10 Abr

Fiscalização resgata 28 trabalhadores em situação de escravidão em Salto-SP

Publicada em: 10/04/2018

Grupo de nordestinos foi levado ao interior de SP para fazer a venda de laticínios. Eles chegavam a trabalhar 16 horas por dia.

Por Lourdes Marinho

Edição: Andrea Bochi

Uma ação coordenada por Auditores-Fiscais do Trabalho de São Paulo resgatou 28 trabalhadores em situação análoga à de trabalho escravo em Salto (SP), na quarta-feira, 4 de abril.

De acordo com Luis Alexandre de Faria, Auditor-Fiscal do Trabalho e coordenador da operação, 32 nordestinos das regiões de Quixadá e Quixeramobim, no sertão do Ceará, foram levados ao interior do estado para realizar venda de laticínios - queijo e iogurtes - de porta em porta.

Segundo a fiscalização os trabalhadores atuam em Itu, Porto Feliz, Elias Fausto, Capivari, Salto, Sorocaba e Boituva.

Dos 32 trabalhadores, quatro não tiveram a situação avaliada como trabalho escravo, já que tinham posição superiores aos demais, mesmo trabalhando de forma irregular.

"Eles trabalhavam sob sol, chuva, não tinham local para descanso, não recebiam refeições ou água potável e trabalhavam de 12 até 16 horas por dia. Os trabalhadores não tinham local adequado para necessidades fisiológicas e ainda carregavam peso excessivo", afirma Luis Alexandre de Faria.

De acordo com o Auditor-Fiscal, o alojamento dos trabalhadores estava em condições degradantes e precárias de limpeza.

"Não recebiam roupa de cama ou de banho e o local onde dormiam continha muita sujeira e umidade, além de insetos, carrapatos, pulgas e baratas", diz.

Salários irregulares

Também foram constatadas irregularidades no recebimento de salário dos trabalhadores, que não atendia o mínimo de valor da base da categoria que os trabalhadores se encaixariam e não tinham registro em carteira.

"Eles recebiam entre R$ 800 a R$ 1,5 mil e acabavam se endividando com o empregador, pois tinham que pagar pela estadia e custos da viagem que os trouxeram do Ceará", diz Luis.

Autuações e negociação

Os Auditores-Fiscais do Trabalho autuaram o empregador por trabalho escravo, um empresário do comércio varejista do ramo de laticínios. A fiscalização negocia o pagamento das indenizações aos trabalhadores bem como o retorno às suas casas.

Atualmente, os trabalhadores estão no alojamento em Salto. A fiscalização aguarda a liberação de verbas para transferi-los para um lugar mais apropriado.

O crime pode ser enquadrado também como tráfico de pessoas. "Eles eram enganados. O que era oferecido a eles não era concretizado em Salto", diz Luis Alexandre.

A operação está em curso e nos próximos dias os trabalhadores poderão sacar, o Seguro-Desemprego para Trabalhador Resgatado que será emitido pelos Auditores-Fiscais do Trabalho.

Operação 

A operação, divulgada nesta segunda-feira (9), conta com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). Além do apoio da Polícia Militar de Salto e do Sindicato dos Comerciários de Itu.

Com informações da SRT/SP e do G1 Sorocaba e Jundi.