11 Set

Mosap faz análise das eleições 2018 e vai alertar aposentados sobre candidatos que votaram contra os trabalhadores

Publicada em: 11/09/2018

Movimento vai encaminhar Carta-compromisso aos presidenciáveis e recomenda que entidades redijam Manifesto denunciando os projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e  penalizam trabalhadores 

Por Lourdes Marinho

Edição: Nilza Murari

Uma análise da conjuntura política feita pelo analista político Antônio Augusto de Queiroz foi a pauta principal da reunião do Movimento dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas – Mosap, na manhã desta terça-feira, 11 de setembro, em Brasília. Os diretores Antônio Fabiano Gonçalves, Hugo Carvalho, Marco Aurélio Gonsalves e Orlando Vila Nova participaram da reunião representando o Sinait.

De acordo com o analista, a renovação do Congresso Nacional em 2018 tende a ser a menor das últimas sete eleições. As vagas que não forem preenchidas pelos que estão na reeleição serão pelos que já estão na vida pública. Segundo ele, são poucos os nomes com vida profissional organizada que estão fora da política e se dispõem a concorrer a mandato eletivo, particularmente para a Câmara.

Outro aspecto preocupante é que as vagas que serão preenchidas por esses “novos”, além dos ex-ocupantes de cargos públicos — eleitos ou nomeados — numa espécie de circulação no poder, pertencerão às futuras bancadas evangélica, da segurança ou da bala e de parentes, segmentos que irão crescer na Câmara dos Deputados e no Senado.

“Há o risco de que o próximo Congresso, além de pouco renovado, seja mais fisiológico e conservador em relação aos valores do que o atual”, avalia Antônio Augusto.

Para o estudioso, só o engajamento da cidadania será capaz de alterar esse quadro, escolhendo pessoas com perfil e vocação republicanas e “denunciando” os atuais que não honraram suas propostas de campanha.

Com essa finalidade, o Mosap vai encaminhar documento aos seus filiados com informações sobre os deputados e senadores que votaram contra os direitos dos trabalhadores do serviço público e da iniciativa privada.

Queiroz vê com preocupação a união dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – para retirar a rede de proteção social. “Há necessidade de ajuste fiscal. O que o governo arrecada não dá para pagar as despesas e com um orçamento congelado a situação fica insustentável. O governo devia arrecadar sobre a renda e grandes fortunas, mas está tirando dos assalariados”, criticou.

Segundo ele, os servidores e a sociedade devem ficar atentos nesta campanha política porque há portais criados para enganar o eleitor, a exemplo do “Tchauqueridos”, entre outros. Neles aparecem bem avaliados políticos que aprovaram medidas que cortaram direitos da população, como a reforma trabalhista, entre outras ações que prejudicaram os trabalhadores. Senadores como Paulo Paim (PT/RS) aparecem como um dos piores parlamentares nesses portais. “São portais com visões de empresários e banqueiros”, diz o analista político.

Manifesto e Carta-compromisso

O Mosap vai sugerir que cada entidade afiliada faça um Manifesto denunciando os projetos de lei que tramitam no Congresso e penalizam os trabalhadores, a exemplo da reforma da Previdência, além de pedir a revogação da reforma trabalhista e da Emenda Constitucional – EC 95.  “O Movimento encaminhará um modelo, mas cada um pode fazer da sua maneira”, explica o diretor do Sinait, Hugo Carvalho.

Uma Carta-compromisso também será apresentada a cada candidato à presidência da República. O candidato que assumir o compromisso deve referendar o documento.

Lançamento de site contra a EC/95

Para reforçar a defesa dos direitos dos servidores, o diretor do Sinait, Marco Aurélio Gonsalves, informou que na próxima semana estará no ar um site contra a Emenda Constitucional nº 95/2016. A EC implementa um teto para os gastos públicos federais, congelando o orçamento dos serviços sociais até 2036. A iniciativa é uma realização das entidades que integram o Fonacate e o Fonasefe.

Defesa dos aposentados 

A candidata a deputada federal pelo MDB em Brasília, a procuradora Meire Mota, apresentou sua plataforma política na reunião do Mosap. A defesa dos aposentados e da Previdência estão entre as bandeiras defendidas pela postulante ao cargo.

Meire foi quem colocou na cadeia a fraudadora da Previdência Jorgina de Freitas e ajudou a recuperar milhões desviados do INSS. A procuradora é esposa do ex-deputado Carlos Mota (PSB/MG), que a acompanhou na reunião. Mota é autor da PEC 555/2006 – que prevê o fim gradativo da contribuição previdenciária dos servidores públicos aposentados e pensionistas.​