19 Jan

Exposição em shoppings de Campo Grande mostra trabalho escravo em Mato Grosso do Sul

Publicada em: 19/01/2022

Além de conscientizar sobre o tema, a exposição é uma forma de lembrar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, comemorados em 28 de janeiro

Por Cláudia Machado
Edição: Lourdes Marinho   

Casos de trabalhadores encontrados em situação análoga à escravidão estão sendo mostrados na exposição fotográfica intitulada Trabalho Escravo, que pode ser vista em dois shoppings de Campo Grande (MS) até o dia 30 de janeiro.

A mostra fotográfica é resultado de parceria entre a Superintendência Regional do Trabalho (SRT-MS), Ministério Público do Trabalho de MS (MPT-MS), Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MS) e Fundação do Trabalho (Funtrab-MS) no combate a este crime.

A iniciativa visa a conscientização sobre o tema, uma vez que é cada vez mais recorrente o resgate de trabalhados escravizados encontrados pelas equipes de fiscalização.

Ao todo estão expostas 26 imagens que mostram as condições em que trabalhadores resgatados em fazendas nos municípios de Nioaque, Porto Murtinho, Miranda e Corumbá foram encontrados. Água suja, buracos cavados na terra para servir de banheiro, alojamentos insalubres e barracos de lona estão entre as situações flagradas.   

As imagens foram captadas em operações feitas pelo Grupo Regional de Fiscalização, coordenado por Auditores-Fiscais do Trabalho, e que conta com a participação de órgãos como o MPT (MS), Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar Ambiental.    

De acordo com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), por meio do Radar da SIT, em 2021, foram resgatados 67 trabalhadores no estado. Os dados estão consolidados até o mês de setembro.  Desde 1995, o início do combate ao trabalho escravo no Brasil, quase três mil trabalhadores foram encontrados e retirados de situação análoga à de escravo em Mato Grosso do Sul.

Além de conscientizar sobre o tema e alertar que em Mato Grosso do Sul a escravidão moderna se concentra no meio rural, a exposição é uma forma de lembrar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho, comemorados em 28 de janeiro.

Foi em 28 de janeiro de 2004 que três Auditores-Fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho foram assassinados em Unaí (MG) durante fiscalização em uma fazenda da região. O crime, que ficou mundialmente conhecido como Chacina de Unaí, deu origem à criação das datas especiais.

A exposição, que é gratuita e aberta ao público, pode ser conferida nos shoppings Campo Grande e Norte Sul, ambos na capital do estado.​