02 Dez

Lançado filme “Precisão: uma história de vida de trabalhadores resgatados” em São Luís

Publicada em: 02/12/2019

Por Solange Nunes

Edição: Andrea Bochi

O filme “Precisão: uma história de vida de trabalhadores resgatados de condições análogas às de trabalho escravo” foi lançado, no dia 28 de novembro, no Cine Teatro Aldo Leite, no Palacete Gentil Braga, em São Luís (MA). A obra foi produzida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no Maranhão em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDHIPOP). O evento contou com a participação do Auditor-Fiscal do Trabalho Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), da subsecretaria da Inspeção do Trabalho, do Ministério da Economia.

O documentário “Precisão” conta a história de seis trabalhadores que foram vítimas de trabalho escravo. Durante o lançamento, os seis maranhenses resgatados Gilza Arruda Santos, Gildásio Silva Meireles, José Antônio da Conceição, Leandro de Oliveira, Marinaldo Soares Santos e Sebastião Furtado contaram sua experiência.

Precisão

“Precisão” é a palavra utilizada pelo maranhense para definir a extrema necessidade de lutar pela sobrevivência. É por precisão que brasileiros e brasileiras acabam submetidos a condições análogas à de trabalho escravo.

No período de 2003 a 2018, as fiscalizações do então Ministério do Trabalho resgataram no Brasil mais de 45.000 trabalhadores e trabalhadoras em condições análogas à escravidão, segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.

Desse total de pessoas resgatadas: cerca 31% eram analfabetas; 39% tinham estudado só até o 5º ano;15% tinham chegado até o ensino fundamental II; e 54% se declararam negras ou pardas. Um total de 22% dos trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil nasceu no Maranhão.

Índices alarmantes

O estudo ainda apresenta outro dado alarmante: 18% das vítimas declararam, no ato do resgate, que residem no Maranhão. Dos 10 municípios brasileiros com o maior número de vítimas do trabalho escravo conforme o local de nascimento declarado, cinco são de municípios maranhenses: Codó, Imperatriz, Pastos Bons, Santa Luzia e Caxias.

Em todo Brasil, 73% das vítimas resgatadas trabalhavam no setor agropecuário; 54% são pretos ou pardos; 31% são analfabetos e outros 39% só estudaram até o 5º ano. Os setores recordistas de casos são criação de bovinos para corte, com 32%; cultivo de arroz, com 20%; fabricação de álcool, com 11%; e cultivo de cana-de-açúcar, com 8%.

Assista aqui o documentário Precisão. Aqui Dira Paes falando sobre o filme.

Com informações do MPT-MA.