Chacina de Unaí – Artistas apresentaram cordéis sobre escravidão e assassinato de Auditores-Fiscais do Trabalho


Por: SINAIT
Edição: SINAIT
05/02/2019



Por Nilza Murari


O cordelista Allan Sales e o poeta Marlos Guedes, ambos de Pernambuco, participaram, a convite do SINAIT, do Ato Público organizado para marcar os 15 anos da Chacina de Unaí, no dia 28 de janeiro, em Brasília. A data também é dedicada ao Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, ambos instituídos em homenagem aos três Auditores-Fiscais do Trabalho e ao motorista assassinados em Unaí – Eratóstens, João Batista, Nelson e Ailton.


Os artistas se apresentaram para os Auditores-Fiscais do Trabalho e demais participantes do Ato Público, entoando poemas com os temas da escravidão contemporânea e a Chacina de Unaí. Allan Sales escreveu um cordel especialmente para a data.


Veja aqui o vídeo da apresentação de Allan e Marlos.


Leia o cordel “15 anos da Chacina de Unaí”, escrito por Allan Sales.


 


15 anos da Chacina de Unaí

Allan Sales

 

                I

O Sinait se congrega

E seu povo traz aqui

Vinte e oito de janeiro

E um cordel que escrevi

Pra em versos o relato

Entre nós tão triste fato

Da Chacina de Unaí

 

                II

A história assim eu vi

De Erastóstenes lembrar

Junto de João Batista

Nelson e Ailton a trabalhar

Ante a sanha assassina

Dos mandantes de chacina

Sangue ao chão a derramar

 

                III

Missão de fiscalizar

Os abusos de patrão

Onde similar a escravo

Desumana condição

Uma casta exploradora

Que de vida sugadora

Que envergonha esta nação

 

                IV

Foi na fiscalização

Com tarefa de rotina

Embora houvesse denúncias

Como tal se vaticina

Esses eram os pendores

De patrões exploradores

Com jagunço e carabina

 

                V

Com a fúria mais canina

Foi um crime contra o Estado

Pistolagem e covardia

Um quarteto emboscado

Na estrada vicinal

Onde tal crime brutal

Por covardes planejado

 

                VI

Tudo bem articulado

Mandantes e executores

Antes disso acontecer

Foram ameaçadores

Esses tais reis do feijão

Mandantes da execução

Com asseclas matadores

 

                VII

Na estrada os horrores

Da covarde emboscada

Motorista ainda ferido

Dirigiu pela estrada

Mortos os seus companheiros

Pelas mãos dos pistoleiros

A história assim passada

 

                VIII

A polícia foi achada

Pelo bravo motorista

Que ali fez seu relato

Ao PM ali na pista

E depois ele morreu

Deste modo pereceu

Quinze anos de hoje dista

 

                IX

Produtor escravagista

Quer impor tal condição

De trabalhos degradantes

Negar remuneração

Pois encontra complacência

Ao fazer tal violência

Onde existe a omissão

 

                X

Nesta fiscalização

Quatro vidas são ceifadas

A polícia eficiente

Descobriu almas malvadas

Matadores e mandantes

Violentos seus rompantes

Diligências bem formadas

 

                XI

Pessoas investigadas

Por Polícia Federal

O inquérito pra justiça

Por tal crime bestial

E foi com celeridade

Demonstrou capacidade

A força policial

 

                XII

O mandante um feudal

Apesar de condenado

Até hoje apelando

Para lei e o magistrado

Até hoje impunidade

Ante tal barbaridade

Permanece libertado

 

                XIII

Quinze anos no passado

Unaí tão triste história

E sem cela de cadeia

Uma parte desta escória

Justamente os poderosos

Os mandantes criminosos

Não tiramos da memória

 

                XIV

Tribunais na trajetória

Foro privilegiado

Julgamento e recursos

Este caso é arrastado

Consciência cidadã

Que espera com afã

Ver quem falta encarcerado

 

                XV

E pra ser sempre lembrado

Unaí foi bestial

Quem ali fiscalizava

Todo abuso de um boçal

Quatro vidas preciosas

Vítimas de almas danosas

Ali na zona rural

 

                XVI

Do Brasil colonial

Que se herdou mentalidade

Desprezar os mais humildes

Esta nossa realidade

Consciência em nós avança

Todo anseio de mudança

Que demanda a sociedade

 

                XVII

Esta é nossa verdade

Que SINAIT preconiza

Equilíbrio social

Que o Brasil tanto precisa

Proteger trabalhador

Dar o seu real valor

Quem aí sua a camisa

 

                XVIII

A ideia mais concisa

De clamar toda nação

Exigir que os bandoleiros

Todos tenham a punição

Justiça é cidadania

Toda nossa empatia

No SINAIT esta visão

 

                XIX

Neste dia dizer não

Toda essa impunidade

Vinte e oito de janeiro

Data desta iniquidade

De emboscada e pistolagem

Unaí triste passagem

Nesta data aqui lembrada

 

                XX

Lembra missa celebrada

Em Brasília a catedral

Presidente autoridades

Presentes ao ritual

Ante o ato criminoso

Contra um povo valoroso

Comoção foi nacional

 

                XXI

No Brasil nosso atual

Com risco de retrocesso

Exigimos da justiça

Arremate do processo

Ver assim todos punidos

Os mandantes envolvidos

Que a recursos tem acesso

 

                XXII

Exigimos o progresso

Deste caso e encerrar

Nós fiscais nossas estradas

Onde sempre a labutar

Vinte oito de janeiro

Saudar quarteto guerreiro

Que o SINAIT vem lembrar

 

                XXIII

E assim reafirmar

Nosso povo não omisso

Exigir atrás das grades

Todos os culpados nisso

Relembrar triste massacre

Neste caso pondo um lacre

Da justiça é compromisso

 

                XXIV

E o cordel falando disso

O caminho aqui refeito

De Unaí triste memória

E o SINAIT em seu conceito

Em defesa do obreiro

Salve o povo brasileiro

Salve o estado de direito.​

 

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