Entre os especialistas que produziram textos para a obra, estão os Auditores-Fiscais do Trabalho André Roston e renato Bignami
Por Dâmares Vaz
Edição: Andrea Bochi
O jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto apresenta nesta terça-feira, 28 de janeiro, o livro “Escravidão Contemporânea”, que reúne artigos de especialistas brasileiros e estrangeiros no assunto, entre eles os Auditores-Fiscais do Trabalho André Roston e Renato Bignami.
A obra tem como objetivo explicar a ocorrência de trabalho escravo, como ele se insere no Brasil e no mundo, o que tem sido feito para erradicá-lo e por que é tão difícil combatê-lo. O lançamento ocorre das 18h30 às 21h30 na Livraria da Vila, na Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo (SP), com um bate-papo com convidados.
O livro ganha ainda mais relevância na medida em que o sistema brasileiro de combate à escravidão contemporânea completa 25 anos em 2020. Nesse período, mais de 54 mil pessoas foram resgatadas por grupos de fiscalização móvel – coordenados pela Inspeção do Trabalho, fruto de atendimento a denúncias ou de investigações. O 28 de janeiro é também marcado como o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, data instituída em homenagem às vítimas da Chacina de Unaí.
Renato Bignami, que atua no enfrentamento ao crime na Superintendência do Trabalho de São Paulo, é o autor do capítulo “Todos os Países Escravizam: como funciona o trabalho escravo pelo mundo e o que é feito para combatê-lo”, em que aponta a necessidade de uma luta global contra o trabalho degradante, com base nos tratados internacionais.
“Parti da análise do tema da promoção de trabalho decente em cadeias produtivas, inspirado pela forma pioneira pela qual atuamos em São Paulo desde 2010. Mais adiante no capítulo, abordo legislação de vários países, para mostrar que aos poucos vai se observando uma tendência mundial de combate ao problema. Focar esta perspectiva foi meu objetivo, para que o leitor brasileiro tivesse acesso ao que há de mais atual em outras nações do mundo no que diz respeito a esse enfrentamento e à responsabilização no âmbito das cadeias produtivas”, detalha.
Em “Histórias de Liberdade”, o Auditor-Fiscal André Roston, que coordenou os grupos especiais de fiscalização do trabalho escravo, narra as experiências vividas no resgate de trabalhadores, quando integrava o Grupo Móvel. “São histórias que ilustram algumas das formas mais desumanas de abuso e superexploração que testemunhei. Mas também mostram o poder transformador da realidade das ações, tanto para efetivar direitos e reafirmar a dignidade para aqueles que são resgatados quanto para melhorar as condições gerais de trabalho nas regiões ou setores econômicos em que atuamos”, explica Roston.
De acordo com as Nações Unidas, no mundo há 40 milhões de pessoas traficadas e submetidas a condições desumanas de trabalho. Estima-se que a escravidão contemporânea gere um lucro anual de 150 bilhões de dólares.
O organizador
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela USP. É conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, desde 2014, e foi comissário da Liechtenstein Initiative – Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York. É diretor da Repórter Brasil, organização voltada ao combate à escravidão, e colunista do portal UOL.
Aqui, no site da Editora Contexto, é possível ler um trecho do livro.