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Fernanda Giannasi é agraciada com o Prêmio Rachel Lee Jung-Lim 2017

Publicada em: 04/01/2018

Modus operandi da Inspeção do Trabalho no Brasil serve de referência pro mundo

A Auditora-Fiscal do Trabalho Fernanda Giannasi foi agraciada com o Prêmio Rachel Lee Jung-Lim 2017, em Seul, capital da Coréia do Sul, pelo seu trabalho em defesa do banimento do amianto. O Prêmio está em sua sexta edição e homenageia uma pessoa por ano. 

Fernanda não pode comparecer à cerimônia de premiação, no dia 21 de dezembro passado, mas foi representada por seus colegas, ativistas do Movimento pelo banimento do amianto na Ásia. A placa virá pelos Correios. 

De acordo com a ativista, o prêmio é muito importante, uma vez que a Ásia é o continente que mais usa amianto na atualidade e é grande cliente do Brasil.  “Eles estão acompanhando o debate no Brasil. Pra eles é uma esperança de por lá o mineral também ser proibido em breve. Somos mais uma inspiração”, afirmou.

“Fico muito contente que o nosso trabalho possa ajudar outros povos que continuam expostos a essa fibra cancerígena. Além do reconhecimento pessoal, me dá orgulho saber que o trabalho ao longo de três décadas pode servir de inspiração para que eles façam algo semelhante”, declarou Fernanda. 

Fernanda disse que todas as vezes que é convidada para fazer conferência, uma das coisas que mais a deixam orgulhosa é constatar que a Auditoria Fiscal do Trabalho no Brasil e o Ministério Público do Trabalho são referências para o mundo.  “Lá eles não têm o modelo de atuação, o formato que temos aqui.  A nossa metodologia à frente da Inspeção do Trabalho é realmente inovadora e referência mundial, exemplo a ser seguido nos outros países. Acho que nossos colegas do Ministério Trabalho ainda não internalizaram que o nosso modus operandi serve de referência pro mundo”, ressaltou. 

A ativista já foi premiada no Japão, Canadá, Estados Unidos, Itália e agora na Coréia do Sul. No Brasil recebeu a Ordem do Mérito Judiciário do Tribunal Superior do Trabalho - TST e do TRT da 15ª Região. Também foi indicada ao Prêmio Personalidades do Ano de O globo 2017.

Em junho ela será homenageada no Parlamento Britânico pela Câmara dos Comuns (House of Commons) e no Rio de Janeiro, num congresso de saúde coletiva.

Prêmio Rachel Lee Jung-Lim

A primeira edição do Prêmio Rachel Lee Jung-Lim ocorreu em 2012, quando completou um ano da morte da ativista sul-coreana. A data de entrega do prêmio, 21 de dezembro, marca o aniversário de morte de Rachel, falecida em 2011.

As exposições tóxicas que ela experimentou como uma jovem que vivia perto de uma fábrica de amianto na Coréia do Sul levaram a contrair o mesotelioma, câncer de amianto, quando tinha apenas 39 anos.

Rachel dedicou sua vida a combater o mineral cancerígeno. Ela participou de eventos na Coréia, Japão, Canadá, Índia e Indonésia, entre outros países. Em cada ocasião, falava sobre como o amianto havia roubado sua vida. Seu mantra era "não mais amianto, nem mais vítimas de amianto", e por isso atuou junto aos consumidores, políticos e empresários pelo banimento do amianto no mundo.