13 Set

Incêndio em hospital do Rio é alerta para a segurança e saúde no trabalho

Publicada em: 13/09/2019

O SINAIT chama a atenção para o incêndio ocorrido no Hospital Badim, no Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira, 12 de setembro. O Corpo de Bombeiros informa que foram encontrados 11 corpos, todos de pacientes. As causas do incêndio estão sendo apuradas, mas, a princípio estão sendo atribuídas a um curto circuito em instalações elétricas. 

Esse fato leva à reflexão sobre a fiscalização na área de segurança e saúde no trabalho no Brasil que, no momento, passa por revisão das Normas Regulamentadoras – NRs, em demanda criada pelo governo, por pressão de empresários. Uma das NRs com previsão de alterações é a de número 32, específica sobre Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde. Há outras que se relacionam direta ou indiretamente com o setor, como as NRs nº 17 – Ergonomia, nº 23 – Proteção Contra Incêndios, nº 24 – Condições Sanitárias e de Conforte nos Locais de Trabalho, entre outras. 

Em razão do pequeno número de Auditores-Fiscais do Trabalho – hoje menos de 2.300 em atividade –, e da contínua redução de recursos para as ações fiscais ano a ano, além de ataques à carreira e suas atividades, não tem sido possível elaborar um planejamento que cubra satisfatoriamente diversos setores da economia, entre eles, o da saúde – hospitais públicos e privados, laboratórios, postos de saúde, etc. 

Uma série de fiscalizações realizadas no setor da saúde em Goiás, em um projeto que pode servir de inspiração para todo o País, têm sido constatados muitos problemas que colocam em risco trabalhadores, pacientes, patrimônio público e privado, além do entorno das edificações e toda a população. A falta de manutenção adequada das instalações elétricas e hidráulicas, do mobiliário, dos equipamentos de limpeza e conservação, entre outros problemas, têm levado a interdições e a um rol de recomendações aos gestores para fazer as correções necessárias à eliminação dos riscos. 

Muitos aspectos estão envolvidos na questão. Falta de repasses de recursos por parte do poder público, a má gestão dos recursos disponíveis, inabilidade na gestão de contratos, falta de pessoal, sobrecarga de trabalho e terceirização são alguns deles. 

O recorte de Goiás projeta uma realidade similar para todo o País, que deveria direcionar, na opinião do SINAIT, uma atenção especial das autoridades para o setor, especialmente por se tratar de uma atividade que lida, diretamente, com a fragilidade humana em sua face mais extrema. 

O lamentável episódio do incêndio no Hospital Badim é um alerta para o fato de que não se pode descuidar da fiscalização dos aspectos de segurança e saúde. Flexibilizar e precarizar serviços trará, em algum momento, consequências graves, com perdas materiais e humanas, estas, irreparáveis. O prejuízo é de toda a coletividade.​