características que agravam o quadro de abalo emocional. Para a psicóloga e psi­co­terapeuta Maria Helena Pereira Franco, professora da PUC-SP, fundadora do LELu (Laboratório de Estudos e Intervenções so­bre o Luto) e do Grupo IPE (Intervenções Psicol ógicas em Emergências) e vice-presidente do IWG (grupo internacional sobre morte e luto), isto serve para afastar o profissional de suas reais possibilidades, impedindo-o de atuar dentro de sua condição humana, que deve ser preservada.



"O mito do herói, alimentado pela mídia na exploração das ocorrências e pelas cor­porações em seu preparo do profissional, deve ser levado em conta como uma perigosa armadilha para a saúde e a vida deste profissional", alerta.



Outro equívoco é revelar constrangimento ou preconceito em admitir os sintomas de adoecimento. Na opinião da tenente-coronel Dilene da Silva Costa, psicóloga do Centro de Assistência do CBMDF (Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal), a desinformação quanto às questões de saúde mental e a cultura militar favorecem o receio em solicitar atendimento. "As preocupações dizem respeito a ter seu sigilo violado, ter prejuízos na realização de cursos institucionais ou em promoções", diz.



Estes desafios, no próprio CBMDF e em outros serviços e instituições, vêm sendo enfrentados sob o aspecto preventivo. Para a psicóloga Angela Elizabeth Lapa Coêlho, professora do Unipê (Centro Universitário de João Pessoa) e consultora do Conselho Fe­deral de Psicologia, o ideal é contar com o profissional da área da Psicologia para um trabalho rotineiro e sistemático, abordando ainda a contribuição do trabalho também realizado com a família.

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